A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga um homem preso nesta quinta-feira (9) por chutar a filha de 3 anos em uma rua do município Francisco Beltrão, localizado na região sudoeste do estado. Ele foi flagrado por câmeras de segurança da rua, no último domingo (5). O caso ganhou repercussão após as imagens circularem nas redes sociais. A denúncia foi formalizada pela mãe da criança, que soube da agressão ao assistir o vídeo e registrou um boletim de ocorrência nesta terça-feira (7). As imagens das câmeras mostram o homem caminhando pela rua com os dois filhos — a menina de 3 anos e um menino de 5 — enquanto carrega sacolas. As crianças seguem alguns passos atrás dele. Em determinado momento, ele se vira e desfere um chute que atinge a menina na região do rosto. José Luiz Fernandes, que testemunhou o momento, afirmou ter sido ameaçado pelo homem ao tentar intervir na agressão. Ele estava do outro lado da rua e presenciou a cena. Na hora, atravessou a via com os braços abertos e tentou impedir. A criança se levantou, os dois adultos parecem conversar rapidamente e, em seguida, o pai continuou caminhando com os filhos. Em entrevista à Tribuna da Massa na quarta-feira (8), José Luiz diz que o suspeito aparentava estar alterado, com os olhos inchados. Durante a discussão, disse ter percebido um volume sob a camiseta do homem e temeu que ele estivesse armado, o que o levou a recuar. — Foi uma situação que eu nunca imaginei passar na vida. A gente fica indignado e tentei fazer o que pude. Quando me aproximei, vi que ele estava alterado, com os olhos bem inchados. Em um momento, ele apontou o dedo para mim, começou a fazer ameaças e percebi que havia um volume por baixo da camiseta dele. Ele dizia: 'Fica na tua, vai sobrar para você' — relatou. Motivação foi o choro da menina, diz pai Em depoimento na delegacia, o homem, cuja identidade não foi divulgada, afirmou que voltava do mercado com os filhos quando a menina começou a "chorar e berrar" na rua. Segundo o delegado Ricardo Moraes, responsável pelo caso, ele disse que não se lembrava da agressão, mas, ao assistir às imagens, reconheceu ser o homem que aparece no vídeo ao lado das crianças. — O pai foi identificado, foi até a delegacia e foi ouvido. Disse que a criança estava chorando e berrando na rua e acabou tendo aquela atitude, mas que nem se recordava. Porém, assistindo ao vídeo, confirmou ser ele — afirma o delegado Anderson. A Polícia Civil do estado tomou conhecimento do caso após as imagens ganharem repercussão nas redes sociais. O delegado destaca que a prioridade inicial foi garantir a segurança da vítima e de seus familiares. A criança passou por exame de corpo de delito na tarde desta quarta-feira (8), acompanhada de sua mãe. A genitora e outros familiares já foram identificados e prestaram depoimento. — Assim que a Polícia Civil tomou conhecimento desse vídeo, foi instaurado o inquérito policial e iniciadas as primeiras diligências objetivando identificar a criança, identificar testemunhas e o suspeito. A vítima foi identificada, foi identificada a genitora, os familiares que já foram ouvidos — afirmou o delegado Anderson. “As investigações tiveram início assim que os fatos chegaram ao conhecimento da PCPR, que imediatamente solicitou medidas protetivas para a mãe e para as duas crianças, visando resguardar suas integridades físicas”, pontua a PCPR em nota. — Foram ouvidas diversas pessoas e ontem, com o conjunto probatório colhido, com declarações, inclusive, de elementos indicando lesões causadas na outra criança em momento anterior — diz o delegado Anderson Andrei Grosso. Outras acusações A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga se o homem também havia agredido o enteado, de 5 anos, semanas antes. A suspeita é que o padrasto tenha atingido o menino no rosto com um cinto ou um pedaço de madeira. Os indícios dessa agressão anterior foram citados no pedido de prisão preventiva enviado à Justiça. — Há indícios de que aquela agressão não foi a única, e também não só contra a menina. O outro menino, que seria enteado dele, também já teria sofrido algumas agressões pretéritas. Todo esse contexto foi levado ao conhecimento do Ministério Público, do Poder Judiciário e formalmente houve a expedição do mandado de prisão — explicou o delegado Ricardo Moraes, em entrevista coletiva. A PCPR afirma que as investigações seguem em andamento para apurar o caso e as demais agressões relatadas. A corporação solicitou à Justiça medidas protetivas de urgência em favor da menina, do irmão dela e da mãe das crianças. O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso. Ainda de acordo com o delegado, os agentes mapeiam o local em busca de novas imagens do trajeto percorrido pelo pai e pelas crianças para verificar se houve outras agressões ao longo do caminho. *Estagiária sob supervisão de Júlia Cople