Nas semanas em torno da reunião anual de 2026 da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, meu celular não parava de vibrar com alertas sobre medicamentos GLP-1 e câncer. As manchetes estavam em nos jornais e nas redes sociais, todas girando em torno da mesma afirmação: Ozempic pode reduzir o risco de câncer.
Por trás dessas notícias há uma onda real de estudos, que envolvem milhões de pacientes. Sou médico e epidemiologista clínico, e minha equipe e eu interpretamos esse tipo de estudo.
O entusiasmo em torno da ideia de que medicamentos GLP-1 podem prevenir câncer está muito à frente das evidências. Não necessariamente errado; apenas ainda não comprovado.
O câncer está entre as coisas mais difíceis de estudar, porque não é uma doença, mas mais de cem. Câncer de mama, câncer de pulmão e cânceres do sangue não são variações da mesma doença, cada um tem uma biologia distinta e sua própria combinação de riscos genéticos, ambientais e comportamentais. Um único medicamento nunca recebe um veredito único sobre como afeta o câncer.
Antes do burburinho atual de que medicamentos GLP-1 poderiam reduzir o risco de câncer, a preocupação ia na direção oposta: de que poderiam aumentar o risco de desenvolver a doença.








