A amizade entre Erling Haaland, 25, e Jude Bellingham, 23, duas das maiores estrelas desta Copa, é a coisa mais bonita do futebol moderno. O vínculo que nasceu de dois anos de convivência no Borussia Dortmund resiste a mudanças de clubes e à disputa entre Noruega e Inglaterra. Há dezenas de imagens de abraços demorados, beijos no rosto e na defesa um do outro na disputa com adversários. Um show de maturidade afetiva.

O mundo, porém, não aguenta ver homens se amando. Após a vitória da Inglaterra, um portal de comunicação postou uma sequência de memes sugerindo que a relação dos atletas é "algo a mais". A "piada" abre com um frame de Brokeback Mountain, o trágico filme sobre o amor proibido entre dois cowboys. Usa-se uma história de sofrimento para ridicularizar homens que demonstram afeto publicamente.

Este tipo de preconceito é uma ferramenta que policia e empobrece a vida dos homens. A psicóloga Niobe Way, professora da Universidade de Nova York, documentou em mais de duas décadas de pesquisa que, até os 14 anos, meninos têm amizades íntimas e falam de amor sem constrangimento. Na adolescência, aprendem que isso é "coisa de viado". Nem sempre foi assim. John Ibson, historiador da Universidade da Califórnia, mostra que, no século 19, homens posavam para fotos comuns de mãos dadas ou no colo uns dos outros. O pânico homofóbico do século 20 mudou isso.