Pré-candidato ao governo do estado não participará de evento do PL em Fortaleza; interlocutores afirmam que entendimento entre partidos terá caráter exclusivamente estadual 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro e o ex-ministro Ciro Gomes — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo e Pablo Jacob / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 18:47 Ciro Gomes recusa evento do PL em Fortaleza, aliança PSDB-PL limitada ao Ceará Ciro Gomes, pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, decidiu não participar do evento do PL em Fortaleza liderado por Flávio Bolsonaro, sinalizando que a aliança PSDB-PL é restrita ao Ceará. Essa parceria visa enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT) e implica apoio mútuo nas candidaturas estaduais, sem intenção de se expandir nacionalmente. A decisão reflete uma estratégia de manter agendas políticas separadas para evitar um alinhamento mais amplo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará, Ciro Gomes, não irá participar do evento que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realiza na noite desta sexta-feira, em Fortaleza, para lançar as candidaturas do partido no estado. Oficialmente, a assessoria do tucano afirma que a ausência se deve ao fato de se tratar de "um evento do PL" e informa que Ciro sequer está no Ceará nesta semana. Nos bastidores, porém, interlocutores ouvidos pelo GLOBO afirmam que a decisão também reforça uma estratégia compartilhada pelos dois grupos políticos: manter a aproximação restrita ao cenário cearense. Segundo relatos, nem Ciro nem Flávio têm interesse em transformar a composição estadual em uma associação política de alcance nacional. O acordo entre PL e PSDB foi costurado para a disputa contra o governador Elmano de Freitas (PT) e prevê o apoio dos bolsonaristas à candidatura de Ciro ao governo do estado, enquanto os tucanos respaldam a pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL), pai do deputado André Fernandes (PL-CE), ao Senado. Apesar da aliança, interlocutores afirmam que a orientação é preservar agendas separadas e evitar gestos que possam sugerir um alinhamento político mais amplo entre os dois pré-candidatos. A composição no Ceará foi justamente o principal ponto de atrito que desencadeou a crise entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Michelle defendia que a então vereadora Priscila Costa (PL) fosse a candidata da legenda ao Senado e se opunha à abertura de espaço para o PSDB na chapa. O impasse culminou na divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama criticou publicamente Flávio e, dias depois, deixou a presidência nacional do PL Mulher. Embora a aliança tenha sido mantida, integrantes das duas campanhas afirmam que ela deve permanecer limitada ao Ceará. A avaliação é que uma aproximação pública entre Ciro e Flávio produziria mais custos do que benefícios para ambos. Enquanto o tucano procura ampliar seu eleitorado para além da direita e evitar uma identificação com o bolsonarismo nacional, aliados de Flávio afirmam que o senador também não pretende explorar eleitoralmente a associação com o ex-ministro, por seu passado de aliança com o atual presidente. Aliados por anos, Ciro chegou a ser ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2006. O distanciamento, todavia, ocorreu nas eleições de 2018 quando o ex-governador teria negado o convite para ser vice de Lula e, posteriormente, viajado para Paris no segundo turno entre o atual ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Quatro anos depois, em 2022, Ciro intensificou suas críticas e, desde então, faz oposição ao atual governo. Esta postura com o PT, inclusive, motivou uma briga com seu irmão, o senador Cid Gomes que deixou o PDT e migrou para o PSB.