Jogo deve parar por um intervalo maior, o que pode prejudicar os jogadores física e psicologicamente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Shakira e Burna Boy cantam na cerimônia de abertura da Copa do Mundo — Foto: Reprodução / Youtube / Caze TV RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 23:31 Final da Copa do Mundo em Nova Jersey terá show de intervalo com Madonna e BTS, mas preocupa especialistas A final da Copa do Mundo em Nova Jersey adota o estilo Super Bowl com um show de intervalo estrelado por Madonna, Shakira e BTS, sob curadoria de Chris Martin. A FIFA pretende arrecadar US$ 100 milhões para o Fundo Global de Educação. Contudo, o intervalo prolongado pode impactar negativamente os jogadores, afetando o desempenho físico e psicológico, conforme especialistas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO "Disseram que eu voltei americanizada..." cantava Carmen Miranda em 1940, no samba de Luís Peixoto e Vicente Paiva, décadas antes de outro ícone pouco identificado com os Estados Unidos, a Copa do Mundo, aportar por lá, em 1994 -- os Jogos Olímpicos já tinham passado por Los Angeles em 1932, sete anos antes de a Pequena Notável aportar na Cidade dos Anjos. Em 1994, quando o 4 de julho foi marcado pela derrota dos ianques (na lendária seleção de Alexi Lalas, Marcelo Balboa e Tony Meola, cheia de estrangeiros comandados por Bora Milutinovic, antes de isso ser modinha), a Copa teve pouco impacto na terra do futebol americano, do beisebol e do basquete. Três décadas depois, a liga americana (MLS) é uma realidade, com Lionel Messi, Luis Suárez e outros craques, e o esporte, segundo pesquisas, é o terceiro mais popular do país, à frente do beisebol e atrás apenas do football e do basquete. Seria de se esperar, então, que alguma contrapartida aparecesse: já que o futebol chegou aos Estados Unidos, será que os Estados Unidos chegaram ao futebol? Depois da parada para hidratação (e instruções, e comerciais), a cerimônia de encerramento da Copa, hoje à tarde, em Nova Jersey, terá mais uma prova de que sim, a Copa voltou americanizada. Astros do pop mundial fazendo aquele playback esperto estão em todas as competições e modalidades, mas normalmente antes dos jogos -- hoje, a partir das 14h30, o ator Tom Cruise encara a missão impossível ao lado da cantora italiana Laura Pausini, do astro pop britânico Robbie Williams, do rapper americano IShowSpeed e de outros (o hino dos EUA fica por conta de Jennifer Hudson). Até aí, a quermesse de sempre. Quando o juiz esloveno Slavko Vinčić apitar o fim o primeiro tempo, no entanto, a Copa do Mundo dará lugar ao Super Bowl. "Pela primeira vez na História, futebol, música e impacto social se unirão, quando o maior espetáculo da Terra atingir seu ápice" -- berra, em típico estilo hollywoodiano, o site oficial da Fifa, ao anunciar o show do intervalo de hoje, em que Madonna, Shakira e o grupo de k-pop BTS se se apresentarão, sob a curadoria do astro britânico Chris Martin, cantor do Coldplay. -- Madonna, Shakira e BTS são ícones globais cuja música transcende fronteiras e gerações, e nós temos o orgulho de dar a eles as boas-vindas ao primeiro show do intervalo da história das finais de Copa do Mundo -- disse ao mesmo site o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o melhor amigo de Donald Trump. O show promoverá o Fundo Global de Educação e Cidadania da Fifa, para o qual a entidade pretende angariar doações da ordem de US$ 100 milhões, dos quais R$ 30 milhões já teriam sido angariados, através da doação de um dólar por ingresso vendido na Copa. Ou seja: Slavko apita e começa a correria, como acontece no Super Bowl, a badalada decisão do futebol americano, que acontece em fevereiro de cada ano. Centenas de voluntários montam um enorme palco a céu aberto, usando o que for possível da tecnologia (como no clássico Super Bowl de 2007, em Miami, quando Prince apareceu em um elevador, vindo do subsolo, tocando sua guitarra, no que é amplamente considerado o melhor show da história do evento) para resolver tudo em 15 minutos. Pois é: além das atrações musicais em si (como Bad Bunny, Rihanna, os Red Hot Chili Peppers, os Rolling Stones e muitos outros), um dos divertimentos é ver como tudo acontece no timing perfeito. "Vamos mostrar o que temos nos próximos 12 minutos", disse Bruce Springsteen em 2009, em Tampa, também na Flórida, antes de tocar quatro músicas e fechar berrando: "Vou para a Disneylândia!". No entanto, a inovação do show desta tarde inclui aumentar o intervalo -- já se falou em 30, em 17, não se sabe quantos minutos oficialmente --, contrariando a regra do futebol (como já aconteceu com pausa para a hidratação, que, na prática, dividiu o jogo em quatro quartos), o que pode, como é comum, prejudicar o espetáculo principal. -- No início da partida, alguns atletas já entram em estado de alerta e foco, mas muitos ainda precisam ativá-lo, o que pode levar de 10 a 20 minutos -- diz Luis Teteo, - preparador físico do beach soccer do Botafogo. -- Com a ampliação para 30 minutos por causa dos shows, esse estado é prejudicado, dificultando o início do segundo tempo. Como consequência, aumentam a desatenção, os erros de passe, de coordenação, de posicionamento e as falhas táticas, impactando negativamente o desempenho dos atletas durante a Copa.Breno Araújo, preparador físico do America, também chama a atenção para o lado físico, além do psicológico. -- Com um intervalo de 30 minutos, pode haver redução da temperatura muscular, da frequência cardíaca e da ativação neuromuscular -- enumera ele. -- Isso faz com que os jogadores iniciem o segundo tempo com menor capacidade para sprints, acelerações e mudanças rápidas de direção, além de maior rigidez muscular. Essa alteração pode reduzir o desempenho físico e aumentar o risco de lesões musculares. Ou seja: com a competência usada no Super Bowl mais uma música de Madonna, uma de Shakira e uma do BTS (dá tempo até de um featzinho de todos no fim), o intervalo poderia ter os 15 minutos que determina a regra. As aparições dos personagens fofos do Muppet Show e da Vila Sésamo, também esperadas (e que nada dirão a quem tem menos de 40 anos) poderiam ficar para outra hora.