Quando uma incorporadora lança um prédio hoje, um dos primeiros contratos assinados pode ser o de um equipamento que só será instalado quase dois anos depois. Ao mesmo tempo, síndicos de edifícios antigos torcem para que os elevadores não parem: quando isso acontece, a espera por técnicos ou peças pode durar semanas e transformar a rotina dos moradores em um teste de paciência.
O aquecimento do mercado imobiliário revelou um novo gargalo na construção civil. A pressão sobre a cadeia dos elevadores não aparece apenas na fabricação dos equipamentos, mas também na capacidade de instalá-los, mantê-los e colocá-los de volta em operação rapidamente quando falham. Isso porque a mesma cadeia que abastece os lançamentos imobiliários também precisa manter funcionando os milhões de equipamentos espalhados pelo país.
O desafio para atender à demanda não está em falta de peças, mas no apagão de mão de obra qualificada.
Em São Paulo, onde o mercado imobiliário mantém ritmo elevado de lançamentos, incorporadoras relatam que o elevador deixou de ser apenas um item da obra. Agora, virou uma das primeiras decisões do cronograma. Segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), incorporadores passaram a encomendar o equipamento antes mesmo do início do canteiro, aproximadamente 18 meses antes da conclusão da estrutura, para evitar que a instalação atrase a entrega das chaves.







