A aguardada entrada da OpenAI no mercado de dispositivos de consumo deve começar com um alto-falante inteligente móvel e sem tela, projetado para representar um novo tipo de computador doméstico para a era da inteligência artificial, segundo pessoas familiarizadas com o projeto. O produto — ainda em desenvolvimento — tem como objetivo servir como um companheiro de IA semelhante a um ser humano que vive na casa, afirmaram essas pessoas, que pediram para não serem identificadas porque o projeto ainda não foi anunciado. Ele ajudará a controlar eletrodomésticos inteligentes, reproduzir mídia, responder a perguntas, responder a mensagens e aproveitar a gama de recursos oferecidos pelo ChatGPT da OpenAI, disseram elas. O aparelho representa um passo estratégico para a OpenAI, uma das principais desenvolvedoras de modelos de inteligência artificial, que se prepara para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos próximos meses. A iniciativa colocará a empresa em concorrência ainda mais direta com gigantes como Apple, Amazon e Google, da Alphabet, movimento que já enfrenta resistência. Na semana passada, a Apple processou a OpenAI, acusando a empresa de utilizar segredos comerciais de forma indevida. No entanto, segundo as fontes, a OpenAI considera que o novo dispositivo é significativamente diferente de qualquer produto atualmente comercializado pela concorrente. As ações da fabricante de equipamentos de áudio Sonos chegaram a cair mais de 10% no pregão estendido antes de reduzirem as perdas. Os papéis da Apple recuaram menos de 1%, atingindo a mínima de US$ 313,52. O sucesso da OpenAI no segmento de hardware dependerá de sua capacidade de apresentar uma abordagem realmente inovadora ao mercado — objetivo que pretende alcançar com esse alto-falante inteligente. De acordo com as fontes, o dispositivo foi desenvolvido para se tornar cada vez mais personalizado e proativo à medida que aprende sobre seu proprietário. A empresa imagina um aparelho capaz de antecipar necessidades, oferecer informações espontaneamente e atuar como um verdadeiro especialista em seu usuário. Embora tenha sido projetado para permanecer dentro de casa, o equipamento poderá ser facilmente transportado entre os cômodos. A OpenAI acredita que o principal diferencial do produto será sua personalidade e sua capacidade de estabelecer uma conexão semelhante à humana com os usuários. O alto-falante incorpora componentes mecânicos capazes de se mover de forma autônoma, criando a impressão de que está "vivo", e não apenas respondendo a comandos. Além disso, utilizará informações pessoais, como e-mails, para compreender melhor seu proprietário. O objetivo é que o dispositivo funcione como um companheiro pessoal e se torne uma manifestação física do ChatGPT. Ainda assim, os planos poderão ser alterados à medida que o projeto avance em seu desenvolvimento e enfrente eventuais questões jurídicas. Um porta-voz da OpenAI recusou-se a comentar o assunto. As capacidades de comunicação do aparelho serão baseadas em uma versão mais avançada do modo de voz do ChatGPT, chamada GPT-Live, lançada neste mês. A nova tecnologia foi desenvolvida para proporcionar conversas mais naturais, permitindo ouvir e falar simultaneamente, adaptar-se ao fluxo da conversa e processar informações com maior rapidez. Embora tenha a aparência de um alto-falante, a OpenAI descreve internamente o produto como um computador totalmente novo, desenvolvido especificamente para a era da inteligência artificial e voltado a aumentar a produtividade das pessoas. O equipamento contará com câmera e outros sensores capazes de interpretar o ambiente e o contexto do usuário, além de utilizar modelos de IA muito mais avançados do que os presentes nos assistentes domésticos atuais. Outro diferencial importante será a bateria recarregável, permitindo que o aparelho seja levado de um cômodo para outro ao longo do dia. O usuário poderá utilizá-lo na lavanderia durante tarefas domésticas, levá-lo à cozinha para receber auxílio durante o preparo de refeições ou colocá-lo na sala ou no quarto para reproduzir músicas. Também será possível mantê-lo permanentemente conectado em um único ambiente. Para fortalecer sua divisão de hardware, a OpenAI adquiriu no ano passado a startup io Products por US$ 6,5 bilhões. A empresa foi cofundada pelo renomado designer Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. O