Drones ucranianos danificaram 11 navios russos durante a noite, elevando o número total de embarcações atingidas nos últimos nove dias subiu para 116 Imagem mostra drone ucraniano antes de ataque a navio russo no Mar de Azov — Foto: . Comando das Forças de Sistemas Aéreos Não Tripulados/Divulgação via REUTERS A Rússia acusou nesta terça-feira a Ucrânia de "terrorismo" devido aos ataques contra embarcações no Mar de Azov, rota responsável por cerca de 25% das exportações russas de grãos. Drones ucranianos atingiram 11 navios russos a região durante a noite, informou o comandante das forças de drones da Ucrânia, Robert Brovdi. Em comunicado, ele afirmou que entre os alvos estavam cinco petroleiros, cinco navios de carga seca e um rebocador. Com os ataques, o número total de embarcações atingidas nos últimos nove dias subiu para 116. A nota não menciona ataques a navios graneleiros, mas fontes do setor, que conversaram com a Reuters sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema, disseram que vários navios que transportavam grãos foram atingidos nos últimos dois dias e pegaram fogo. "Eles estão parados ali como alvos diante de um pelotão de fuzilamento. Em poucos dias, não restará uma única embarcação intacta no Mar de Azov, apenas navios danificados", disse uma das fontes à Reuters. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, criticou o governo de Ucrânia pelos ataques às embarcações, chamando a ofensiva no Mar de Azov de "terrorismo". "O que o regime ucraniano está fazendo vai além da pirataria. Os piratas, ao menos, saqueiam e ficam com o produto do saque", disse ele. "Mas, neste caso, isso não beneficia nem eles nem ninguém. O objetivo é simplesmente causar danos e intimidar. É terrorismo, pura e simplesmente." Uma fonte militar ucraniana disse à Reuters que o país atacou "apenas alvos militares ou alvos que contribuam para fortalecer a capacidade de combate da Rússia". "As cargas civis não estão entre esses alvos. Ao falar de ataques contra embarcações civis, a Rússia procura um pretexto para justificar seus ataques cínicos contra a infraestrutura civil ucraniana.", acrescentou. A Rússia intensificou seus ataques contra portos ucranianos no Mar Negro desde o fim do ano passado, e autoridades ucranianas afirmam que os portos da região de Odessa podem ter sua capacidade mensal de exportação de grãos reduzida em até um terço. A navegação no Mar de Azov permaneceu restrita nesta terça-feira, segundo fontes da Reuters. O mar fica na foz do rio Don, que atravessa a principal região produtora de grãos do sul da Rússia, e é utilizado principalmente por embarcações menores, de cabotagem. Uma fonte disse à Reuters na segunda-feira que embarcações comerciais não conseguiam entrar ou sair do Mar de Azov pelo Estreito de Kerch ou pelo canal Azov-Don, que liga o mar ao rio Don. Nos últimos meses, a Ucrânia realizou uma série de ataques contra refinarias de petróleo, depósitos de combustíveis, portos e outras infraestruturas energéticas russas, provocando escassez de combustíveis em várias regiões da Rússia e interrompendo exportações. Nem o Ministério da Agricultura nem o Ministério dos Transportes confirmaram da Rússia que o tráfego no Mar de Azov estivesse restrito. No entanto, o Ministério da Agricultura reconheceu nesta terça-feira que as exportações poderão ser redirecionadas para outras rotas. "Dada a significativa capacidade da Rússia para transbordo de cargas agrícolas em diferentes regiões, a logística de abastecimento será redirecionada, se necessário", afirmou o órgão em comunicado. Exportadores de grãos afirmaram que as cargas poderão ser redirecionadas para terminais graneleiros de águas profundas no Mar Negro ou para portos no Mar Báltico, embora alguns deles também tenham sido alvo de ataques de drones ucranianos. A União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos afirmou que o país integralmente seus compromissos de exportação de grãos com parceiros estrangeiros apesar da situação no Mar de Azov. A Rússia já iniciou a colheita da nova safra nas regiões do sul, mas os novos grãos estão apenas começando a chegar aos portos. "O principal objetivo é minimizar o impacto das dificuldades logísticas temporárias sobre a comercialização da nova safra pelos agricultores", afirmaram as autoridades locais de Rostov, uma das principais regiões produtoras de grãos da Rússia.