Visita sigilosa de conselheiros à Corumbá ocorreu em maio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mina da J&F em Corumbá: à venda — Foto: Reprodução A uma semana da eleição de um presidente do conselho de administração, num processo confuso e com muitas intrigas nos bastidores, um novo enredo, também intrincado, agita o colegiado da Vale. Agora, a controvérsia envolve uma negociação para a recompra (de parte ou do todo) de um complexo de minas em Corumbá que a empresa havia vendido para os irmãos Joesley e Wesley Batista em 2022. No início de maio, o então chairman da Vale, Daniel Stieler; os conselheiros Manoel Lino Oliveira, o Ollie, e Heloisa Bedicks; o CEO Gustavo Pimenta e o diretor Fabio Ferraz jantaram com os irmãos Batista e, no dia seguinte, num jato particular, seguiram para visitar as minas, conhecidas como Sistema Centro-Oeste. Em 6 de maio, Ollie, hoje candidato a chairman por indicação da Previ, envia a Stieler (o chairman recém-ejetado do posto pela Previ) e a Gustavo Pimenta um e-mail. Nele, narra que não esperava muita coisa do jantar e das minas, mas ficou encantado com o que viu e ouviu, segundo descreveu. Escreve que, inicialmente acreditava que o negócio não merecia atenção, baseado no que conhecia do projeto. Mas após a visita, percebeu que eram conclusões precipitadas. O conselheiro relata que em quatro anos "os novos donos" conseguiram licenças para produzir até 26 milhões de toneladas de ferro; provaram bilhões de toneladas em reservas de alto teor; e desbloquearam obstáculos logísticos, especialmente no transporte fluvial. Em resumo, Joesley e Wesley demonstraram, diz ele, know-how político e "empreendedorismo fora do normal", além de "apetite para riscos muito além de nós". Elogios às pencas, como se vê. E, finalmente, sugere que se estude uma joint venture entre Vale e a J&F. Só que os outros colegas de conselho de Ollie souberam do jantar com os Batista e da visita à Corumbá quase dois meses depois dela ter ocorrido. Ou seja, há três semanas, quando Stieler, já em processo de fritura, vazou o e-mail para o resto do colegiado. Ollie teve que se explicar aos outros conselheiros que, ao menos em tese, ignoravam não só o encontro com os Batista como a avaliação feita pelo colega sobre o negócio. Endereçado a Luiz Gustavo Gouvea, diretor da Vale e secretário do conselho de administração, um segundo email foi enviado. Trata-se de um relato, com direito a autocrítica, para "dissipar o véu de sigilo que envolveu até agora a visita a esta mina": "nunca fiquei confortável com o sigilo a volta deste tema até porque demonstra que ainda estamos longe de ter uma governança a (sic) nível internacional". Noutro trecho, sugere que o jantar e a visita têm um significado político. Não se alongou nesta parte, mas aparenta falar da notável influência dos Batista no mundo empresarial e, em especial, na Brasília de hoje: "A indicação que me foi dada pelo presidente do conselho seria fazer uma avaliação operacional e de investimento, pois politicamente era muito importante que as partes envolvidas acreditassem que a empresa tinha analisado e considerado seriamente essa oportunidade de investimento, tendo em conta que a gestão se recusou de se interessar pelo projeto". Diz ainda que encontrou uma mina muito diferente da que conhecia (em 2021, ele votou favoravelmente à venda deste mesmo ativo) e enfatizou que não fez nenhuma recomendação formal de compra das minas, pois seria necessário um trabalho extensivo de due diligence ("notei o perigo de alguém entender que eu estava a fazer alguma recomendação...") Na quarta-feira, 22, a assembleia de acionistas da Vale vai eleger o novo presidente do conselho em meio a toda essa rede de intrigas, visita e jantar sigilosos, vazamentos e, agora, a possibilidade de os Batista estarem rondando a Vale.
Joesley tenta vender vender mina à Vale e cria polêmica no conselho da mineradora
Visita sigilosa de conselheiros à Corumbá ocorreu em maio












