Luis Manuel Otero Alcántara era um dos líderes do Movimento San Isidro, formado por artistas e intelectuais contrários ao regime em Havana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Artista dissidente cubano Luis Manuel Otero Alcántara — Foto: AFPTV / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/07/2026 - 20:04 Dissidente cubano Luis Otero Alcántara chega aos EUA após prisão O artista cubano dissidente Luis Manuel Otero Alcántara chegou aos EUA após obter visto e autorização para deixar Cuba. Líder do Movimento San Isidro, Otero enfrentou cinco anos de prisão por suas performances críticas ao regime cubano. Sua libertação é celebrada pelo governo Trump, que reforça a pressão sobre Cuba para libertar presos políticos e promover reformas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O artista dissidente cubano Luis Manuel Otero Alcántara chegou neste sábado aos EUA, um dia depois de receber o visto americano e a autorização para deixar o país. Otero é um dos líderes do chamado Movimento San Isidro, formado por artistas e intelectuais contrários aos governantes em Havana. Ao celebrar a libertação, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, pediu que Cuba liberte todos os presos políticos, em mais um elemento da pressão exercida por Washington sobre o país. "Depois de cinco anos de encarceramento injusto, o artista cubano Luis Manuel Otero Alcántara foi finalmente libertado, embora em troca de sua saída definitiva da ilha", diz uma publicação em sua página no Facebook, administrada por aliados. Artista plástico autodidata, Otero se lançou à fama e à arena política cubana em 2018, quando ajudou a fundar, ao lado de outros artistas e intelectuais, o Movimento San Isidro, voltado inicialmente a questionar as restrições ao meio cultural, mas que se tornou uma ferramenta de enfrentamento ao regime. Em um dos atos mais conhecidos e polêmicos, Otero realizou um striptease para questionar a falta de privacidade na internet local. Em 2020, se juntou a outros 12 ativistas para protestar contra a prisão de um rapper, um episódio que terminou com uma invasão da polícia no local. No ano seguinte, foi preso pelas autoridades quando se preparava para ir às ruas ao lado de outros milhares de manifestantes, em um dos maiores protestos contra o regime em anos. Em 2022, um tribunal o condenou a cinco anos de prisão por desrespeito aos símbolos pátrios, desacato e desordem pública: um fato determinante para o processo foi uma de suas performances, “Drapeau”, na qual desempenhou atividades cotidianas, inclusive tomar banho, envolto na bandeira cubana. — Para mim, existe uma linha tênue entre arte e ativismo, entre arte e política. Sempre acreditei que a arte carrega uma responsabilidade cívica e política — disse em entrevista ao blog Shoutsmusic, em 2020. Considerado um preso de consciência pela Anistia Internacional e um agente desestabilizador a serviço dos Estados Unidos por Havana, Otero não parou de trabalhar no período em que esteve preso. "Acho que o Estado sabe que, se eu não pudesse fazer arte, eu morreria, e é por isso que os guardas me deixam fazê-lo — para que eu não me torne um mártir", declarou em abril, em uma carta publicada pelo New York Times. Em 7 de julho, dois dias antes da finalização oficial de sua pena, Otero Alcántara foi transferido da prisão para um imóvel da Segurança do Estado, onde permaneceu cerca de 10 dias. De acordo com a nota publicada no Facebook, na sexta-feira ele conseguiu um visto para os Estados Unidos, e embarcou para Miami neste sábado. "Foi um caminho que se impôs como a única forma de que pudesse recuperar sua liberdade neste momento", acrescenta a nota. "Ao chegar a Miami, seu primeiro desejo é visitar a Ermida da Caridade e deixar uma oferenda em ação de graças." A libertação e o exílio do artista plástico ocorre em meio a um processo de reformas internas e intensa pressão política, militar e, especialmente, econômica dos Estados Unidos sobre Havana. O corte nas importações de petróleo agravou as deficiências energéticas, e a Casa Branca não esconde o desejo de ver novas lideranças no país. Ao saudar a chegada de Otero a Miami, Marco Rubio disse que “seu único ‘crime’ foi recusar-se a permanecer em silêncio e usar sua arte para exigir as liberdades básicas que têm sido negadas aos cubanos comuns há quase sete décadas”, e que “o Movimento San Isidro, que ele ajudou a construir, foi um farol de esperança para uma geração de cubanos que se recusaram a viver sob a tirania”. “O medo que o regime tem de que os cubanos comuns digam a verdade sobre viver sob o comunismo e a repressão constante ficou evidente em sua covardia ao prender Otero Alcántara. Por ousar imaginar uma Cuba livre, ele foi hostilizado, detido e preso repetidas vezes; hoje, porém, vive no exílio”, acrescenta o comunicado. Rubio termina o texto afirmando que seu governo “permanece comprometido com a busca do povo cubano por liberdade frente à tirania e com o apoio à democracia, à prosperidade e às liberdades fundamentais”, e exige a libertação “dos mais de 700 presos políticos”. “A comunidade internacional deve deixar de fechar os olhos para as violações de direitos humanos cometidas pelo regime cubano e unir-se a nós para exigir o fim de sua repressão”, conclui. (Com AFP)