Um alto funcionário da ONU acusou, nesta segunda-feira, o Hamas de dificultar a entrega de ajuda humanitária em Gaza e advertiu que as ações do grupo islamista palestino tornam as operações cada vez mais perigosas. Apesar da ampliação da presença militar israelense no território nos últimos meses, o Hamas continua exercendo controle sobre parte da Faixa de Gaza. Em comunicado, o coordenador especial adjunto das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, condenou “com a maior veemência” os obstáculos às operações humanitárias atribuídos às autoridades de fato de Gaza, em referência ao Hamas. Segundo ele, essas ações “colocaram em risco o pessoal humanitário, intimidaram os trabalhadores encarregados da distribuição de ajuda alimentar vital e interromperam operações essenciais”. Os incidentes ocorreram no sábado em um ponto de distribuição de ajuda em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, onde supostamente homens armados ligados ao Hamas invadiram as instalações. De acordo com o comunicado da ONU, vários combatentes “também entraram em um armazém do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e supostamente agrediram dois motoristas de caminhão que realizavam a entrega de ajuda humanitária”. Alakbarov destacou que os incidentes “não foram isolados”, mas refletem uma “tendência cada vez mais preocupante de intimidação, violência e obstrução” das operações humanitárias. O grupo islamista palestino classificou as acusações como “infundadas”. — A polícia e as forças de segurança continuam protegendo os caminhões de ajuda humanitária e os centros de distribuição, além de facilitar o trabalho das organizações internacionais (sem tolerar qualquer tipo de ataque) — declarou à AFP um funcionário do Ministério do Interior administrado pelo Hamas. Corpos sob escombros, crianças mordidas por ratos e futuro incerto: a vida em Gaza meses após cessar-fogo não sair do papel Por sua vez, o COGAT, órgão ligado ao Ministério da Defesa de Israel responsável por assuntos civis nos territórios palestinos, criticou o Hamas após as acusações. “Esta é mais uma prova de que o Hamas explora cinicamente o sistema humanitário e a ajuda destinada aos moradores da Faixa de Gaza em benefício próprio”, afirmou o COGAT em comunicado. Disputa sobre a ajuda humanitária As acusações contra o Hamas ocorrem em meio a uma disputa mais ampla sobre as condições para a distribuição de ajuda humanitária em Gaza. Organizações internacionais e grupos de direitos humanos também têm acusado Israel de impor restrições à entrada de suprimentos e equipamentos essenciais no território, além de denunciarem riscos enfrentados por trabalhadores humanitários durante as operações. Segundo entidades que atuam no enclave palestino, limitações à entrada de geradores, peças de reposição e outros equipamentos continuam afetando a reconstrução e o funcionamento de serviços básicos. Israel rejeita as acusações e afirma que cerca de 600 caminhões de ajuda entram diariamente em Gaza, volume que considera suficiente para atender às necessidades previstas no acordo de cessar-fogo. Na semana passada, a morte do motorista palestino Ahmad Nasser Salim, de 30 anos, provocou novas críticas contra as forças israelenses. De acordo com testemunhas e representantes do setor de transporte de Gaza, ele transportava alimentos da organização humanitária World Central Kitchen (WCK) quando foi baleado por soldados israelenses após a entrada de um comboio previamente coordenado com a ONU e as autoridades israelenses. Israel confirmou o disparo, mas afirmou que o motorista foi identificado como uma ameaça durante uma abordagem militar e informou que o caso está sob investigação. A segunda fase da trégua, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das tropas israelenses, permanece estagnada há meses, enquanto Israel ampliou sua presença militar no território e passou a controlar mais de 60% da Faixa de Gaza. O Hamas continua exercendo autoridade sobre o restante do território, embora tenha anunciado na semana passada a dissolução do órgão de 15 membros que administrava a Faixa de Gaza havia quase duas décadas. (Com AFP)
ONU acusa Hamas de intimidar trabalhadores e dificultar entrega de ajuda humanitária em Gaza
Autoridade das Nações Unidas afirma que homens armados ligados ao grupo interromperam operações e agrediram motoristas de caminhão; Hamas nega as acusações










