Argentino pode conquistar o segundo Mundial aos 39 anos e ampliar um debate que atravessa gerações; para analistas, comparação já deixou de ser exagero, mesmo com trajetórias muito diferentes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lionel Messi comemora segundo gol da Argentina sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo — Foto: Shaun Botterill / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 23:07 Messi aos 39: Possível Segundo Título Mundial e Comparações com Pelé Lionel Messi pode conquistar seu segundo título mundial aos 39 anos, reacendendo comparações com Pelé. Colunistas do GLOBO argumentam que, apesar das trajetórias distintas, ambos já ocupam um patamar elevado na história das Copas. Carlos Eduardo Mansur e Gustavo Poli destacam a longevidade e consistência de Messi, enquanto Marcelo Barreto ressalta a excepcionalidade de sua carreira, comparando-o ao brasileiro. A discussão se assemelha à de Michael Jordan e LeBron James na NBA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Lionel Messi poderá conquistar contra a Espanha o segundo título mundial da carreira e levar ainda mais longe uma comparação que durante décadas pareceu proibida, especialmente no Brasil. Para os colunistas do GLOBO, Pelé e o argentino construíram trajetórias muito diferentes, difíceis de medir com absoluta justiça, mas já ocupam um patamar separado dos demais grandes jogadores da história das Copas. Carlos Eduardo Mansur defende que o debate deixe de ser tratado como uma afronta. “É preciso que deixe de ser tabu no Brasil não a afirmação ou a certeza, mas o direito de entender que Messi pode ter sido o melhor jogador de todos os tempos. E o ‘pode’ existe porque ninguém é capaz de julgar as carreiras dele e de Pelé de forma absolutamente justa.” Para o colunista, a atuação contra a Inglaterra reforçou a dimensão da longevidade do argentino. Aos 39 anos, Messi foi determinante na virada por 2 a 1, mesmo numa semifinal de enorme exigência física. “Ele foi a razão de muita coisa que aconteceu depois do gol inglês. Quando Tuchel montou uma linha de cinco defensores e deixou espaços fora do bloco pelo lado direito, Messi soube explorá-los.” O camisa 10 atraiu três marcadores na jogada do empate, abriu espaço para Enzo Fernández e depois cruzou com a perna direita para o gol de Lautaro Martínez. “Jogou uma semifinal de Copa do Mundo num nível brutal. Por vezes caiu pela direita, por vezes atraiu a marcação e entregou a bola a De Paul. No primeiro gol, liberou Enzo. No segundo, fez o cruzamento. Gênio”, resumiu Mansur. Gustavo Poli lembra que, em caso de título, Messi ultrapassará Diego Maradona em resultados alcançados pela seleção argentina. “Maradona chegou a duas finais, ganhou uma, em 1986, e perdeu outra, em 1990. Messi terá perdido uma, em 2014, e vencido duas, em 2022 e 2026.” Ainda assim, não alcançaria as três conquistas de Pelé, campeão em 1958, 1962 e 1970. Messi beija a taça da Copa do Mundo após a final contra a França em 2022 — Foto: Kirill KUDRYAVTSEV/AFP Poli considera a discussão eterna e, em alguma medida, impossível de solucionar, mas entende que Messi já venceu por ter chegado a esse ponto. “Pelé sempre foi uma unanimidade absoluta, e os brasileiros ironizavam qualquer comparação. Eu vi Maradona em 1986 e asseguro que Messi não alcançou naquela edição o nível de Diego. Mas o currículo de Lionel, sua consistência e sua longevidade, é de outro mundo.” O colunista compara o debate à disputa simbólica entre Michael Jordan e LeBron James na NBA. Jordan venceu as seis finais que disputou, enquanto LeBron acumulou conquistas e derrotas em decisões ao longo de uma carreira mais extensa. “Só de estar na discussão, LeBron já é um vitorioso. Com Messi acontece algo semelhante. Ele entrou no pódio dos três maiores jogadores da história.” Marcelo Barreto acredita que esta Copa consolidará a segunda trajetória verdadeiramente excepcional de um jogador em Mundiais. “Grandes carreiras houve muitas, mas Pelé e Messi estão acima de todos os outros.” O colunista afirma que continuará preferindo o brasileiro, não apenas pela nacionalidade, mas pelo espaço ocupado por ele em seu imaginário de torcedor. “Pelé disputou quatro Copas, esteve em duas finais e ganhou ambas como protagonista, a primeira delas aos 17 anos. Além disso, viu seus companheiros lhe darem mais um título em 1962”, analisou Barreto. Messi precisou de seis participações, mas alcançou três decisões e acumulou recordes individuais ao longo desse percurso. Para Barreto, porém, a conclusão independe do resultado contra a Espanha. “Quando a final terminar, qualquer que seja o placar, quem decidir considerar Messi o maior jogador de todos os tempos não poderá ser acusado de exagero.” Uma segunda conquista diminuiria a distância nos títulos e daria ao argentino um feito extraordinário aos 39 anos, mas a comparação com Pelé já se sustenta pela dimensão de tudo o que os dois produziram.