Levantamento divulgado dias após caso de pai flagrado chutando o rosto da filha de 3 anos em Francisco Beltrão (PR) mostra que 62% dos entrevistados se omitiriam ao ver a situação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Testemunha da agressão de pai contra filha, José Luiz Fernandes afirma ter sido ameaçado pelo homem — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 12:27 Pesquisa revela que 62% dos brasileiros não intervêm em agressões infantis públicas Uma pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável revela que 62% dos brasileiros não interviriam ao testemunhar agressões contra crianças em público. O estudo, divulgado após o caso de um pai que agrediu sua filha de 3 anos em Francisco Beltrão (PR), destaca a naturalização da violência infantil no Brasil, com muitos alegando receio ou acreditando que a educação é responsabilidade exclusiva das famílias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um homem foi preso na última quinta-feira (9) após câmeras de segurança flagrarem o momento em que ele chuta o rosto da própria filha de 3 anos em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. Nas imagens, registradas no domingo (5), um pedestre chega a se aproximar para questionar o pai sobre a agressão. Cenas como essa, no entanto, tendem a não gerar reação de quem passa: a segunda edição da pesquisa "Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes", do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, mostra que 62% dos brasileiros não interfeririam ao presenciar uma agressão contra uma criança em público. O dado foi divulgado nesta terça-feira (14). A pesquisa também mostra que, se vissem uma pessoa dando palmadas ou puxões de orelha em uma criança na rua, 32% afirmaram que não fariam nada por entender que “cada um sabe da própria vida”. Outros 30% disseram que gostariam de intervir, mas não teriam coragem de fazê-lo. No caso de Francisco Beltrão, é possível ver José Luiz, que estava do outro lado da rua, presenciar a cena, atravessar a via com os braços abertos e conversar com o pai da criança. Ele mantém certa distância do homem e afirmou, em entrevista à Tribuna da Massa na quarta-feira (8), que ficou receoso após perceber um volume sob a camiseta dele. Pai chuta criança de 3 anos no Paraná e é investigado pela Polícia Civil — A gente fica indignado e tentei fazer o que pude. Quando me aproximei, vi que ele estava alterado, com os olhos bem inchados. Em um momento, ele apontou o dedo para mim, começou a fazer ameaças e percebi que havia um volume por baixo da camiseta dele. Ele dizia: 'Fica na tua, vai sobrar para você' — relatou. Apenas 21% dos entrevistados na pesquisa afirmaram que abordariam o responsável, como José Luiz fez, para dizer que aquela atitude não é adequada, enquanto 15% chamariam a atenção de outras pessoas ou acionariam a polícia. Segundo o levantamento, ao todo, 62% dos brasileiros preferem se omitir diante de uma agressão física contra uma criança em espaços públicos, seja por receio de se envolver ou por acreditarem que a educação dos filhos diz respeito apenas às famílias. Foram ouvidos 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, entre 29 de maio a 7 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. A pesquisa abordou temas como violência contra crianças, o papel da escola na proteção infantil, os riscos do ambiente digital, trabalho infantil e mecanismos de proteção à infância. Relembre o caso O homem que chutou a própria filha, de 3 anos, em uma rua de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, afirmou à Polícia Civil que agrediu a criança porque ela estava "chorando e berrando na rua". Ao GLOBO, o delegado Anderson Andrei Grosso, da 19ª Subdivisão Policial (SDP) de Francisco Beltrão, informou que o suspeito foi ouvido na tarde de quarta-feira (8), após ser identificado. O caso ocorreu no domingo (5) e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o homem caminhando pela rua com os dois filhos — a menina de 3 anos e um menino de 5 — enquanto carrega sacolas. As crianças seguem alguns passos atrás dele. Em determinado momento, ele se vira e desfere um chute que atinge a menina na região do rosto. José Luiz Fernandes presenciou a cena. Na hora, atravessa a via com os braços abertos e tenta impedir a agressão. A criança se levanta, os dois adultos parecem conversar rapidamente e, em seguida, o pai continua caminhando com os filhos. Em depoimento na delegacia, o homem, cuja identidade não foi divulgada, afirmou que voltava do mercado com os filhos quando a menina começou a "chorar e berrar" na rua. Segundo o delegado, ele disse que não se lembrava da agressão, mas, ao assistir às imagens, reconheceu ser o homem que aparece no vídeo ao lado das crianças. — O pai foi identificado, foi até a delegacia e foi ouvido. Disse que a criança estava chorando e berrando na rua e acabou tendo aquela atitude, mas que nem se recordava. Porém, assistindo ao vídeo, confirmou ser ele — afirma o delegado. Maioria vê ofensas verbais e agressões como inaceitável Os números mostram que a violência contra crianças segue, em certa medida, naturalizada socialmente. Por outro lado, a maioria considera inaceitáveis comportamentos como xingar, ameaçar ou bater — 91% rejeitam ofensas verbais, e 79% condenam agressões com objetos. A pesquisa mostra uma redução no número de pessoas que defendem o diálogo em relação à primeira edição do estudo. Em 2023, esse percentual era de 93%. Também houve queda na parcela da população que admite já ter gritado com uma criança, de 66% para 62%, uma redução de quatro pontos percentuais. Entre os que afirmam já ter dado tapas, a queda foi de três pontos percentuais. Já o percentual dos que reconhecem ter usado objetos para bater diminuiu 11 pontos percentuais, de 38% para 27%. — Esses adultos brasileiros com mais de 18 anos têm, ao mesmo tempo, o medo de exagerar para mais, mas também o medo de exagerar para menos. Percebo que as pessoas estão reproduzindo o que fizeram com elas porque é isso que elas sabem. Não estão preparadas nem pensaram a respeito. Têm o medo de liberar demais e criar um menino mimado, aí resolvem bater. E tem a outra experiência de simplesmente gritar, xingar, ameaçar e bater, porque é assim que funciona. Os dois extremos estão documentados — afirmou Felipe Nunes, CEO da Quaest, durante coletiva de imprensa. Resultados da pesquisa "Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes", realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest — Foto: Editoria de Arte / O Globo A Lei da Palmada, também conhecida como Lei Menino Bernardo, proíbe o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes na educação de crianças e adolescentes. Em caso de descumprimento, o autor pode ser advertido e encaminhado a programa oficial ou comunitário de proteção à família ou a tratamento psicológico ou psiquiátrico.
Maioria dos brasileiros não interviria ao ver criança sendo agredida em público, aponta pesquisa
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