Convenção do partido ocorre nesta segunda-feira; nos bastidores, decisão é tratada como forma de evitar eventual impugnação da candidatura. Parlamentar da Alerj é investigada por elo com miliciano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A deputada estadual Lucinha é alvo de operação policial — Foto: Alerj/Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/07/2026 - 10:10 PSD do Rio Retira Deputada Lucinha de Chapa por Ligações com Milícia O PSD do Rio decidiu retirar a deputada estadual Lucinha da chapa eleitoral, temendo desgaste político e possível impugnação devido a investigações sobre sua ligação com milicianos. Lucinha, influente na Zona Oeste, é acusada de fornecer informações privilegiadas à milícia. A decisão visa minimizar riscos durante a campanha de Eduardo Paes e reforçar um discurso contra o crime organizado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A convenção do PSD do Rio, partido do ex-prefeito e pré-candidato ao governo do estado Eduardo Paes deve sacramentar nesta segunda-feira a retirada da deputada estadual Lucinha da chapa do partido para as eleições em outubro. Nos bastidores, a decisão é tratada como um movimento para evitar desgaste político durante a campanha e reduzir o risco de uma eventual impugnação da candidatura pela Justiça Eleitoral em razão das investigações que envolvem a parlamentar. Renan Santos reage à declaração de Ciro Gomes sobre possível apoio à Presidência: 'Ele é inteligentíssimo, fico lisonjeado'Milei vai se encontrar com Tarcísio em São Paulo durante visita ao Brasil A avaliação dentro da legenda é que manter Lucinha na disputa poderia transformar a campanha em um foco permanente de desgaste, sobretudo em um cenário em que a segurança pública tende a ocupar posição central no debate eleitoral no Rio de Janeiro. Ao retirar a deputada da nominata antes de qualquer decisão judicial, o partido, segundo interlocutores, evita o risco de enfrentar um revés durante a campanha e busca reforçar um discurso de distanciamento de investigações envolvendo organizações criminosas. Lucinha é, tradicionalmente, uma das principais puxadoras de votos de Paes na Zona Oeste, maior colégio eleitoral da cidade. Nos bastidores, integrantes do PSD admitem que a saída da deputada obrigará o partido a buscar um nome com densidade eleitoral na região para compensar a perda, tarefa considerada um dos principais desafios da montagem da chapa. Eduardo Paes participou de carreata em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, ao lado da deputada estadual Lucinha (PSDB) — Foto: Bernardo Mello/Agência O Globo/ imagem de 2018 A medida também é vista por integrantes da legenda como um gesto político do ex-prefeito Eduardo Paes, principal liderança do PSD no estado. A leitura é que a exclusão da deputada da chapa sinaliza que o partido pretende adotar um discurso de enfrentamento ao crime organizado e de retomada de áreas dominadas por facções criminosas e milícias, tema que deve ocupar espaço relevante na campanha. Ligação com a milícia Lucinha é investigada sob suspeita de integrar o núcleo político da milícia comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, apontada como uma das maiores organizações criminosas do Rio. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que a deputada era chamada de "madrinha" por integrantes do grupo em razão do auxílio que teria prestado aos milicianos. Ela e uma ex-assessora são acusadas de fornecer informações privilegiadas, como rotas e agendas de autoridades — entre elas o prefeito do Rio — para permitir a fuga de criminosos durante operações policiais e retirar integrantes da organização das ruas. Deputada Lucinha volta à Casa legislativa após ser afastada por decisão judicial em processo do MP que investiga seu envolvimento com milícias — Foto: Reprodução/Alerj Além das investigações sobre a suposta ligação com a milícia, Lucinha foi condenada, em agosto de 2024, pelo Tribunal de Justiça do Rio a quatro anos, cinco meses e dez dias de prisão, em regime semiaberto, com determinação de perda do mandato, por manter um assessor fantasma entre 2011 e 2015. Segundo a acusação, o servidor nomeado para o gabinete trabalhava, na prática, como pedreiro em obras particulares e em atividades políticas ligadas à parlamentar. Na Operação Batismo, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em dezembro de 2023, Lucinha também foi apontada como o "braço político" da milícia de Zinho, sob acusação de interceder em favor de criminosos e repassar informações sigilosas ao grupo. O procedimento relacionado a esse caso, no entanto, foi arquivado pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em junho de 2024.