O presidente Donald Trump desembarca do Air Force One — Foto: Osmancan Gürdoğan/AP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (19) que o jato doado pelo Catar e atualmente utilizado como aeronave presidencial será enviado em breve para uma nova etapa de modernização, em meio a questionamentos sobre seus sistemas de segurança. Trump passou a voar no jumbo jet em 1º de julho, após aceitar a aeronave como presente do governo do Catar e acelerar um programa de adaptação do Boeing 747 para uso presidencial. A decisão ganhou atenção depois que o presidente deixou de usar o avião em um voo entre a Turquia e o Reino Unido, em 8 de julho, durante o período de maior tensão com o Irã. Na ocasião, ele viajou para Londres em um Air Force One mais antigo, afirmando posteriormente que a escolha ocorreu “por nostalgia”. O retorno aos Estados Unidos, porém, foi feito no jato recém-adaptado. Ao voltar de uma viagem à final da Copa do Mundo da Fifa, em Nova Jersey, Trump foi questionado sobre relatos de que a aeronave não teria capacidade de defesa antimíssil comparável à do Air Force One tradicional. “Ela tem muita capacidade”, respondeu o presidente. “Mas, pelo que entendi, em cerca de um mês eles vão enviá-la para ser totalmente aprimorada. Isso deve levar aproximadamente um mês.” A Força Aérea americana não comentou imediatamente a declaração. O avião, pintado nas cores vermelha, branca, azul-escuro e dourada escolhidas por Trump, foi reformado pela empresa de defesa L3Harris Technologies. A adaptação tem caráter temporário e busca suprir a demora da Boeing na entrega dos novos Air Force One. A fabricante trabalha na conversão de duas aeronaves 747-8 construídas especificamente para o programa presidencial, em um contrato de preço fixo de US$ 3,9 bilhões assinado em 2018. O projeto, no entanto, acumula quatro anos de atraso e custos acima do previsto, e a entrega dos novos aviões está prevista apenas para meados de 2028. A rapidez com que o jato do Catar foi adaptado levantou dúvidas entre especialistas sobre se a aeronave oferece o mesmo nível de proteção do Air Force One atualmente em operação. Críticos também questionam tanto o custo das modificações quanto a adequação de o presidente aceitar o avião como presente. A controvérsia aumentou após jornalistas do "New York Times", que haviam publicado reportagens sobre os sistemas de segurança da aeronave, receberem intimações para depor no início deste mês. O jornal recorreu à Justiça para tentar impedir que eles sejam obrigados a prestar depoimento perante um júri federal em Manhattan.