Para Rodolpho Tobler, a queda mais forte em transportes (-1,0) surpreendeu, mas o resultado não chega a ser uma grande decepção porque não veio disseminado FGV: queda em transportes sinaliza esfriamento da economia, pois transporte de carga é ligado à logística — Foto: Domingos Peixoto/Agência o Globo O setor de serviços teve desempenho mais fraco que o esperado em maio (-0,4%), com uma surpresa negativa em transportes, mas o resultado não altera o cenário de desaceleração gradual nos próximos meses. A avaliação é do economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Tobler esperava um número um pouco mais favorável (0,6%), mas ainda próximo da estabilidade, porque tem observado que os serviços vêm perdendo um pouco de força ao longo deste ano. Para ele, a queda mais forte em transportes (-1,0) surpreendeu, mas ressalta que o resultado não chega a ser uma grande decepção porque não veio disseminado. “Eu acho que, se a gente tivesse todas as atividades caindo, a gente poderia ligar um pouco mais o sinal de alerta e talvez ter uma trajetória mais negativa à frente. Como está concentrado em duas atividades, com as outras próximas de zero, eu acho que realmente é uma demonstração de uma economia um pouco mais fraca”, afirma. Conflito no Oriente Médio Sobre a queda em outros serviços (-1,9%), ele aponta que teve influência de serviços financeiros auxiliares, mas avalia que parece ser apenas uma questão pontual do mês de maio. Já em transportes, o economista destaca a queda em transportes aéreos (-5,1%) e de cargas (-0,2%), que tem relação com o aumento do preço dos combustíveis, associado aos impactos dos conflitos no Oriente Médio. “Além do conflito no Oriente Médio, a queda em transportes também é uma demonstração desse esfriamento da economia, porque o transporte de carga é muito ligado à questão logística, ao escoamento dos produtos no Brasil, não só da agropecuária, como tem sido mais intenso neste ano, mas também ao próprio volume de entregas. Então, se a gente está vendo uma redução dessa demanda, naturalmente essa também será uma atividade que vai sentir”, afirmou Tobler. Clara desaceleração no setor Tobler destaca que, embora o resultado do mês não surpreenda a ponto de reverter projeções, confirma-se uma desaceleração do setor, que ainda ocorre de forma branda. Para o economista, o resultado de maio não muda as expectativas para os próximos meses, já que eram esperados números mais fracos neste trimestre e também no segundo semestre. “Acho que está bem claro que a gente está observando uma desaceleração no setor. O setor está rodando em um nível abaixo do que foi no ano passado, mas, por outro lado, o resultado de maio não é uma decepção no sentido de dizer que o setor está agora em trajetória de queda, que as coisas vão piorar e que realmente vai ter uma crise em jogo”, destaca.
Resultado mais fraco que o esperado em serviços não é uma ‘grande decepção’, diz FGV Ibre
Para Rodolpho Tobler, a queda mais forte em transportes (-1,0) surpreendeu, mas o resultado não chega a ser uma grande decepção porque não veio disseminado







