Valor se refere a investimentos em dois fundos da instituição liquidada pelo Banco Central Sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) protocolou três ações judiciais contra a Master Corretora, em liquidação extrajudicial, e gestoras de fundos de investimento para apurar perdas sofridas em investimentos do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio. O cálculo é que as perdas cheguem a R$ 641,4 milhões aplicados em fundos administrados pelo conglomerado Master, liquidado pelo Banco Central. As ações se retringem a aportes do Rioprevidência em dois fundos do Master, o Revolution e o Texas I FIA. Segundo documentos da PGE, no Revolution, que tem patrimônio atual de R$ 567,8 milhões, a aplicação foi de R$ 481,4 milhões. A carteira é classificada como "sob sigilo" e composta majoritariamente por ativos de crédito privado com remuneração de até 180% do CDI. Os procuradores consideram a taxa "economicamente anômala". No Texas I FIA, a aplicação inicial de R$ 150 milhões se desvalorizou para R$ 14,8 milhões. Conforme a PGE, “o fundo concentrou 96% de sua carteira em ações da Ambipar (AMBP3), e manteve tal concentração mesmo após controvérsia regulatória na CVM.” A perda do Texas I FIA está relacionada a uma "compra coordenada" envolvendo as ações da Ambipar, de acordo com a procuradoria, que aponta que, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM, também investigada na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, teria comprado maciçamente os papéis por meio de fundos, inflando artificialmente seu preço. "O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento", afirma a petição. Já a gestora do Revolution, diz a PGE, votou favoravelmente, em nome do fundo, a alterações no regulamento de um fundo investido (FIDC Eicon) que prejudicaram diretamente os cotistas, como renúncia a direitos de voto e o aumento em 48 meses do prazo de amortização do investimento. O Rioprevidência detém 10,7% do fundo. A PGE ajuizou três medidas nesta quinta-feira (16). Um pedido de tutela cautelar é para que o Master não impeça o resgate de R$ 481 milhões solicitado pelo Rioprevidência, com previsão de pagamento para 17 de agosto. Requer ainda o arresto de bens da gestora do Revolution e de diretores. Outro pedido de tutela cautelar pede a indisponibilidade de bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues, além da apresentação de auditoria independente sobre a situação do Texas I FIA. Já a Ação de Exibição de Documentos pede obtenção de informações que tramitam em segredo de Justiça. No caso do Texas I, o sistema da CVM indica ausência de informações nos últimos 360 dias. "Essa assimetria de informações persiste até hoje, após a carteira do 'Fundo Texas I FIA' ter se tornado invisível, o que prejudica sobremaneira a própria precificação segura do prejuízo experimentado pelo Estado", argumentam os procuradores. A PGE pede ainda bloqueio de ativos, indisponibilidade de imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e até criptomoedas dos envolvidos. A procuradoria solicita judicialmente que as medidas sejam concedidas em caráter liminar, ou seja, sem prévia oitiva dos acusados.
Procuradoria-Geral do Rio ajuíza três ações por perdas de R$ 641 milhões do Rioprevidência com Master
Valor se refere a investimentos em dois fundos da instituição liquidada pelo Banco Central






