O presidente do Federal Reserve participou de sabatina no Senado americano nesta quarta-feira (15) O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, disse estar insatisfeito com as métricas de inflação usadas como referência pelo banco central americano na condução da política monetária pois acredita que elas falham em medir o comportamento da inflação subjacente. As declarações foram dadas durante sabatina perante o Senado dos Estados Unidos, onde ele também foi questionado sobre sua relação com o presidente Donald Trump, mas preferiu não responder. "As atuais métricas de inflação são imperfeitas para medir o comportamento da inflação subjacente", disse Warsh durante a sabatina, destacando que está insatisfeito com os indicadores usados como referência pelo Fed no momento. As métricas de inflação fazem parte dos objetos de estudo das forças-tarefa anunciadas por ele com o objetivo de promover reformas no Fed. Warsh disse que lhes deu um prazo de seis meses para apresentar suas análises. Em meio à pressão da Casa Branca sobre o Fed e a condução da política monetária, Warsh, indicado por Trump, foi questionado se costuma falar com o presidente americano regularmente. "Não tenho nada para você", ele respondeu a um dos senadores. "Mas me encontro semanalmente com o secretário do Tesouro", acrescentou Warsh, referindo-se a Scott Bessent. "O presidente não tentou influenciar a condução da política monetária e se ele tentasse eu continuaria fazendo meu trabalho", disse Warsh. O presidente do Fed também afirmou que não iria compartilhar as conversas entre ele e Trump e que tem independência para realizar o seu trabalho no banco central. Em linha com sua visão apresentada ontem, durante a sabatina perante a Câmara dos Representantes dos EUA, Warsh disse que o mandato de emprego do Fed "parece bem", enquanto o de inflação nem tanto. Ele também defendeu que a taxa básica de juros seja a principal ferramenta da condução de política monetária, enquanto o balanço de ativos do banco central deveria ser "o menor possível", embora faça sentido que o Fed aumente seu portfólio em momentos de crise. Efeito da IA na economia Sobre os efeitos da inteligência artificial (IA) sobre a economia americana, tema que também é um objeto de estudo das forças-tarefa, Warsh estima maior produtividade e aumentos de salários. Ele também disse que a IA tende a ser uma criadora de empregos no longo prazo. Em relação ao impacto da IA na inflação, Warsh acredita que uma mudança pontual não necessariamente é inflacionária, na medida em que a oferta pode responder ao aumento de preços. "O choque da inteligência artificial é um choque de oferta. Não vejo uma mudança pontual nos preços como necessariamente inflacionária, porque a oferta pode responder. Nesse sentido, é diferente de um conflito externo, que tende a reduzir o lado da oferta da economia", ele observou. "Isso aumentará os preços medidos ao longo dos próximos 12 meses? Suspeito que sim, mas se isso será inflacionário ou não, cabe ao Fed decidir." Presidente do Fed, Kevin Warsh — Foto: Al Drago/Bloomberg
Warsh se esquiva de pergunta sobre Trump e diz estar insatisfeito com métricas de inflação do Fed
O presidente do Federal Reserve participou de sabatina no Senado americano nesta quarta-feira (15)








