Neymar encontra Neymar como um dia Borges encontrou Borges 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gol de Neymar em Brasil x México na Copa do Mundo de 2018 — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 18:53 Videomeme com Neymar usa IA para explorar passado e futuro Um videomeme criado por um brasileiro, usando IA, apresenta várias versões de Neymar, inclusive uma segurando a taça de 2030, ecoando o encontro literário entre Borges jovem e velho em seu conto "O Outro". O fenômeno de avatares de diferentes idades também se reflete na trajetória de Messi, marcada por coincidências quase sobrenaturais. A narrativa sugere que o presente é um sonho a ser aceito, evocando uma conexão entre passado e futuro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O videomeme foi criado com IA por um brasileiro — e traz várias versões de Neymar numa dessas esquinas do espaço-tempo. Neymar criança conversa com vários Neymares sobre sua carreira. Os bons momentos, a tristeza das Copas... até que chega um último Neymar de óculos escuros. A câmera desce e revela: ele traz na mão a taça de 2030. Soou bonito até para quem não gosta do craque. Depois vieram os vídeos irônicos (Ney gordo, Ney pagodeiro, Jorge Jesus finalizando Ney etc), Cristiano Ronaldo com Cristianinho, mini-Messi. O encontro de avatares de idades variadas é frequente na literatura e não é surpresa que seja reciclado pelas novas ferramentas. Um dos exemplos mais famosos é uma preciosidade argentina: “O Outro”, de Jorge Luis Borges. O conto descreve um encontro peculiar. O escritor, de 69 anos, está sentado num banco na margem do rio Charles, em Cambridge, nos EUA, quando percebe que alguém se sentou ao seu lado. É um rapaz de 18 anos... que assovia uma canção familiar. Borges reconhece a melodia e deduz que o rapaz é ele mesmo, 51 anos mais jovem. O Borges jovem está em Genebra — e o rio que corre ali é o Ródano. O banco está ao mesmo tempo nos Estados Unidos e na Suíça, em 1918 e em 1969. Os dois travam um longo diálogo que oscila entre o belo e o absurdo. Trocam moedas e citações. Borges, o narrador, anota: “Éramos demasiado diferentes e demasiado parecidos. Cada um de nós dois era o arremedo caricaturesco do outro. O sobrenatural, se ocorre duas vezes, deixa de ser aterrador”. Fiquei pensando em quão argentina soava essa frase — e como ela poderia ilustrar a trajetória de Lionel Messi e de sua seleção nesta Copa. Uma trajetória que, por si só, já deveria apavorar os céticos que teimam em acreditar em explicações mundanas. Três vitórias absolutamente improváveis, duas viradas épicas nos minutos finais e de repente, não mais que de repente, Messi chega à sua terceira final em seis mundiais. Isso bastaria para sugerir que forças outras trabalham neste jogo. Mas há mais. Há a foto tirada 19 anos atrás. A foto em que Messi, aos 20 anos, dá banho no bebê Lamine Yamal. A final é no dia 19. Lamine tem 19 anos recém-completos e usa o número 19. De quantas coincidências se faz uma irrealidade? Quantos arquétipos cabem na mesma fotografia? O mestre encontra o pupilo, a tocha é entregue, a água transmite dons... mas a melhor analogia é a do gênio encontrando seu outro. O outro que ele ainda não é — mas de algum modo será. Messi encontra Lamine como a Argentina encontra a Espanha como Borges encontra Borges. O epílogo épico, o novo livro. O futuro, o passado. Seja qual for a história escrita no presente... ela soará fantástica — na acepção do adjetivo. Não deve nos escapar a ironia de que a foto do banho foi produzida para um marcador de tempo — um calendário. O Borges de 69 anos diz ao Borges de 18: — Se esta manhã e este encontro são sonhos, cada um de nós dois tem que pensar que o sonhador é ele. Talvez deixemos de sonhar, talvez não. Nossa evidente obrigação, enquanto isto, é aceitar o sonho como aceitamos o universo... O jovem responde com uma pergunta: — E se o sonho durasse?
O outro, o mesmo
Neymar encontra Neymar como um dia Borges encontrou Borges
710 words~3 min read







