Embora mercado questione preço, companhia vê oportunidade de 'destravar valor' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 FMU na Freguesia do Ó, Zona Norte de São Paulo — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 19:23 Ânima adquire FMU por R$ 410 milhões para expandir ensino em SP A Ânima, proprietária de instituições como IBMR e Anhembi Morumbi, adquiriu a FMU por R$ 410 milhões, visando expandir-se em São Paulo e no ensino semipresencial. Apesar das dúvidas do mercado quanto ao preço, a Ânima vê potencial na FMU, que possui 51 mil alunos e enfrenta recuperação judicial. A empresa espera que a aquisição, que aumentará em 15% seu total de alunos, desbloqueie valor significativo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Ânima, dona de faculdades como IBMR, Anhembi Morumbi e Inspirali, está pagando R$ 410 milhões para comprar o Centro Universitário FMU, que, embora esteja em recuperação judicial, tem 51 mil alunos e é a quinta maior rede privada da cidade de São Paulo. Quem está vendendo é a gestora Farallon, que havia pago R$ 500 milhões pelo negócio em 2020. Até então, a FMU pertencia à Laureate, grupo americano que decidiu sair do Brasil naquele ano vendendo suas universidades justamente para a Ânima, entre elas a Anhembi Morumbi, por R$ 4,4 bilhões. Para evitar "remédios" impostos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o acordo já previa a venda imediata da FMU pelos novos donos ao fundo Farallon. — A FMU é uma potência, é a quinta maior instituição privada da cidade de São Paulo, o maior mercado do Brasil. Com essa transação, damos um passo sólido para avançar em São Paulo, e a nossa estratégia de expansão no semipresencial se fortalece. A FMU tem cerca de 4 mil alunos nessa modalidade — diz a CEO da Ânima, Paula Harraca. A FMU entrou em recuperação judicial em março passado, com uma dívida de R$ 116,4 milhões. Os credores aprovaram o plano em dezembro, e ele foi homologado em fevereiro. — Essa questão está superada. Uma vez que a FMU está com esses passivos reestruturados, ela está focada em voltar a crescer e retomar o espaço que já foi dela. A participação dela em São Paulo caiu de 9% para 6,2% entre 2021 e 2024. Se apenas recuperarmos esse market share perdido, vamos crescer 50% em até três anos — observa o diretor financeiro Átila Simões, acrescentando que, na visão da Ânima, a transação gera sobreposição pequena no mercado de São Paulo e que, por isso, não deve enfrentar obstáculos no Cade. Não foi caro? Com destaque em Direito, a FMU tem 51 mil alunos matriculados, seis campi em São Paulo e 214 unidades acadêmicas de ensino à distância pelo país. A receita líquida anual está na casa dos R$ 280 milhões. A aquisição vai acrescentar 15% ao volume total de alunos da Ânima. A companhia vai pagar R$ 240 milhões agora e o restante em 2029. Como a FMU traz consigo uma dívida líquida de R$ 150 milhões, a Ânima está pagando o equivalente a mais de dez vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos etc.) anual da FMU, que é de R$ 52,9 milhões. Em conferência com o mercado na noite desta terça-feira, analistas da Faria Lima questionaram os executivos sobre a possibilidade de o preço pago ser excessivo — sobretudo com juros de dois dígitos. — Estamos absolutamente confortáveis com o preço que pagamos. É uma marca consolidada em um mercado gigante, que oferece um grande potencial a ser destravado — rebateu Átila Simões. A aquisição vai aumentar a alavancagem (relação entre a dívida e o Ebitda) da Ânima de 2,39 vezes para 2,73 vezes. — Temos plena consciência de que o cenário é complexo e adverso, com juros altos e eleições. Mas a oportunidade foi única, apareceu no momento de uma mudança estrutural do setor, e o ativo tinha que ser nosso. E estamos prontos para isso e vamos continuar desalavancando nosso balanço. Temos condição de comprar o ativo e honrar nossos compromissos — observou a CEO Paula Harraca.