Ao fim da Copa de 1966, escritor brasileiro e colunista do GLOBO usou poema de Edgar Allan Poe para rogar praga nos ingleses, dizendo que "nunca mais" venceriam um Mundial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Harry Kane após perder para Argentina na semifinal da Copa de 2026 — Foto: Odd Andersen/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 19:21 Maldição de Nelson Rodrigues: Inglaterra segue sem vencer Mundiais Após a Copa de 1966, Nelson Rodrigues lançou uma maldição sobre a Inglaterra, afirmando que nunca mais venceriam um Mundial. A recente derrota da Inglaterra para a Argentina na semifinal da Copa de 2026, onde Messi brilhou, parece reforçar essa profecia. Rodrigues criticou o futebol inglês e a cobertura da imprensa brasileira na época, usando sua acidez característica e referindo-se ao poema "O corvo" de Edgar Allan Poe. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Harry Kane e Jude Bellingham provavelmente não sabem, mas já estava escrito que a Inglaterra não seria campeã da Copa do Mundo de 2026. A seleção europeia chegou a ficar na frente do placar nesta quarta-feira, na semifinal contra a Argentina, mas levou a virada do time de Messi. A verdade é que os súditos do Rei Charles estão sob efeito de uma praga rogada pelo célebre escritor Nelson Rodrigues. Depois de o país britânico conquistar seu único Mundial, em 1966, o dramaturgo brasileiro lançou, em sua coluna diária no GLOBO, uma terrível maldição sobre os ingleses, afirmando que o eles nunca mais venceriam uma Copa. Do jeito que a seleção do técnico Thomas Tuchel se apequenou depois de fazer seu único gol em Atlanta, nesta quarta, parecia até que eles tinham lido o artigo e se intimidaram. Publicado no dia 1º de agosto daquele ano, o texto, na realidade, é uma senhora bronca nos cronistas esportivos do Brasil que foram cobrir o Mundial de 60 anos atrás, disputado na própria Inglaterra. De acordo com Nelson, nossos jornalistas, rendendo-se à "mediocridade" do futebol europeu, escreveram resenhas ao longo do torneio afirmando que o Brasil de Pelé, Tostão e Garrincha, já então consagrado pelas conquistas de 58 e 62, tinha que se espelhar no modelo de jogo inglês, criticado sem nenhuma piedade pelo autor de "Anjo negro" do início ao fim daquela crônica. Rainha Elizabeth II, aos 40 anos, entrega Taça Jules Rimet ao capitão Bobby Moore, em 1966 — Foto: Reprodução Na Copa de 1966, o Brasil nem avançou à segunda fase. Venceu a Bulgária na estreia, mas perdeu para Hungria e Portugal. Pelé foi caçado em campo, apanhou muito, e não entrou no terceiro jogo. Aquele foi o pior resultado da seleção em Copas. Um lapso espremido entre três títulos do país, que voltaria a levantar a Taça Jules Rimet no Estádio Azteca, na Cidade do México, em 1970. A Inglaterra, em 1966, ficou em primeiro lugar no seu grupo, antes de derrotar Argentina e Portugal no "mata mata" para chegar à decisão contra a Alemanha Ocidental. Venceu a final por 4 a 2, com uma bela ajuda do juiz. Em plena prorrogação, com o jogo empatado em 2 a 2, o árbitro deu um gol aos britânicos após um chute de Hurst bater no travessão e quicar na linha da meta alemã. Um mico. Nelson usou sua acidez para criticar aquela que ficou conhecida como a melhor geração do futebol inglês, liderada pelo meia Bobby Charlton. "A grossura, a truculência, a deslealdade ou, numa palavra, o coice nunca foi moderno", escreveu. "É um futebol que se devia jogar de quatro, aos relinchos, aos mugidos; e que também se devia assistir de quatro, com os mesmos relinchos e os mesmos mugidos. Muito bem: e que faz o cronista? Quer que o jogador brasileiro, o melhor do mundo, também se transforme num centauro — um centauro que fosse a metade cavalo e a outra metade também". No último parágrafo, o escritor lançou sua maldição, fazendo uma referência ao poema "O corvo", de Edgard Allan Poe: "Quando, após a partida, o capitão inglês ergueu a mãos ambas a 'Jules Rimet', o urubu de Edgard Allan Poe declarava aos jornalistas: 'Nunca mais, nunca mais!' E, de fato. como as outras "Copas" vão ser disputadas em terreno neutro, nunca mais a Inglaterra vai conseguir impor seu futebol sem imaginação, sem arte, sem originalidade. E o cronista que foi nos dois pés e voltou de quatro, que se cuide. O mesmo urubu diria que não se levantará, nunca mais, nunca mais".