Escolha de companheiros de chapa é guiada por necessidades e limitações dos presidenciáveis; Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ainda buscam nomes A uma semana do início das convenções partidárias, as principais campanhas à Presidência buscam definir as chapas e escolher vices que ajudem a reforçar estratégias, reduzir fragilidades e alcançar segmentos do eleitorado. O prazo para os partidos confirmarem seus candidatos começa na segunda-feira (20) e vai até 5 de agosto, mas as legendas terão até o dia 15 para pedir o registro à Justiça Eleitoral. Os pré-candidatos do PL, Flávio Bolsonaro, e do Novo, Romeu Zema, ainda não anunciaram seus eventuais companheiros de chapa e tentam avançar nas negociações com outras legendas e quadros dos próprios partidos. Outros presidenciáveis já recorreram a soluções caseiras e fecharam chapas “puro-sangue”. Embora políticos e estrategistas relativizem o peso de vices para a atração de votos numa disputa nacional, existe a percepção de que uma decisão errada pode prejudicar. Por isso, a preocupação nos comitês é definir nomes que, se não ajudem efetivamente, ao menos não atrapalhem. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser anunciado à reeleição pelo PT em convenção no dia 2 de agosto, decidiu continuar com Geraldo Alckmin (PSB) como vice, depois que se fecharam as portas para composições com siglas como MDB e PSD. Petistas cogitaram oferecer a vaga nas costuras em troca de apoio, mas, diante das negativas, o entendimento foi o de que a continuidade da dupla representa uma sinalização de estabilidade. A opção por Alckmin em 2022 buscou simbolizar o conceito de “frente ampla” adotado por Lula, com sua aproximação de um adversário histórico do PT, em nome da defesa da democracia. Na avaliação da cientista política Carolina de Paula, a adesão de Alckmin, há quatro anos, fortaleceu “a tônica da candidatura de Lula, com a ideia de concertação e apoio à democracia”, mas o papel de um vice “dificilmente é mensurável cientificamente”. Principal adversário de Lula, segundo as pesquisas, Flávio declarou que busca uma mulher para o posto de vice, em uma tentativa de aceno ao eleitorado feminino, que apresenta maior rejeição a ele do que os homens. Um dos nomes cotados é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que é filiada ao Republicanos. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também é mencionada. No entanto, as negociações com as cúpulas partidárias estão travadas. O PL ainda não encaminhou alianças com outros partidos e lida com a possibilidade de que Republicanos, a federação PP-União Brasil e o MDB fiquem neutros na eleição presidencial e evitem estabelecer coligações. Segundo aliados de Flávio, a hipótese de chapa pura não está descartada. Entre as alternativas do PL, estão as deputadas federais Júlia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF). A definição ganhou ainda mais importância após o atrito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), que relatou em vídeo ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado, por divergências sobre o palanque do PL no Ceará. A convenção para oficializar a candidatura dele à Presidência foi marcada para o dia 25. No caso de Zema, a expectativa de fechar uma aliança partidária tem sido usada como argumento para empurrar a decisão para mais adiante. Um dos nomes preferidos para a vice é o do empresário Geraldo Rufino, filiado ao Podemos e hoje pré-candidato ao Senado em São Paulo. Procurado, ele não se manifestou. O ex-governador de Minas Gerais disse ter “muita afinidade” com Rufino, mas ponderou que a decisão depende do partido dele e que sua única exigência para o ocupante da vice é ser alguém “ficha limpa” e “sem rabo preso”. Uma saída discutida na pré-campanha, caso a indefinição persista até a convenção de Zema, no dia 27, é formalizar a candidatura a presidente e delegar ao diretório do partido a indicação do vice, no limite do prazo eleitoral. Ronaldo Caiado (PSD) anunciou como vice o presidente nacional de seu partido, Gilberto Kassab, o que foi avaliado mais como um movimento interno para firmar a pré-candidatura na legenda do que um trunfo eleitoral. O dirigente está distante das urnas desde 2014 e poderá ceder o lugar na chapa do ex-governador de Goiás, caso o PSD avance em tratativas com outras siglas. A “solução caseira”, na visão de Carolina de Paula, contempla o perfil heterogêneo da sigla. “O PSD tem a dificuldade de uma variação muito grande em termos ideológicos, com proximidade maior com Lula em alguns Estados e com a direita em outros”, afirma a doutora em ciência política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Presidenciável do Missão, Renan Santos também optou por um correligionário, o militar da reserva Aroldo Medina, filiado ao partido no Rio Grande do Sul. Além da dificuldade para alianças, foi levado em consideração o apelo da pauta da segurança pública nas eleições. Segundo Carolina de Paula, o avanço das chapas puras pode ser atribuído, ainda, à perda gradual de importância das coligações, já que a soma do tempo de TV não é mais tão determinante quanto no passado.
Vices refletem cálculos de pré-candidatos à Presidência
Escolha de companheiros de chapa é guiada por necessidades e limitações dos presidenciáveis; Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ainda buscam nomes










