Entre 1962 e 1978, a França se classificou para apenas 2 das 5 Copas do Mundo disputadas no período —as de 66 e 78, e em ambas foi eliminada na primeira fase. Na mesma época, amargou um jejum ainda maior na Eurocopa: cinco edições sem conseguir nem se classificar para o torneio continental (de 1964 a 1980).
Foi o pior momento de um século 20 quase todo sofrível ou medíocre para os "Bleus". Com exceção de um terceiro lugar no Mundial de 1958, o percurso risível da seleção francesa dos seus primórdios (em 1904) até os anos 1980 parece inacreditável diante da máquina vencedora atual, campeã em 2018, vice em 2022 e favorita ao título nesta edição —se bater a Espanha nesta terça, fará a terceira final seguida em busca da terceira estrela.
A gota d’água para o início da reviravolta foi a Copa de 1966: no terceiro jogo, contra os anfitriões ingleses, os jogadores franceses se rebelaram contra a comissão técnica (o treinador tinha dois auxiliares, e cada um deles indicava uma tática diferente) e decidiram jogar ao seu bel prazer. Perderam por 2 a 0, e a França terminou em último em seu grupo.
"A partir dali, a Federação Francesa de Futebol (FFF) criou uma comissão da seleção, que acabou abrindo caminho para a revolução de 1969-1973", disse à Folha o historiador francês François da Rocha Carneiro, autor do recém-lançado "Bleus - Histoire de L’équipe de France de Football Depuis 1904 (história da seleção francesa de futebol desde 1904), derivado de sua tese de doutorado, e de outros livros sobre o tema.













