O presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella, prevê abrir uma embaixada em Jerusalém para retomar e estreitar os laços com Israel, segundo anúncio de seu gabinete nesta quinta-feira (16). Em 2024, o presidente progresssita Gustavo Petro rompeu relações com Israel, aliado tradicional na área da segurança, em repúdio à ofensiva israelense em Gaza. Espriella, que assumirá o cargo em 7 de agosto, pretende restabelecê-las já no seu primeiro dia de seu mandato. Seu gabinete informou, nesta quinta, que o novo governo avança na "abertura da Embaixada da Colômbia em Jerusalém, capital de Israel". 🔍 A localização das embaixadas estrangeiras em Israel é uma das principais questões diplomáticas ligadas ao conflito com a Palestina. Israel considera Jerusalém sua capital e concentra na cidade a sede do governo, do Parlamento e da Suprema Corte. Já os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino. Antes da ruptura ordenada por Petro, a embaixada da Colômbia ficava em Tel Aviv, onde a maioria dos países tem sua representação diplomática. Petro manifestou em seguida sua intenção de abrir uma representação diplomática em Ramallah, na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel, mas o projeto acabou não se concretizando. "Abelardo, você se torna" um "cúmplice de genocídio e seus colaboradores se sujam de sangue de inocentes", disse o presidente de esquerda na rede social X após o anúncio de seu sucessor. LEIA TAMBÉM 🔍 Como o status da cidade permanece em disputa, a maior parte da comunidade internacional defende que a questão seja resolvida por meio de negociações. A maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, principal centro financeiro e diplomático de Israel, a fim de não tomar lado na disputa. Na quarta (15), o chanceler designado por De la Espriella, Omar Bula, se reuniu em Washington com seu homólogo israelense, Gideon Sa'ar. Os diplomatas acordaram "um mapa do caminho" para o restabelecimento das relações diplomáticas e a eliminação de vistos, segundo o gabinete do presidente eleito. Também informou que a Colômbia vai retirar seu apoio no caso promovido pela África do Sul contra Israel perante a Corte Internacional de Justiça por suposto genocídio em Gaza. Petro apoiou esta denúncia, freou as exportações de carvão para Israel e deteve a compra de armamento israelense. "A relação histórica que o Governo Petro rompeu de forma unilateral voltará a se fortalecer", diz o comunicado.