No mesmo momento em que a Petrobras intensificava o ritmo de perfuração de um poço na costa amazônica, de forma a prospectar a existência de petróleo em alto-mar, uma liderança de uma ocupação em expansão acelerada na cidade de Oiapoque (Amapá) era presa preventivamente pela Polícia Civil.
No fim de abril, Edmilson Pereira dos Santos, o Zé Vaqueiro, foi preso sob suspeita da polícia de vender lotes na ocupação Areia Branca, uma invasão bem próxima do aeroporto de Oiapoque e que se expande por áreas de floresta no mesmo ritmo da expectativa pelo petróleo e pelo desenvolvimento da região.
A família dele e moradores do Areia Branca dizem que a acusação e a prisão são injustas, ancoradas em inverdades e fruto de perseguição pela atuação dele em defesa de moradia.
Os dois fatos —a prospecção de petróleo a 160 km da costa do Amapá, na linha de Oiapoque, e a prisão de uma liderança de uma invasão em expansão, na cidade mais próxima do empreendimento— parecem distantes um do outro, mas estão conectados.
A perfuração do chamado bloco 59, empreendida pela Petrobras e estimulada pelo governo Lula (PT), já alterou a realidade de Oiapoque, antes mesmo da confirmação da existência de combustível fóssil em escala comercial.









