No consolidado, a MRV&Co apresentou uma geração de caixa de R$ 77,2 milhões de abril a junho, queda ante os R$ 141,8 milhões gerados no mesmo período de 2025 Lançamentos da MRV caem 14% e vendas sobem 3,4% no 2º trimestre — Foto: Reprodução/MRV&Co A MRV registrou no segundo trimestre R$ 2,95 bilhões em valor geral de venda (VGV) potencial em seus lançamentos, uma queda de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas líquidas da empresa cresceram 3,4% no mesmo intervalo, para R$ 2,75 bilhões. Os dados consideram a divisão de incorporação da companhia no Brasil, com as marcas MRV e Sensia. O grupo MRV&Co ainda tem as marcas Urba, de loteamentos, Luggo, de residenciais para locação, e Resia, de residenciais para locação nos Estados Unidos. Confira os resultados e indicadores da MRV e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 O ticket médio das vendas da MRV e da Sensia subiu 1,2% em um ano, para R$ 271 mil. Entre as unidades lançadas houve queda de 1,8% no valor, de R$ 277 mil. Ricardo Paixão, diretor-financeiro da MRV&Co, afirma que as variações decorrem do mix de produtos no trimestre, com maior participação de unidades nas faixas mais baixas do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e menos para a classe média, foco da Sensia. “Temos reduzido os lançamentos da Sensia”, diz, porque “está um momento mais difícil” para essa faixa de renda. A velocidade de venda da companhia, medida pelo indicador de venda sobre oferta (VSO), ficou em 23,3% no trimestre, queda de 1,1 ponto percentual em um ano. No consolidado, a MRV&Co apresentou uma geração de caixa de R$ 77,2 milhões de abril a junho, queda ante os R$ 141,8 milhões gerados no mesmo período de 2025. A área de incorporação contribuiu com R$ 121,1 milhões em geração de caixa e a Resia com R$ 26,7 milhões. As demais divisões apresentaram queima no período. De janeiro a junho, a MRV&Co obteve R$ 468,8 milhões em geração de caixa, revertendo queima de R$ 235,1 milhões na primeira metade de 2025. A divisão de incorporação trouxe R$ 208,1 milhões ao caixa, e a Resia contribuiu com R$ 386,3 milhões. Luggo e Urba apresentaram queima no período, de R$ 26,4 milhões e R$ 75,7 milhões. Paixão afirma que as duas divisões devem voltar a gerar caixa até o final do ano. “É um compromisso que isso vai acontecer.” Para a Luggo, isso passa pela venda de três projetos residenciais, que estão ocupados e estabilizados. Questionado se a empresa vê o momento do mercado — com juros altos que afetam o retorno de projetos multifamily, como os da Luggo — como propício para essas vendas, ele disse que sim. Já a Urba, de loteamentos, aumentou suas vendas em 26,4% no semestre, para R$ 82 milhões. “Com mais unidades vendidas, vai impulsionar a geração de caixa”, afirma o executivo. Resia e venda de ativos A geração de caixa da Resia foi possível por causa da venda de ativos da companhia, que está em fase de desinvestimento pela MRV&Co. A Resia constrói residenciais exclusivos para locação (multifamily), que depois são vendidos para investidores. No final do segundo trimestre, a companhia firmou um compromisso de compra e venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, no Texas, por US$ 139 milhões, um desconto sobre o valor patrimonial dos ativos, que soma US$ 188 milhões. O negócio deve ser assinado até o final deste mês. “Temos priorizado mais a desalavancagem da companhia do que alguma perda contábil, o caixa está falando mais alto”, afirma Paixão. De acordo com ele, “a dinâmica do mercado americano vai melhorar” nos próximos meses, “mas estamos com mais pressa”. A MRV&Co divulgou que, com o negócio, a dívida líquida do grupo vai recuar 7,5%. Desde 2024, a empresa vendeu US$ 380 milhões em ativos — seu plano era atingir US$ 800 milhões até o final deste ano, mas Paixão afirma que já trabalham com uma extensão desse horizonte para o início de 2027. Há ainda dois empreendimentos para serem vendidos, além de terrenos. Paixão afirma que um deve ser vendido ainda neste ano e o segundo até o primeiro trimestre de 2027. O empreendimento Memorial está 81% locado. O projeto Golden Glades tem 79% de ocupação. A MRV&Co destacou que, de março para junho, a ocupação do Golden Glades avançou 36%, enquanto a do Memorial subiu 19%. Os ativos são preparados para comercialização quando atingem 95% de ocupação.