Basta digitar "síndrome de Down" na busca do TikTok para o resultado entregar uma sequência de vídeos criados com IA que sexualizam ou ridicularizam mulheres com a condição. O mesmo ocorre com pesquisas relacionadas a autismo e nanismo, também no X e no Instagram.

Em muitos casos, os perfis direcionam usuários para grupos no Telegram e páginas de venda de conteúdo adulto. E lá as mulheres não têm a deficiência que diziam ter —nos vídeos alterados com IA, elas exploram a condição como estratégia de atração e diferenciação comercial. Em alguns casos, o conteúdo adulto nem sequer existe, e os links funcionam apenas como isca para aplicar golpes.

A prática foi identificada em um levantamento do DesinfoPop (Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas), da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Para especialistas, o principal efeito desse tipo de conteúdo recai sobre as pessoas com deficiência. Ao transformar essas condições em fetiche ou ridicularizá-las, as publicações tendem a reforçar o capacitismo, naturalizar a objetificação e provocar prejuízos emocionais e psicológicos.

Procurado, o TikTok afirmou que o conteúdo encaminhado pela reportagem foi removido por violar suas diretrizes, que proíbem publicações que degradem indivíduos em razão de aparência, inteligência ou condição médica. Disse, ainda, que seu sistema de moderação atua continuamente e que, no quarto trimestre de 2025, removeu de forma proativa 99,1% dos conteúdos que violaram suas políticas.