Dezenas de pessoas podem ter morrido após uma balsa com 133 pessoas a bordo virar na costa da Guiana na noite de sábado (18). As autoridades afirmam que uma lista de passageiros imprecisa e o uso de drogas por integrantes da tripulação podem ter contribuído para o desastre. Nenhum sobrevivente foi encontrado desde a tarde de domingo (19), quando o governo informou o resgate de 67 pessoas, entre elas 15 crianças. Vizinho do Brasil, o país faz fronteira com Roraima e tem sua capital, Georgetown, na costa do Atlântico. O capitão e outros membros da tripulação foram colocados sob custódia policial, informou o ministro das Obras Públicas, Juan Edghill, em entrevista coletiva na noite de domingo. “As buscas e o resgate continuam em andamento”, disse Edghill. “Estamos fazendo tudo o que é humanamente possível para encontrar os desaparecidos.” A embarcação MV Barima transportava 116 passageiros e 17 tripulantes quando virou a cerca de 11 quilômetros da costa atlântica norte da Guiana, durante a viagem entre a capital, Georgetown, e a vila de Port Kaituma. O controle de tráfego aéreo recebeu um pedido de socorro por volta das 23h de sábado, o que desencadeou a operação de busca e salvamento. Segundo Edghill, as primeiras horas de resgate foram prejudicadas pela escuridão e pela falta de embarcações equipadas com scanners para localizar sobreviventes, obrigando as equipes a depender da visão e da audição. Desde então, empresas do setor de petróleo e gás disponibilizaram embarcações com equipamentos de varredura, e o governo mobilizou mergulhadores para entrar na balsa em busca de corpos. A área de busca também foi ampliada de 400 quilômetros quadrados para 1.040 quilômetros quadrados. Inicialmente, o ministro afirmou não haver indícios de negligência por parte da empresa operadora. Mais tarde, porém, revelou que o capitão e pelo menos outro tripulante testaram positivo para maconha. As autoridades também descobriram que várias pessoas resgatadas não constavam na lista oficial de passageiros, o que dificulta as buscas, já que o número exato de desaparecidos ainda é incerto. A balsa havia passado por manutenção em 2024 e estava programada para entrar em docagem seca ainda este ano — procedimento em que o navio é retirado da água para inspeções e reparos. O desastre atingiu duramente as famílias dos passageiros. Leon Murray, que estava a bordo, relatou ao portal local Ignite News que, cerca de quatro horas após a partida de Georgetown, alguém começou a gritar que a embarcação estava afundando. Depois que a balsa virou, ele conseguiu nadar até a superfície e se manter à tona com um colete salva-vidas. Murray contou que encontrou o filho e outras três pessoas agarrados a uma caixa flutuante. Ele e o filho sobreviveram, mas a esposa, a filha e quatro netos continuam desaparecidos. “Seis deles desapareceram”, afirmou. O primeiro-ministro da Guiana, Mark Phillips, informou que a embarcação transportava 268 toneladas de carga, de um limite de 284 toneladas. Segundo ele, a balsa tinha autorização para levar mais de 300 passageiros e estava equipada com 250 coletes salva-vidas, seis botes infláveis e dois botes rígidos. Na noite de domingo, Phillips anunciou a abertura de uma investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo integrantes da polícia, das forças de defesa e da administração marítima. “Que fique absolutamente claro: se forem comprovadas negligência, má conduta ou atos criminosos, os responsáveis enfrentarão todo o rigor da lei”, declarou.
Guiana busca desaparecidos após balsa com 133 pessoas virar no Atlântico
Guiana busca desaparecidos após balsa com 133 pessoas virar no Atlântico










