Nova regra restringe vistos estudantis a quatro anos e reduz prazo para correspondentes estrangeiros; medida pode entrar em vigor em setembro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca — Foto: Samuel Corum/Sipa/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 15:57 EUA impõem novas restrições a vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros Os EUA anunciaram restrições no tempo de permanência de estudantes e jornalistas estrangeiros, como parte da política migratória de Donald Trump. Vistos estudantis serão limitados a quatro anos, enquanto jornalistas terão 240 dias, com possibilidade de extensão. A medida, que pode vigorar em setembro, enfrenta críticas por impactar a cobertura midiática e a presença de estudantes internacionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos decidiram restringir o tempo de permanência legal de estudantes e jornalistas estrangeiros no país por meio de mudanças nas regras de concessão de vistos, segundo um documento administrativo publicado nesta quinta-feira, em um novo endurecimento da política migratória do presidente americano, Donald Trump. Se não for bloqueada pelo Congresso, a medida entrará em vigor em setembro. Segundo a nova normativa, os estrangeiros que tiverem visto de estudante não poderão permanecer mais que quatro anos no território americano. A estadia para jornalistas estrangeiros será limitada a 240 dias, cerca de oito meses, embora seja possível solicitar prorrogações por períodos equivalentes. Já os jornalistas chineses estarão sujeitos a regras ainda mais restritivas, com vistos de no máximo 90 dias. Em carta aberta, uma centena de veículos de imprensa e organizações noticiosas internacionais, entre elas a AFP, consideraram que a medida "reduziria a quantidade e a qualidade da cobertura" da atualidade americana. O Partido Republicano de Trump, que prometeu pôr fim à imigração ilegal e limitar a legal, é majoritário no Congresso. Até agora, os EUA concediam vistos pela duração do programa de estudos para os estudantes e de até cinco anos para jornalistas. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) recebeu cerca de 22 mil comentários públicos quando propôs as normas para estudantes e jornalistas em agosto de 2025, mas fez poucas alterações no texto final. O DHS argumentou, à época, que alguns estrangeiros prolongavam indefinidamente seus estudos para permanecer no país como "estudantes eternos". Segundo o órgão, o sistema de permanência por prazo indeterminado, em vigor desde o fim da década de 1970, dificultava a fiscalização dos beneficiários dos vistos. Os EUA receberam mais de 1,1 milhão de estudantes internacionais no ano acadêmico 2023-2024, mais que qualquer outro país. Em 2023, eles aportaram à economia americana mais de US$ 50 bilhões (R$ 242 bilhões, na cotação da época), segundo dados oficiais. As associações de educação superior tinham denunciado a proposta de limitar as estadias de estrangeiros como um obstáculo burocrático desnecessário que dissuadiria estudantes talentosos. As universidades já informaram sobre uma redução nas matrículas internacionais, após medidas anteriores do governo Trump, entre elas a revogação de milhares de vistos de estudantes e a suspensão de bilhões de dólares em financiamento federal para pesquisas. Grupos de imprensa e outras entidades internacionais, inclusive a embaixada do Japão, instaram o DHS a permitir períodos de admissão entre dois e cinco anos para os correspondentes estrangeiros nos EUA. O departamento rejeitou estas propostas, assim como a solicitação de uma tramitação rápida e com tarifas reduzidas para jornalistas. Trump já havia proposto restrições semelhantes no fim de seu primeiro mandato (2017-2021), mas a iniciativa foi descartada por seu sucessor, o democrata Joe Biden.