Durante a comemoração após a partida da qual saíram vitoriosos, jogadores argentinos ergueram uma faixa com a frase 'Las Malvinas son Argentinas' O argentino Giovani Lo Celso segura uma faixa com a frase 'As Malvinas são argentinas' ao lado do companheiro Nicolás Otamendi após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, na quarta-feira, 15 de julho de 2026, em Atlanta — Foto: AP/Rebecca Blackwell O governo britânico pediu nesta quinta-feira que a Fifa investigue a seleção da Argentina depois que jogadores posaram com uma faixa reivindicando a soberania sobre as disputadas Ilhas Malvinas. A Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo disputada na quarta-feira, em Atlanta. Durante a comemoração após a partida, jogadores argentinos ergueram uma faixa entregue por torcedores nas arquibancadas com a frase "Las Malvinas son Argentinas". A Argentina se refere às Ilhas Falkland, como é conhecida pelos britânicos, como Ilhas Malvinas. O arquipélago foi invadido em 1982 por ordem da então ditadura militar argentina, dando início a uma guerra de dez semanas vencida pelo Reino Unido. O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, classificou a atitude dos jogadores como "totalmente inadequada". "Espero que a Fifa conduza sua investigação de forma rigorosa", afirmou. A Fifa pode abrir processo contra os jogadores e a Associação do Futebol Argentino porque seu Código Disciplinar proíbe, nos estádios, qualquer "mensagem que não seja apropriada para um evento esportivo", incluindo manifestações de natureza "política, ideológica, religiosa ou ofensiva". As multas previstas pela Fifa para mensagens de caráter político variam de US$ 5 mil a US$ 20 mil. A entidade foi procurada para comentar o caso, mas ainda não havia respondido. Sob a administração anterior da Fifa, um caso semelhante levou à suspensão do sul-coreano Park Jong-woo por duas partidas das Eliminatórias da Copa de 2014. Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, após a vitória da Coreia do Sul sobre o Japão na disputa pelo bronze, o jogador exibiu uma faixa de um torcedor com os dizeres "Dokdo é nosso território", em referência a uma disputa territorial entre os dois países. Na quarta-feira, o defensor argentino Lisandro Martínez foi questionado se a faixa poderia ter despertado fortes emoções em veteranos da Guerra das Malvinas. "Não podíamos decepcionar o povo argentino", respondeu Martínez, que atua há quatro anos na Inglaterra pelo Manchester United. Rivalidade entre Argentina e Inglaterra A rivalidade esportiva entre os dois países é intensificada pelas tensões políticas em torno do arquipélago no Atlântico Sul. As ilhas são um território ultramarino britânico, com cerca de 3.500 habitantes, localizado a aproximadamente 13 mil quilômetros do Reino Unido e 480 quilômetros da costa argentina. A Argentina sustenta que as ilhas lhe foram tomadas ilegalmente em 1833. O Reino Unido afirma que sua reivindicação territorial remonta a 1765 e que enviou um navio de guerra ao arquipélago em 1833 para expulsar forças argentinas que tentavam estabelecer soberania sobre o território. A guerra de 1982 deixou 649 militares argentinos mortos, além de 255 militares britânicos e três moradores das ilhas. O conflito ocorreu durante a Copa do Mundo de 1982, disputada na Espanha, da qual participaram Argentina, Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte. Redes de televisão britânicas decidiram não transmitir a estreia da Argentina no torneio, quando a então campeã mundial foi derrotada pela Bélgica. "Infelizmente, essa é uma parte triste da nossa história", disse o meio-campista argentino Leandro Paredes em Atlanta. "Para todos os envolvidos naquele capítulo da nossa história. E dói. Sabíamos que também estávamos jogando por eles." Torcedores da Argentina seguram uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas” após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, na quarta-feira, 15 de julho de 2026, em Atlanta — Foto: AP/Rebecca Blackwell Política no futebol Peter Kyle afirmou à BBC que "a política precisa permanecer separada do futebol". "Aliás, um dos princípios fundamentais da Copa do Mundo é justamente separar política e futebol. Agora, essa é uma questão para a Fifa", declarou. A alegada neutralidade política da Fifa tem sido questionada nesta Copa do Mundo depois que seu presidente, Gianni Infantino, e o processo disciplinar da entidade — que agora poderá julgar a Argentina — pareceram ceder à pressão do presidente americano Donald Trump ao permitir que o atacante Folarin Balogun atuasse pelos Estados Unidos contra a Bélgica nas oitavas de final. Balogun havia sido expulso na partida anterior e, pelas regras disciplinares da Fifa, deveria cumprir suspensão automática no jogo seguinte. A entidade, porém, adiou a punição por um ano em regime probatório, decisão que provocou uma das maiores controvérsias da história recente das Copas do Mundo. A Bélgica venceu os Estados Unidos por 4 a 1 e avançou às quartas de final. A expectativa é que Infantino assista à final da Copa, no domingo, ao lado de Trump e do presidente argentino Javier Milei, aliado político do americano. A Argentina enfrentará a Espanha em East Rutherford, Nova Jersey. Casos anteriores Jogadores argentinos já haviam exibido o slogan "Las Malvinas son Argentinas" em um amistoso disputado em Buenos Aires, em junho de 2014, dias antes do início da Copa do Mundo no Brasil. A decisão da Comissão Disciplinar da Fifa foi divulgada somente após o fim do torneio e impôs multa de 30 mil francos suíços (cerca de US$ 37 mil) à federação argentina. No caso dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012, a Fifa afirmou que a conduta do jogador sul-coreano "não pode ser tolerada". Na Copa do Mundo de 2022, a entidade multou a Federação Sérvia em 20 mil francos suíços (cerca de US$ 24,8 mil) por exibir, no vestiário antes da partida contra o Brasil, uma bandeira política sobre Kosovo. A bandeira mostrava um mapa da Sérvia incluindo o território de Kosovo — independente desde 2008 — acompanhado do slogan "Sem rendição".
Reino Unido pede que Fifa investigue Argentina por faixa sobre as Malvinas na Copa do Mundo
Durante a comemoração após a partida da qual saíram vitoriosos, jogadores argentinos ergueram uma faixa com a frase 'Las Malvinas son Argentinas'










