Para o torcedor comum de futebol, o trajeto de cerca de 14 quilômetros entre Manhattan e o estádio da Copa do Mundo, em Nova Jersey, é tão atraente quanto uma ida ao dentista. São horas de espera sob o sol, nas filas em zigue-zague da segurança do lado de fora da Penn Station, antes de embarcar em ônibus escolares amarelos ou trens da NJ Transit, espremido entre desconhecidos suados rumo ao complexo esportivo de Meadowlands. Mas, enquanto a multidão se acotovelava na estação em uma tarde, uma cena bem mais sofisticada se desenrolava sob a entrada sombreada do Solow Building, o famoso edifício de escritórios de alto padrão próximo à Quinta Avenida. Quatro homens vestindo ternos vinho idênticos, chapéus brancos impecáveis e tênis brancos estavam na calçada, guardando duas vans Mercedes-Benz Sprinter. As únicas pistas visíveis sobre a missão do grupo eram um discreto bordado no peito com a inscrição “FIFA World Cup 2026” e um misterioso “Q” afixado nos para-brisas dos veículos. Segundo três pessoas informadas sobre suas funções e um convite obtido pelo The New York Times, os homens eram seguranças particulares autorizados pela Fifa — entidade máxima do futebol mundial — a transportar executivos e clientes do fundo soberano do Catar, avaliado em US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões), até o estádio para assistir à partida entre Equador e Alemanha. Eles conduziram o grupo por postos de segurança nas estradas sinuosas ao redor do estádio até um camarote privativo e, depois da partida, fizeram o trajeto de volta com o mesmo conforto discreto e climatizado. Os dez mais ricos do mundo em 1º de outubro de 2025, segundo a Forbes 1 de 10 Elon Musk (US$ 490,8 bilhões, cerca de R$ 2,77 trilhões) – CEO da Tesla e SpaceX, fundador da xAI e dono da X. Nasceu na África do Sul e construiu trajetória marcada pela inovação em carros elétricos, foguetes e inteligência artificial — Foto: Bloomberg 2 de 10 Larry Ellison (US$ 341,8 bilhões, cerca de R$ 1,93 trilhão) – Cofundador da Oracle e investidor em tecnologia e mídia. Dono de 98% da ilha de Lanai, no Havaí, é um dos maiores defensores da expansão da infraestrutura de IA nos EUA. — Foto: Toru Yamanaka/9-4-2014 X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Mark Zuckerberg (US$ 251,5 bilhões, cerca de R$ 1,42 trilhão) – Criou o Facebook em 2004 e transformou-o em Meta, conglomerado que inclui Instagram e WhatsApp. Mantém cerca de 13% da empresa e segue como CEO. — Foto: David Paul Morris/Bloomberg 4 de 10 Jeff Bezos (US$ 232,5 bilhões, cerca de R$ 1,31 trilhão) – Fundador da Amazon e da Blue Origin. Foi o homem mais rico do mundo entre 2018 e 2021. Mudou-se recentemente para Miami e investe em projetos espaciais. — Foto: MANDEL NGAN / AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Larry Page (US$ 202,2 bilhões, cerca de R$ 1,14 trilhão) – Cofundador do Google, atua no conselho da Alphabet. Já investiu em mineração espacial e foi um dos primeiros a financiar startups de tecnologia futurista. — Foto: Divulgação 6 de 10 Sergey Brin (US$ 187,6 bilhões, cerca de R$ 1,06 trilhão) – Também cofundador do Google, voltou a atuar mais ativamente na área de inteligência artificial. Participou do desenvolvimento do Gemini AI, lançado em 2024. — Foto: Arquivo X de 10 Publicidade 7 de 10 Jensen Huang (US$ 162 bilhões, cerca de R$ 915,3 bilhões) – CEO da Nvidia, transformou a empresa em referência global em chips para IA. Nascido em Taiwan, construiu sua carreira nos EUA. — Foto: David Paul Morris/Bloomberg 8 de 10 Bernard Arnault (US$ 159,4 bilhões, cerca de R$ 900,6 bilhões) – Presidente da LVMH, conglomerado de luxo que inclui marcas como Louis Vuitton, Dior e Sephora. Conduziu os filhos a posições estratégicas no grupo. — Foto: Benjamin Girette/Bloomberg X de 10 Publicidade 9 de 10 Steve Ballmer (US$ 156 bilhões, cerca de R$ 881,4 bilhões) – Ex-CEO da Microsoft e atual dono do time de basquete LA Clippers. Tem investido em infraestrutura esportiva e mantém grande parte de suas ações da Microsoft. — Foto: Bloomberg 10 de 10 Warren Buffett (US$ 150,2 bilhões, cerca de R$ 848,6 bilhões) – Investidor lendário e presidente da Berkshire Hathaway. Anunciou que se aposentará em 2025. Criador do Giving Pledge, já doou mais de US$ 65 bilhões a causas sociais. — Foto: Bloomberg X de 10 Publicidade Com bolsas em alta, Elon Musk e Larry Ellison concentraram quase três quartos do ganho no último mês Socialistas democráticos estão vencendo eleições em todo o país, bilionários enfrentam a possibilidade do primeiro imposto estadual sobre grandes fortunas e praticamente todo magnata da tecnologia com imaginação parece estar construindo um bunker para o fim do mundo. Mas, na Copa do Mundo, os