O jogador, no entanto, não é alvo da ação; procurada, a assessoria ainda não se pronunciou 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 MPDFT cita Neymar em processo contra Virgínia. O jogador não é investigado — Foto: Reprodução | Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 17:26 Neymar e Virginia Fonseca são citados em ação contra Blaze por R$ 120 milhões no DF O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios citou Neymar em uma ação contra a influenciadora Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze, por uso de celebridades para atrair apostadores. A ação pede indenização de R$ 120 milhões por danos coletivos, alegando que tais práticas incentivam ilusões de "renda extra" e exploram economicamente vulneráveis. A ação ainda será avaliada pela Justiça. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) citou o jogador de futebol Neymar Júnior em ação civil pública que pediu a condenação da influenciadora Virginia Fonseca e da casa de apostas Blaze, nesta quinta-feira (9). O promotor responsável pelo caso pede que a influenciadora pague indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 120 milhões. Na ação, o MPDF cita Neymar ao afirmar que, como estratégia de arrecadação de apostadores, a Blaze também mantém parceria com figuras públicas conhecidas nacional e internacionalmente. “Apurou-se, ademais, que a estratégia de captação de clientela da plataforma não se restringe aos promotores inicialmente noticiados. Conforme verificado em fontes abertas e no próprio sítio eletrônico da empresa, a Blaze mantém parceria oficial com figuras públicas de elevada projeção nacional e internacional, com destaque para Neymar da Silva Santos Júnior e Virginia Pimenta da Fonseca Serrão”, diz o MPDF na ação. O órgão argumenta que a figura global do jogador é usada para propagar uma ilusão de "renda extra" aos apostadores, além de definir que a utilização dos famosos “potencializa exponencialmente o alcance da publicidade ostensiva, agravando o risco de lesão patrimonial a um número incalculável de consumidores, especialmente aqueles em situação de hipervulnerabilidade econômica”. “A prática torna-se ainda mais lesiva por atingir uma audiência massiva de jovens adultos hipervulneráveis em período de alta mobilização emocional esportiva. Para investigar a fundo essa estratégia de marketing e o uso do enquadramento ilusório de ‘renda extra', a 1ª Prodecon requisitou à Blaze os contratos celebrados com Virginia Fonseca, Neymar Jr., Lucas Lira e Bruna Sunaika. A diligência aguarda cumprimento, mas a busca por amparo judicial não pode ser postergada, sob pena de continuar as práticas abusivas”, diz o MPDF. Lucas Lira é um youtuber brasileiro, criador do canal de vlogs e humor "Invento na Hora". E Bruna Sunaika é uma influenciadora digital que ficou conhecida por produzir conteúdos focados em beleza, maquiagem, estilo de vida e maternidade O MPDFT acrescentou ao GLOBO que a ação ainda será apreciada pelo Poder Judiciário. O processo foi protocolado no Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) após o recebimento de denúncias diretas de consumidores, que informaram a retenção de valores depositados, bloqueio de contas e apresentação de justificativas genéricas. Os investigadores também elaboraram um relatório técnico contendo mais de 42 mil reclamações registradas em desfavor da plataforma. As apurações foram iniciadas em 2023, período no qual a Blaze operava sem autorização federal. A ação cita uma publicação realizada pela influenciadora durante a Copa do Mundo, onde ela divulgou, nos stories do Instagram, “conteúdo em que aparentava realizar uma aposta na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, sem identificação clara de que se tratava de publicidade”. Segundo o MPDFT, a postagem simulava uma manifestação espontânea e poderia induzir seguidores a realizar apostas. Após a partida terminar com vitória da Argentina, Virgínia teria recebido 30% sobre as perdas dos apostadores captados. “A conduta da Blaze, em coautoria com Virginia Fonseca, e demais agentes de seu ecossistema empresarial, não se limita a ilícitos pontuais, mas estrutura uma engenharia predatória de exploração de vulnerabilidades cognitivas em escala massiva, gerando externalidades negativas sistêmicas”, diz trecho da ação. O MPDFT, estima que a Blaze teria movimentado cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta de jogos (GGR). O MP cita, ainda, um inquérito policial de Mato Grosso, que concluiu que "a empresa se valia de celebridades e influenciadores digitais para captar usuários e induzi-los a participar dos jogos disponibilizados no site, mediante promessas de ganhos rápidos e fáceis". Segundo o portal, para viabilizar a coleta e a análise das práticas publicitárias da Blaze, servidores do MP do DF se cadastraram na plataforma para monitorar as comunicações promocionais e de marketing da operadora. Na ação, o MP pede a condenação solidária da influenciadora e da Blaze por custear e veicular campanha de contrapropaganda educativa sobre os riscos do jogo, superendividamento e os direitos do consumidor, além do pagamento de indenização por danos morais coletivos. Além de determinar que Virginia remova, de forma imediata das suas redes sociais, "todo conteúdo publicitário relacionado a apostas que prometam lucros irreais, induzam o consumidor ao erro, estimulem apostas em time, evento ou condição esportiva específica ou utilize dark patterns (técnicas de design que manipulam o comportamento do usuário, muitas vezes de forma sutil e não transparente) e publicidade disfarçada em conteúdos de natureza pessoal, familiar, de viagens ou equivalentes, sem identificação clara e ostensiva de seu caráter promocional. A multa requerida para eventual descumprimento é de R$ 500 mil por dia". O promotor de justiça Paulo Binicheski, da Prodecon, destaca, em nota do MPDFT, que a preocupação do MPDFT vai além da publicidade irregular. “Estamos diante de um problema de saúde pública relacionado à ludopatia, que tem provocado graves prejuízos financeiros e sociais. A divulgação de apostas por influenciadores, associada à falsa percepção de ganhos fáceis e à minimização dos riscos, pode estimular o comportamento compulsivo e contribuir para perdas milionárias suportadas por consumidores. O objetivo desta ação é interromper essas práticas e fortalecer a proteção da coletividade”, afirmou. *Estagiária sob supervisão de Daniela Dariano