A Operação Disclosure, da Polícia Federal, de busca e apreensão em endereços dos acionistas controladores da Lojas Americanas, Carlos Alberto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e o bloqueio, pela Justiça do Rio de Janeiro, de bens e valores em nome de investigados até o limite de 54 bilhões de reais, recolocaram na ordem do dia um aspecto da investigação que havia sido relegado a segundo plano. A trilha da PF converge com um conjunto de ações na Comissão de Valores Mobiliários, em defesa do ex-presidente Miguel Gutierrez, acusado de ser o principal responsável, ao lado de outros 12 ex-executivos, por supostas irregularidades que levaram à maior fraude privada da história brasileira.

As ações na CVM buscam uma reviravolta completa no caso. Manipulação de fatos relevantes, compra de testemunhas a peso de ouro, manobras contábeis e versões falsas, cuidadosamente articuladas, foram, segundo os advogados de Gutierrez, do escritório Vieira Rezende Advogados, utilizadas pela empresa para desviar a atenção, inverter papéis e inocentar de antemão Lemann, Sicupira e Marcel Telles, sócios na 3G e controladores da Americanas, conhecidos por suas incursões polêmicas no mercado de capitais nacional e internacional. De acordo com os defensores, a rede de mentiras se prestou a camuflar a motivação original do trio, a busca de um bode expiatório para levar a culpa por um grande fracasso estratégico e elevado endividamento, provocado pelo desmoronamento, no meio do caminho, do projeto de fazer do grupo Americanas uma Amazon ao Sul do Equador. “O conselho e os controladores nunca foram investigados. Parecia que aquela companhia era um feudo do Miguel Gutierrez, que ele mandava e desmandava. Para quem conhece uma companhia controlada pelo 3G, isso não é verossímil”, afirma o advogado Paulo Vieira, sócio fundador do escritório Vieira Rezende Advogados. “Sempre dissemos que a companhia também tinha uma forte influência dos seus controladores, inclusive no dia a dia, por meio da empresa deles, a LTS.”