Mansur, Marcelo Barreto e Gustavo Poli destacam superioridade da Suíça, expulsão polêmica de Embolo e talento individual de Julián Álvarez na vitória que levou os campeões mundiais à semifinal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lionel Messi celebra gol com seus companheiros de seleção — Foto: Thomas COEX / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/07/2026 - 07:09 Argentina Avança à Semifinal com Resiliência e Polêmicas do VAR A classificação da Argentina para a semifinal da Copa do Mundo foi analisada pelos colunistas do GLOBO, que destacaram a pressão suíça e a expulsão de Embolo como fatores decisivos. A Argentina, apesar das dificuldades em manter a posse de bola, aproveitou a vantagem numérica e o talento de Julián Álvarez para superar a Suíça. A partida foi marcada por decisões polêmicas do VAR e pela resiliência argentina em momentos críticos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A classificação da Argentina para a semifinal da Copa do Mundo teve pouco da segurança apresentada pela equipe na primeira fase. Pressionada durante a maior parte do confronto com a Suíça, aparentemente sem pernas e com dificuldades para manter a posse de bola, a equipe de Lionel Scaloni foi beneficiada pela expulsão de Embolo, cresceu com um jogador a mais e voltou a encontrar no talento individual a saída para sobreviver no Mundial. Durante a partida, os colunistas do GLOBO analisaram as dificuldades argentinas, a decisão controversa do VAR e a transformação provocada pelo cartão vermelho. Carlos Eduardo Mansur identificou desde o início o problema que acompanharia a Argentina durante quase todo o jogo. A Suíça adiantou sua marcação, encaixou a pressão pelo campo e impediu que os campeões mundiais construíssem com naturalidade. A primeira progressão argentina só ocorreu a partir de uma movimentação de Rodrigo De Paul e terminou no escanteio que originou o gol. Melhores momentos Argentina x Suíça — A pressão suíça é um problema para a Argentina porque o time não consegue movimentos para sair dela pelo chão, com toques. E, ao mesmo tempo, não tem velocistas que possam ser lançados em profundidade, tampouco um atacante de porte físico para receber as bolas longas em disputas aéreas. Com isso, é um time de asas cortadas, que fica pouco com a bola. E este time precisa da bola como precisa de oxigênio — analisou Mansur. A superioridade suíça atravessou o primeiro tempo, permaneceu depois do intervalo e se transformou no empate. Para Mansur, o gol já era anunciado havia muito tempo pela dinâmica do confronto e pelas condições físicas da Argentina. — O gol anunciado acontece após 67 minutos de superioridade suíça. Além de não ser um time com característica para jogar sem bola, defendendo sua área, a Argentina parece sem pernas. Será mais uma jornada dramática para Messi e seus companheiros nessa Copa do Mundo. Marcelo Barreto também considerou justo o empate. Na avaliação do colunista, a Suíça foi a seleção mais presente no campo ofensivo desde a etapa inicial, enquanto a Argentina marcou justamente quando era pressionada. A partida, entretanto, mudaria completamente com a expulsão de Embolo. — O gol da Suíça já parecia mesmo questão de tempo. Desde o primeiro tempo, foi a seleção mais presente no campo de ataque, buscando combinações para chegar à área adversária. A Argentina abriu o placar quando era pressionada e continuou sendo na volta do intervalo. É mais um jogo difícil para a campeã do mundo. Mas o VAR oferece um caminho para a reação, ao flagrar a simulação de Embolo. Um ato imaturo que, além da desigualdade numérica, pode ter um impacto psicológico muito grande — afirmou Barreto. Embolo já tinha cartão amarelo quando simulou uma falta na lateral. O árbitro inicialmente marcou a infração a favor da Suíça, mas foi chamado pelo VAR e, depois de rever o lance, aplicou o segundo amarelo ao atacante. Mansur considerou que a decisão corrigiu uma injustiça, mas criticou o caminho utilizado pela arbitragem. — A regra passou a vigorar para a Copa do Mundo. No protocolo do VAR que fala sobre a intervenção em caso de “erro de identidade”, foi incluído o trecho que trata da “sanção do jogador errado de qualquer das duas equipes”. No entanto, é difícil concordar com a forma como o Mundial tem empregado a regra. O que aconteceu na expulsão de Embolo não é um erro de identidade, mas um erro de interpretação do lance de falta em si. O árbitro marcou uma falta que não ocorreu. Faz-se justiça, no fim das contas, mas por vias tortas, através da aplicação dissimulada de uma punição por simulação — explicou Mansur. Gustavo Poli definiu a atitude do suíço como uma “inexplicável pseudomalandragem”. Para o colunista, a Argentina estava “absolutamente nas cordas” antes da expulsão e assumiu o controle apenas depois de ganhar a vantagem numérica. — Mesmo cansada e sem inspiração, a Argentina assumiu o controle da partida e pressionou até o fim. A Suíça não parecia ter nenhuma alternativa de contra-ataque. Seria difícil resistir por 30 minutos de prorrogação naquele cenário — avaliou Poli. A resistência suíça durou até a prorrogação, quando Julián Álvarez resolveu o confronto com um chute de fora da área. Barreto destacou que, mesmo com dez jogadores, a Suíça pareceu fisicamente mais inteira em alguns momentos. A diferença voltou a aparecer numa jogada individual — desta vez, não pelos pés de Messi. — A Suíça resistiu muito bem à perda de Embolo. Parecia até mais inteira, fisicamente, do que a Argentina, que passou a ocupar mais o campo do adversário, mas foi perdendo o fôlego já nos minutos finais do tempo normal. Na prorrogação, as coisas se resolveram mais uma vez no talento individual. Não de Messi, que já tinha dado sua contribuição com a cobrança de escanteio para abrir o placar, mas num chutaço de Julián Álvarez. A campeã mundial escreve uma história curiosa nesta Copa: três vitórias tranquilas na fase de grupos e outras três desesperadoras nas partidas eliminatórias — concluiu Barreto.