Aeronave da Air China — Foto: Reprodução/Site Air China As três maiores companhias aéreas estatais da China projetam um prejuízo líquido conjunto entre 7,37 bilhões e 8,97 bilhões de yuans (US$ 1,09 bilhão a US$ 1,33 bilhão) no primeiro semestre, ampliando as perdas em relação ao mesmo período de 2025. As empresas atribuem o resultado principalmente à alta dos preços dos combustíveis provocada pelo prolongamento da guerra no Oriente Médio. Em comunicados divulgados na terça-feira (14) às bolsas de Hong Kong e Xangai, China Southern Airlines, Air China e China Eastern Airlines informaram as estimativas. O prejuízo supera os 4,86 bilhões de yuans (US$ 720 milhões)registrados um ano antes e representa uma forte reversão em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando as três companhias somaram lucro líquido de 4,82 bilhões de yuans (US$ 710 milhões). Com isso, as perdas do segundo trimestre ficaram entre 12,2 bilhões (US$ 1,81 bilhão) e 13,8 bilhões de yuans (US$ 2,04 bilhões). A deterioração ocorre apesar de as companhias chinesas terem ampliado os voos para a Europa após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, aproveitando a possibilidade de operar rotas mais curtas sobre a Rússia. Ainda assim, o aumento dos custos com combustível anulou esse benefício. As três empresas — unidades listadas de conglomerados controlados pelo governo central chinês — vêm sofrendo forte pressão com a disparada dos preços do querosene de aviação. A China Southern estimou o maior prejuízo entre as três, entre 3,47 bilhões (US$ 510 milhões) e 3,97 bilhões de yuans (US$ 590 milhões) no primeiro semestre, após perdas de 4,95 bilhões a 5,45 bilhões de yuans (US$ 730 milhões a US$ 810 milhões) no segundo trimestre. Depois de ser a única grande companhia chinesa a registrar lucro líquido em 2025, a empresa afirmou que a volatilidade dos preços do combustível, impulsionada pelas tensões geopolíticas, exerceu forte pressão sobre todo o setor. "Desde março, afetados pela conjuntura geopolítica internacional, os preços do querosene de aviação oscilaram fortemente, exercendo enorme pressão sobre todo o setor", afirmaram, em comunicado, os secretários-gerais da empresa, Chen Wei Hua e Liu Wei. A companhia disse ter reagido rapidamente às mudanças, mas atribuiu o prejuízo a fatores objetivos, como o cenário internacional. Apesar das dificuldades, a China Southern foi a primeira companhia aérea chinesa a anunciar uma compra de aeronaves Boeing após a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim. No fim do mês passado, informou que sua subsidiária China Southern Air Cargo adquirirá cinco cargueiros B777-8F e duas aeronaves B777F, em um negócio avaliado em cerca de US$ 3,61 bilhões a preços de catálogo. A Air China, por sua vez, projeta prejuízo líquido entre 2,1 bilhões de yuans (US$ 310 milhões) e 2,6 bilhões de yuans (US$ 310 milhões) no semestre. Após lucro de 1,71 bilhão de yuans (US$ 250 milhões) no primeiro trimestre, a companhia estima perdas entre 3,81 bilhões e 4,31 bilhões de yuans no segundo (US$ 560 milhões e US$ 640 milhões). Segundo a empresa, os elevados preços do combustível, decorrentes das tensões no Oriente Médio, reduziram significativamente as margens de lucro. A China Eastern prevê prejuízo líquido de 2,4 bilhões de yuans (US$ 360 milhões) no primeiro semestre, depois de perdas superiores a 4 bilhões de yuans (US$ 590 milhões) no segundo trimestre. A empresa também atribuiu o desempenho ao aumento dos custos com combustível, que classificou como um dos principais desafios enfrentados pelo setor. Segundo Parash Jain, chefe global de pesquisa de transporte e logística do HSBC, as perdas das três companhias seriam ainda maiores sem os ganhos cambiais decorrentes da desvalorização do dólar frente ao yuan. Pelas estimativas do banco, elas obtiveram cerca de 1,2 bilhão de yuans (US$ 180 milhões) em ganhos cambiais apenas no segundo trimestre. Como despesas com combustível e aeronaves são, em geral, denominadas em dólares, Jain prevê um terceiro trimestre difícil. Na avaliação do analista, a combinação de demanda mais fraca, tarifas menores e custos elevados com combustível deixa pouco espaço para recuperação das margens no curto prazo. Após acumularem prejuízos na maior parte dos últimos seis anos, as grandes estatais seguem reforçando seu capital com apoio das controladoras. A China Southern recebeu aprovação para captar até 15 bilhões de yuans (US$ 2,22 bilhões) por meio de uma emissão de ações, enquanto a Air China levantou 20 bilhões de yuans (US$ 2,96 bilhões) em junho e anunciou uma injeção de mais de 6 bilhões de yuans (US$ 890 milhões) na subsidiária Shenzhen Airlines, por meio de aeronaves Airbus A350 e recursos em caixa. Enquanto as três maiores companhias enfrentam dificuldades, empresas menores ainda esperam permanecer lucrativas no primeiro semestre, embora com forte queda nos resultados. A China Express Airlines projeta lucro líquido entre 35 milhões (US$ 5,2 milhões) e 50 milhões de yuans (US$ 7,4 milhões), recuo de 80% a 86% em relação ao ano anterior, enquanto a Juneyao Airlines estima lucro entre 140 milhões (US$ 20,7 milhões) e 210 milhões de yuans (US$ 31,1 milhões), queda de 58% a 72%. Para Jain, o cenário justifica a recomendação de "manter" para as ações das três grandes companhias listadas em Hong Kong e Xangai. Em contrapartida, o analista considera a Cathay Pacific uma oportunidade de compra, citando a expectativa de demanda robusta por viagens premium, receitas elevadas com carga e custos mais baixos de combustível no segundo semestre. Embora a Cathay ainda não tenha divulgado sua projeção para o semestre, a companhia deve registrar um ganho contábil de 1,4 bilhão de dólares de Hong Kong (US$ 180 milhões) com a diluição de sua participação na Air China após o recente aumento de capital da companhia chinesa.