super-ricos podem simplesmente voltar a ser eles mesmos. O torneio deste verão funciona como um alívio para multimilionários, um lugar onde o dinheiro ainda compra bons momentos — embora talvez não um troféu. Basta olhar para a seleção dos Estados Unidos, cujo salário do treinador foi subsidiado em vários milhões de dólares pelo bilionário gestor de fundos Kenneth Griffin. Sua empresa de negociações financeiras, a Citadel Securities, mantém um camarote em Nova Jersey, e ele próprio gastou uma quantia não revelada em ingressos para funcionários em outras partidas. Griffin esteve presente em Seattle — justamente a tempo de ver seu investimento ser atropelado pela Bélgica nas oitavas de final. — É o Super Bowl dos ultra-privilegiados — disse Hans D. Rearick, investidor privado que passou a gostar de futebol depois que uma família real do Oriente Médio lhe deu um lugar em um camarote na final da última Copa do Mundo. Desta vez, ele tem viajado entre Estados Unidos e México para assistir aos jogos. — A desigualdade está sendo escancarada neste momento. Em entrevistas, mais de uma dúzia de entusiastas da Copa do Mundo em Wall Street, em sua maioria falando sob anonimato devido ao clima cultural em torno das grandes fortunas, descreveram uma disputa nos bastidores para conseguir os melhores assentos e o transporte mais conveniente possível, seja por ar, terra ou mar. Grande parte dessa movimentação se concentra em Teterboro, o aeroporto privado no norte de Nova Jersey preferido pelo mercado financeiro e localizado a apenas cerca de 10 quilômetros do estádio. Por US$ 6 mil (cerca de R$ 30,8 mil), a Blade Air transporta até seis pessoas em um voo de helicóptero de quatro minutos partindo de Manhattan. Segundo dois funcionários, essa se tornou uma rota popular entre torcedores que trabalham no Bank of America e no Goldman Sachs e seguem diretamente da mesa de operações para os jogos. Mesmo assim, ainda é necessário um carro particular — com credenciais da Fifa, que custam a partir de milhares de dólares — para completar o restante do trajeto com conforto e desembarcar ao lado do estádio. Uber e outros serviços de transporte não conseguem chegar a menos de cerca de 1,6 quilômetro da arena. Os passeios dos famosos nos EUA além dos jogos da Copa 1 de 16 Nicole Bahls passeou pelo Central Park, onde sentou em uma rocha para tirar fotos — Foto: Reprodução/Instagram 2 de 16 Nicole Bahls conheceu o o restaurante The Palm Court, no Hotel The Plaza, em Nova York, onde tomou café da manhã — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 16 fotos 3 de 16 Nicole Bahls visitou um ponto turístico icônico em Nova York: a Estátua da Liberdade. — Foto: Reprodução/Instagram 4 de 16 A apresentadora Ana Maria Braga visitou o observatório Summit One Vanderbilt, em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 5 de 16 Débora Nascimento aproveitou o tempo ensolarado para passear no Central Park — Foto: Reprodução/Instagram 6 de 16 Giovanna Lancellotti foi assistir à peça "The Maids" em um teatro da Broadway — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 7 de 16 Três dias antes da abertura da Copa, Virginia Fonseca assistiu ao jogo entre New York Knicks e San Antonio Spurs, que ocorreu em 8 de junho de 2026, no ginásio Madison Square Garden, em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram 8 de 16 Supla visitou o Museu Americano de História Natural, que fica próximo ao Central Park, em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 9 de 16 Supla passeia pela margem de Brooklyn, em Nova York, posando sobre as rochas à beira do East River — Foto: Reprodução/Instagram 10 de 16 Livia Andrade curtiu a icônica Times Square, em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 11 de 16 Bruno Gagliasso e Gio Ewbank estão na entrada de um prédio baixo com escadarias de tijolos aparentes, que é característico de bairros históricos de Nova York. — Foto: Reprodução/Instagram 12 de 16 Virginia Fonseca encontrou com a ex-editora da Vogue dos Estados Unidos, Anna Wintour, pelas ruas de Nova York — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 13 de 16 No dia do jogo do Brasil, Giullia Buscacio aproveitou para conhecer as ruas famosas de Nova York — Foto: Reprodução/Instagram 14 de 16 Débora Nascimento visitou o Museu de Arte Moderna de Nova York — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade 15 de 16 Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso conheceram o restaurante bar Pitti — Foto: Reprodução/Instagram 16 de 16 Giovanna Lancellotti usou o famoso metrô de Nova York para conhecer a cidade e garantir alguns cliques para as redes sociais — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade . Por US$ 10 mil (R$ 51,8 mil) é possível contratar um helicóptero maior para voar dos Hamptons até Teterboro — um serviço que, segundo a Blade Air, esgota nos dias de jogo. Esses preços são três vezes maiores do que fora do período da Copa, afirmou Rob Wiesenthal, diretor-presidente da Blade Air, atribuindo o aumento às taxas mais elevadas durante o torneio. Um porta-voz de Teterboro se recusou a comentar. Um renomado advogado especializado em fusões e aquisições tem aproveitado o momento cobrando US$ 10 mil (R$ 51,8 mil) para alugar seu próprio hangar em Teterboro a clientes de seu escritório que viajam para assistir às partidas. O advogado, que falou sob anonimato para não desagradar seu empregador ao comentar seus negócios particulares, deixou seu avião estacionado em Massachusetts durante o mês. Apesar de tudo isso, ainda é preciso conseguir ingressos para o jogo. O camarote mais caro do estádio de Nova Jersey, localizado no segundo nível e na linha do meio-campo, custa US$ 8 milhões (R$ 41,2 milhões). Se todos os lugares fossem ocupados durante as oito partidas disputadas ali, cada assento sairia por cerca de US$ 19.230 (R$ 99 mil). Cliente 'super rico' compra Ferrari única no mundo 1 de 6 Cliente super rico compra Ferrari exclusiva — Foto: Reprodução 2 de 6 O modelo será exibido em seu primeiro evento público no Circuito de Mugello, em Florença — Foto: Reprodução X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Em seguida, será finalmente entregue ao seu futuro proprietário, uma pessoa de Taiwan, em março de 2024 — Foto: Reprodução 4 de 6 A Ferrari não forneceu especificações de desempenho do SP-8, mas acredita-se que ele tenha um motor V-8 biturbo — Foto: Reprodução X de 6 Publicidade 5 de 6 Desenho do modelo conversível exigiu uma “combinação de simulações, testes em túnel de vento e testes de pista — Foto: Reprodução 6 de 6 Por conta da exclusividade do modelo, não há uma estimativa oficial para o seu custo — Foto: Reprodução X de 6 Publicidade Novo proprietário foi identificado apenas como uma pessoa de Taiwan Hemant Taneja, bilionário do setor de capital de risco, pagou mais de US$ 50 mil (R$ 257 mil) por 26 ingressos para uma partida em Santa Clara, na Califórnia. Em um e-mail, ele afirmou que considerou a compra uma espécie de ação beneficente. — Nós os presenteamos a muitas pessoas que trabalham conosco e amam futebol, mas não teriam condições de ir por conta própria. É uma experiência de vida para elas — afirmou. Os convidados assistiram ao jogo da nona fileira. Mas tiveram de pagar pela própria cerveja. Para a final da Copa do Mundo, em Nova Jersey, onde os melhores lugares chegam perto de US$ 100 mil (R$ 514 mil) cada nas plataformas de revenda, Taneja disse ter comprado apenas dois ingressos e vai levar a esposa. Ingressos 'caros demais' A disputa entre profissionais do mercado financeiro por ingressos é tão intensa que uma banqueira de investimentos precisou escrever um longo memorando para convencer seus chefes a permitir que ela utilizasse alguns dos ingressos da empresa para uma partida da fase inicial. No fim, ela ficou com um ingresso sobrando depois que o departamento de compliance de um cliente internacional concluiu que os lugares eram caros demais e poderiam violar as regras anticorrupção internacionais da organização. Veja os destaques da feira de jatinhos 1 de 6 Em 2025, a feira chegou à sua 20ª ediçã — Foto: Divulgação/Labace 2 de 6 Interior de uma das aeronaves — Foto: Divulgação/Labace X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Helicóptero sobrevoando a cidade — Foto: Divulgação/Labace 4 de 6 Jatinho em solo — Foto: Divulgação/Labace X de 6 Publicidade 5 de 6 Jatinho com carga — Foto: Divulgação/ Labace 6 de 6 Sobre uma floresta — Foto: Divulgação/Labace X de 6 Publicidade Na 20ª edição, evento em São Paulo apresenta jatos, helicópteros e turboélices que refletem o protagonismo do Brasil no mercado global de aviação executiva O prestigiado escritório de advocacia Paul Weiss, de Nova York, recebeu diversos ingressos gratuitos por realizar trabalho pro bono para comitês organizadores locais da Copa, segundo duas pessoas com conhecimento do funcionamento interno da firma. Um porta-voz do escritório não respondeu aos pedidos de comentário sobre os ingressos. O trabalho pro bono tornou-se motivo de controvérsia para o Paul Weiss, que foi criticado em setores da comunidade jurídica no ano passado por firmar um acordo com o governo do presidente Donald Trump que obrigava o escritório a prestar serviços jurídicos gratuitos para causas alinhadas ao presidente. Pelo menos nesse caso, o trabalho pro bono da Copa do Mundo rendeu o que um dos sócios do Paul Weiss descreveu como lugares “realmente muito bons”.