estúdio de design LoveFrom, fundado por Ive, também participa do desenvolvimento da nova linha de produtos. O projeto reúne diversos ex-designers e engenheiros da Apple responsáveis pela criação de produtos como o iPhone e o Mac. A OpenAI acredita que a experiência da equipe da LoveFrom em tornar a tecnologia mais pessoal será um fator decisivo para diferenciar seu primeiro hardware. Na ação judicial movida contra a OpenAI, a Apple afirma que a empresa utilizou segredos comerciais para acelerar o desenvolvimento de dispositivos. O diretor de hardware da OpenAI, Tang Tan — cofundador da io Products e ex-chefe de design de produtos do iPhone — foi acusado de liderar uma campanha para obter informações confidenciais sobre futuros produtos e práticas de engenharia da Apple. Pessoas próximas ao assunto afirmam, porém, que Tan sempre foi conhecido por assumir riscos na Apple, além de montar equipes altamente qualificadas, manter excelentes relações com fornecedores e trabalhar de forma integrada com designers e profissionais criativos. Segundo essas fontes, ele é apaixonado pela tecnologia em que trabalha e possui grande habilidade para resolver problemas complexos de engenharia. De acordo com o processo, a OpenAI contratou mais de 400 ex-funcionários da Apple. Além de Jony Ive e Tang Tan, a ex-diretora de design industrial da Apple, Evans Hankey, lidera o desenvolvimento do novo alto-falante e de outros futuros produtos da OpenAI. No mês passado, a empresa também contratou Paul Meade, executivo que trabalhou por muitos anos na Apple e liderou o desenvolvimento do headset Vision Pro e de futuros óculos inteligentes. Embora a Apple comercialize os alto-falantes inteligentes HomePod e HomePod mini, a OpenAI considera que esses produtos não são comparáveis ao dispositivo que está desenvolvendo. Segundo as fontes, tanto o sistema de áudio quanto o restante do hardware diferem substancialmente das soluções da Apple, reforçando a convicção da empresa de que seu primeiro produto não viola qualquer segredo comercial. Na ação judicial, a própria Apple reconhece que será necessário aprofundar a fase de produção de provas para determinar se a OpenAI realmente utilizou suas tecnologias. A OpenAI, por sua vez, declarou que "não tem interesse nos segredos comerciais de outras empresas". "Levamos essas alegações a sério, mas não temos conhecimento de qualquer evidência de que essa ação tenha fundamento", afirmou a empresa. A OpenAI acrescentou ainda que acredita "na concorrência justa e na liberdade das pessoas de trabalharem onde desejarem" e que permanece "focada em desenvolver tecnologias inovadoras que beneficiem pessoas em todo o mundo". A divisão de hardware da OpenAI trabalha atualmente em cerca de cinco produtos diferentes, mas pretende iniciar sua estratégia comercial com o alto-falante inteligente. A empresa planeja apresentar oficialmente o dispositivo ainda este ano e lançá-lo no mercado em 2027, embora o cronograma possa ser alterado em função do processo judicial. A Apple busca obter uma liminar que impeça a comercialização dos dispositivos da OpenAI, o que poderá atrasar o lançamento. Em um horizonte mais distante, a OpenAI pretende desenvolver um dispositivo móvel baseado em inteligência artificial capaz de substituir os smartphones. A empresa também estuda produtos vestíveis, como um pingente inteligente, além de demonstrar interesse em robôs para uso doméstico. Enquanto isso, a Apple prepara sua própria família de dispositivos residenciais focados em inteligência artificial, intensificando ainda mais a disputa entre as duas empresas. O primeiro produto desse projeto, conhecido internamente pelo codinome J490, será uma central de controle para casas inteligentes, cujo lançamento já sofreu diversos atrasos. O dispositivo contará com um novo sistema operacional, tela quadrada de sete polegadas, recursos para videoconferência e reconhecimento facial. A proposta é permitir a reprodução de músicas, o controle de eletrodomésticos e servir como vitrine para a nova assistente de inteligência artificial Siri, que fará parte do futuro sistema operacional iOS 27. A Apple também desenvolve uma versão desse equipamento equipada com uma tela maior instalada sobre um braço robótico, capaz de reposicionar automaticamente o monitor conforme os comandos do usuário. Além disso, a empresa trabalha em um sistema inteligente de segurança residencial.