Negociações ainda são iniciais e podem ser afetadas pela guerra entre americanos e iranianos; Islamabad teme ser arrastada pelo conflito devido a um pacto de defesa com a Arábia Saudita Imagem aérea da Cidade do Kuwait, capital do país — Foto: Stephanie McGehee/Reuters O Paquistão está negociando a ampliação de um acordo de defesa com o Kuwait em troca de cooperação no setor de energia e investimentos, segundo cinco fontes com conhecimento do assunto, que afirmaram que as conversas ainda estão em um estágio inicial e podem ser complicadas pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Em Islamabad, cresce a preocupação de que o pacto de defesa mútuo firmado com a Arábia Saudita no ano passado possa arrastar o Paquistão para a guerra entre EUA e Irã. Depois que os houthis, aliados ao regime iraniano, lançaram um ataque contra os sauditas na segunda-feira, o Paquistão, potência nuclear, informou a Teerã que trataria qualquer ação contra Riad como um ataque contra si próprio. Um eventual acordo de defesa com o Kuwait, que sofreu intensos ataques iranianos neste ano, também levantaria dúvidas sobre o papel futuro do Paquistão como mediador entre Washington e Teerã. O Kuwait mantém desde 2023 um acordo mais limitado de defesa com o Paquistão, voltado para treinamento militar e exercícios conjuntos. Agora, o país busca um compromisso de segurança semelhante ao firmado entre Islamabad e Riad, incluindo "milhares de soldados paquistaneses em solo kuwaitiano, caças, drones, um sistema de defesa aérea e outras estruturas relacionadas à defesa", afirmou uma autoridade do governo paquistanês. Ainda não está claro se o Paquistão está disposto a ir tão longe, já que o acordo com a Arábia Saudita foi resultado de uma aliança estreita construída ao longo de décadas. "A lista de desejos do Kuwait inclui praticamente tudo", disse uma autoridade de segurança paquistanesa com conhecimento das negociações. "Mas quero deixar uma coisa clara: não estamos considerando e não podemos considerar, neste momento, o envio de tropas de combate." Uma fonte do Oriente Médio confirmou que o Kuwait mantém conversas com o Paquistão, inclusive sobre aquisição de equipamentos militares, mas afirmou que "não está claro se isso resultará, de fato, em um pacto de defesa". A Reuters ouviu quatro fontes paquistanesas e uma fonte do Oriente Médio. Nenhuma delas estava autorizada a falar oficialmente. A assessoria de imprensa das Forças Armadas do Paquistão e o Ministério da Informação do Kuwait não responderam aos pedidos de comentário. Ao longo do último ano, o Paquistão e os países do Golfo Pérsico passaram a ver vantagens em estabelecer novos pactos regionais de defesa. O governo do Paquistão mantém um grande contingente militar e fabrica seus próprios caças de combate. Isso fez do país uma possível alternativa — ou complemento — à proteção oferecida pelos Estados Unidos, em um momento em que os países do Golfo demonstram crescente desconfiança quanto à confiabilidade de Washington como aliado. O Paquistão é visto pelo Kuwait como uma opção segura, afirmou uma fonte do Oriente Médio familiarizada com o planejamento de segurança do emirado. "Eles já têm uma parceria com a Arábia Saudita, possuem uma longa tradição no desenvolvimento de capacidades de defesa, são um país muçulmano sunita e mantêm boas relações com os americanos. Portanto, essa opção é menos sensível do que outras", disse a fonte. Turquia, Paquistão e Arábia Saudita também trabalham na elaboração de um projeto de acordo de defesa mútua, separado do tratado bilateral já existente entre Islamabad e Riad. Paralelamente, o Bahrein demonstrou interesse em um pacto semelhante, segundo uma fonte, enquanto a Jordânia manifestou interesse em um acordo para compra de armamentos e cooperação em treinamento militar, disseram três fontes. Petróleo em troca de proteção O Paquistão vê os acordos de defesa com países vizinhos como uma forma de atrair investimentos de que necessita com urgência. No possível acordo com o Kuwait, Islamabad pretende obter cooperação na área de segurança energética, dentro de uma estratégia mais ampla do Ministério da Energia para ampliar as reservas de petróleo e combustíveis do país. O Kuwait estuda criar um depósito alfandegado de combustíveis no Paquistão, ampliando um acordo já existente de fornecimento de diesel entre os dois governos, afirmou uma fonte paquistanesa com conhecimento das negociações. Segundo duas fontes, essas ofertas podem ser suficientemente atraentes para levar a liderança paquistanesa a avançar com um acordo de defesa mais abrangente. Elas acrescentaram que as negociações devem ganhar ritmo assim que diminuírem as tensões entre Estados Unidos e Irã. Analistas, porém, alertam que essa expectativa pode ser otimista demais. "O Paquistão precisa estar atento aos riscos de assumir compromissos além de sua capacidade", afirmou Muhammad Faisal, pesquisador especializado em Sul da Ásia na Universidade de Tecnologia de Sydney.
Sob ataques do Irã, Kuwait negocia ampliar de acordo de defesa com o Paquistão
Negociações ainda são iniciais e podem ser afetadas pela guerra entre americanos e iranianos; Islamabad teme ser arrastada pelo conflito devido a um pacto de defesa com a Arábia Saudita









