Auditoria da nova gestão no estado constatou que nenhum vigilante atuava armado, apesar de o serviço ser contratado nessa modalidade, entre outras suspeitas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 rioridade nas obras de 10 rodovias sob responsabilidade do DER. Na foto o viaduto Santa Rita, na RJ 111, com comprometimento estrutural, com risco iminente de agravamento dos danos, representando perigo para veículos e pedestres — Foto: Guito Moreto/ O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 12:33 Auditoria do DER-RJ revela contrato irregular de vigilância armada sem armas Uma auditoria da nova gestão do DER-RJ revelou inconsistências em um contrato de R$ 14 milhões para vigilância armada, onde vigilantes não usavam armas. A investigação, parte de um pente-fino liderado pela coronel Gabryela Reis Dantas, expõe a falta de recursos para manutenção básica e revela um cenário de abandono nas rodovias estaduais. Prioridades emergenciais foram definidas, mas dependem de crédito suplementar. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um contrato de R$ 14 milhões por ano para vigilância armada na sede do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, e em 20 residências (canteiros com as subsedes) oficiais do órgão espalhadas pelo estado entrou na mira da nova gestão após uma auditoria apontar uma série de inconsistências. Embora o serviço seja contratado como vigilância armada — modalidade mais cara —, a inspeção constatou que nenhum dos vigilantes trabalha com armas. Os auditores também verificaram que a própria sede da autarquia sequer possui cofre para armazenar armamentos, estrutura indispensável para esse tipo de serviço. O contrato é um dos que estão sendo revisados pela corregedoria criada pela nova administração do DER, formada por servidores de carreira, engenheiros da Defesa Civil estadual e policiais militares oriundos da Corregedoria Interna da PM. Segundo a auditoria, os vigilantes prestam serviços tanto na sede do órgão quanto nas 20 residências oficiais mantidas pelo DER em diferentes regiões do estado. A ausência de armamento, porém, levanta dúvidas sobre a justificativa para o custo do contrato. A revisão faz parte de um pente-fino determinado pela presidente do DER, coronel Gabryela Reis Dantas, que assumiu o comando da autarquia em junho. Além da análise dos contratos, a nova gestão afirma ter iniciado uma série de medidas para reduzir despesas, como a devolução de parte da frota alugada, o corte de celulares corporativos e a extinção de um cartão corporativo que tinha limite de R$ 20 mil e ficava à disposição de um ex-diretor. Além das suspeitas de benesses, a nova gestão do DER afirma ter encontrado um órgão sem recursos para manter a conservação básica das estradas estaduais. Apesar de o orçamento atual do departamento girar em torno de R$ 718 milhões, o caixa não seria suficiente para custear serviços como tapa-buracos e capina. Segundo a administração, processos para esse tipo de manutenção não são abertos há mais de três anos. Nos corredores do órgão, a avaliação é de que a gestão anterior deixou um "buraco sem fundo". Em abril, O GLOBO revelou que, em menos de um mês, o departamento lançou nove contratos que somavam R$ 418,5 milhões.Seis deles foram classificados como emergenciais e dispensavam licitação prévia: três para intervenções em encostas de rodovias estaduais e outros três para obras de pavimentação na Região Metropolitana e no interior do estado. Na época, o órgão era presidido pelo engenheiro Pedro Henrique de Oliveira Ramos e vivia uma disputa política. Com a saída de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj e a ascensão de Guilherme Delaroli ao comando da Casa, a indicação de obras e de cargos no DER passou a ser atribuída ao novo presidente da Assembleia. Logo depois, o governador em exercício, Ricardo Couto, anunciou a devassa no órgão. Cenário de abandono O retrato encontrado nas rodovias estaduais pela nova gestão não foi nada animador. Vistorias realizadas por engenheiros de carreira do DER e da Defesa Civil estadual identificaram cerca de 40 intervenções consideradas emergenciais. Diante da falta de recursos, a equipe elegeu dez obras como prioridade por apresentarem "elevado grau de risco" e potencial de comprometer a segurança da população. A relação foi entregue nesta semana ao governador em exercício Ricardo Couto e depende da liberação de crédito suplementar para sair do papel. Segundo os integrantes da auditoria, os técnicos adotaram dois critérios para definir a lista: o risco iminente de agravamento dos danos e o número de pessoas que poderiam ser afetadas em caso de colapso da estrutura ou de deslizamento, sobretudo em rodovias de grande circulação. Principais gargalos das estradas sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ). Esses pontos devem passar por obras em breve. RJ 104, São Gonçalo, comprometimento da estrutura. — Foto: Fabiano Rocha/ O GLOBO No topo da relação está o Viaduto de Alcântara, na RJ-104, em São Gonçalo. Em documento do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), o próprio DER registrou, ainda em setembro de 2024, que a estrutura apresentava "péssimo estado de conservação", com deterioração severa dos guarda-corpos, desplacamento do concreto e corrosão das armaduras. A vistoria também apontou infiltrações na parte inferior do viaduto, com armaduras expostas e risco de curto-circuito devido às instalações elétricas e de iluminação do terminal rodoviário que funciona sob a estrutura. Dois anos depois, segundo a nova inspeção, a situação permanece praticamente inalterada. A recuperação do viaduto está estimada em R$ 38,3 milhões. Dos dez pontos considerados mais críticos, seis já têm orçamento estimado e somam R$ 155,7 milhões em investimentos. Entre eles estão trechos das rodovias RJ-135, em Rio das Flores, com erosões de bordo e risco de interdição; RJ-142, entre Nova Friburgo e Casimiro de Abreu, onde erosões já ocupam meia pista em seis trechos; RJ-125, em Japeri, com contenções comprometidas e risco de deslizamento; RJ-155, entre Angra dos Reis e Rio Claro; RJ-186, entre Santo Antônio de Pádua e Minas Gerais; e o Viaduto de Santa Rita, na RJ-111, em Nova Iguaçu, também com comprometimento estrutural. Outras três intervenções ainda não têm orçamento definido.
Contrato de R$ 14 milhões do DER-RJ previa vigilância armada, mas seguranças não usavam armas
Auditoria da nova gestão no estado constatou que nenhum vigilante atuava armado, apesar de o serviço ser contratado nessa modalidade, entre outras suspeitas






