Mudanças de rotina podem afetar o bem-estar emocional dos animais; especialista explica como tornar a transição mais tranquila 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Férias: os cuidados para deixar o pet mais tranquilo durante a viagem — Foto: Magnific RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/07/2026 - 14:20 Especialista dá dicas para deixar cães seguros nas férias escolares Com as férias escolares, muitos tutores de cães enfrentam o desafio de deixar seus pets em segurança durante as viagens. Mudanças abruptas na rotina podem gerar ansiedade nos animais. Beatriz França, especialista em comportamento animal, sugere preparar o pet para a separação, estabelecendo vínculos prévios com cuidadores e familiarizando-se com novos ambientes. A adaptação gradual é crucial para minimizar o estresse dos cães. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com as férias escolares em andamento, muitas famílias aproveitam o período para viajar, mudar a rotina ou passar mais tempo longe de casa. Para os tutores de cães, porém, o planejamento da temporada vai além de escolher um destino ou encontrar alguém para cuidar do animal durante a ausência. A separação temporária, quando não é preparada, pode ser um momento de estresse para alguns pets. A preocupação ganhou ainda mais atenção com novos estudos sobre comportamento canino. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista científica Behavioural Processes, realizada com 795 cães brasileiros por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), apontou que ficar sozinho está entre os principais fatores associados à ansiedade nos animais, ao lado de situações como fogos de artifício e mudanças de ambiente. Entre os sinais observados estão vocalização excessiva, estado de alerta constante e comportamentos destrutivos. O cenário ajuda a explicar o aumento da procura por hotéis, creches, cuidadores temporários e serviços de hospedagem durante os períodos de férias. Mais do que garantir alimentação e segurança, muitos tutores passaram a considerar também como seus cães irão lidar emocionalmente com a mudança de rotina. Para Beatriz França, especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA, no Brasil, e da PETland BFA, em Miami, o planejamento costuma ser o ponto mais importante. Segundo ela, a principal dificuldade é que os humanos enxergam a ausência como algo temporário, enquanto os cães percebem apenas a alteração no ambiente que conhecem. "Quando a família viaja, a rotina do cachorro pode mudar completamente de um dia para o outro. Ele deixa de conviver com as pessoas de referência, passa a dormir em outro ambiente, encontra cheiros diferentes e, muitas vezes, convive com pessoas que nunca viu antes. Para nós, é apenas uma viagem temporária, mas o animal não entende esse contexto. O que ele percebe é uma mudança brusca naquilo que lhe transmite segurança. Quanto mais previsível for essa transição, menores tendem a ser os impactos emocionais", explica. A especialista ressalta que não existe uma reação única. Enquanto alguns cães se adaptam rapidamente a novos espaços e cuidadores, outros precisam de mais tempo para estabelecer confiança e compreender a nova rotina. Antes de viajar, alguns cuidados podem ajudar a tornar esse período mais tranquilo: 1. Deixar o cão com alguém sem criar vínculo antes Escolher um cuidador apenas pela disponibilidade pode não ser suficiente. Segundo Beatriz, a relação entre o profissional ou familiar responsável e o animal deve ser construída antes da viagem. "É muito comum escolher um parente ou amigo porque a pessoa gosta de animais, mas isso não significa que exista vínculo com o cachorro. O ideal é que esse contato aconteça antes da viagem, com visitas e momentos de interação para que o animal associe aquele cuidador a experiências positivas. Essa aproximação reduz bastante a insegurança quando chega o momento da separação", orienta. 2. Apresentar um novo ambiente apenas no dia da partida Hospedagens e creches podem ser boas alternativas, mas a mudança precisa acontecer aos poucos. Conhecer o espaço, os profissionais e a dinâmica do local antes da estadia ajuda o cão a não associar aquele ambiente apenas à ausência do tutor. "Nem todo cachorro se sente confortável chegando pela primeira vez a uma hospedagem justamente no dia em que o tutor vai viajar. Sempre que possível, vale fazer uma adaptação gradual, permitindo que ele conheça o espaço, os profissionais e a rotina antes da estadia. Esse processo transmite segurança e faz com que o ambiente deixe de ser totalmente desconhecido quando a viagem acontecer", detalha. 3. Escolher o serviço apenas pela estrutura ou pelo preço Um espaço amplo ou uma boa localização não são os únicos fatores que devem ser considerados. Para a especialista, é importante observar como o local lida com as necessidades individuais de cada cão. "Uma estrutura bonita chama atenção, mas não é isso que determina a qualidade da experiência do animal. O tutor deve observar se existe acompanhamento comportamental, adaptação individual, enriquecimento ambiental e profissionais preparados para identificar sinais de estresse. Cada cachorro possui um perfil diferente, e um bom serviço respeita essas diferenças em vez de oferecer exatamente a mesma rotina para todos", diz. 4. Não observar sinais prévios de ansiedade Mudanças de comportamento antes mesmo das férias podem indicar que o cão já enfrenta dificuldades com a ausência do tutor. Latidos frequentes, destruição de objetos e alterações quando fica sozinho são alguns sinais que merecem atenção. "Se o cachorro já demonstra sofrimento quando o tutor sai para trabalhar, vocaliza excessivamente, destrói objetos ou apresenta mudanças de comportamento sempre que fica sozinho, é importante olhar para esses sinais antes das férias. A viagem não cria necessariamente um problema, mas pode intensificar uma dificuldade que já existia e que muitas vezes passa despercebida na rotina da família", explica. 5. Esperar que a adaptação aconteça naturalmente Embora alguns cães consigam lidar bem com mudanças, a adaptação não acontece da mesma forma para todos. Preparar a transição, manter objetos familiares e compartilhar informações sobre a rotina do animal podem facilitar o processo. "Existe a ideia de que o cachorro 'acostuma' com qualquer situação, mas a adaptação é um processo. Quando o tutor prepara essa transição com antecedência, mantém objetos familiares, compartilha informações sobre a rotina do animal e escolhe um ambiente que respeite suas necessidades, a experiência tende a ser muito mais tranquila. Cuidar da parte emocional é tão importante quanto garantir alimentação, higiene e segurança", afirma. Para Beatriz, o crescimento dos serviços voltados aos cuidados temporários representa uma mudança positiva na relação entre pessoas e animais, mas também exige escolhas mais cuidadosas por parte dos tutores. "Quem ainda vai viajar nas próximas semanas ainda tem tempo de preparar essa transição da forma correta. E quem já deixou o pet em hospedagem ou com um cuidador também pode acompanhar como ele está se adaptando, manter contato com a equipe e observar seu comportamento quando retornar para casa. As férias passam rápido para nós, mas podem representar uma experiência muito marcante para o animal. Quando existe planejamento e respeito às necessidades emocionais do pet, todos aproveitam esse período com muito mais tranquilidade", conclui.