O Brasil tem Neymar. A Noruega tem Haaland. Ambos foram adversários nas oitavas de final da Copa e o Brasil, o derrotado. Haaland fez dois gols em dez minutos. Neymar esteve mais de 20 minutos no jogo, e estava lá quando o norueguês, em respostas rápidas e bolas desviadas do destino pretendido pelo adversário, colocou duas no gol. Pareceu tão fácil como descascar uma mexerica. O jogador brasileiro recuperou um, e foi fácil como descascar uma mexerica apenas por ser uma cobrança de pênalti. O choro que Neymar encenou no gramado não tinha arrependimento ou tristeza. Era raiva. A minha ignorância em futebol não consegue desvendar as razões pelas quais todos os demais jogadores brasileiros, derrotados da mesma forma, vieram consolá-lo. Foi o time que lutou no gramado, sem ele, nos 45 minutos do primeiro tempo e mais quase vinte do segundo – e, de resto, as outras partidas que disputou nesta Copa. A derrota começou quando o astro do futebol brasileiro (entendido como aquele que deseja monopolizar atenções e acumular riqueza) foi a campo.
Não tem novidade aqui. Repito apenas para introduzir um sentimento: eu preferiria ter um Haaland made in Brazil, um Haaland para chamar de nosso. Ele fez dois gols e nenhum drama. Mas não é apenas Haaland que provoca uma baita inveja. A Noruega tem petróleo abundante, como o Brasil, e um Fundo Soberano. No país de Haaland, que tem uma reserva estimada em 17,48 bilhões de barris, o dinheiro auferido com a venda de petróleo é depositado em um fundo. O governo norueguês pode gastar apenas os rendimentos, cerca de 3% ao ano, e somente para financiar educação, saúde, a aposentadoria de seus cidadãos e investir pesadamente na transição energética. Num futuro não tão longínquo em que o petróleo terá se esgotado na face da Terra, o país estará preparado para substituir totalmente o combustível fóssil e sobreviver sem essa renda. O fundo só pode aplicar seus recursos fora do país, para evitar que o despejo da receita colossal do petróleo na economia provoque a chamada “doença holandesa”, ou seja, o encarecimento da moeda local e, por consequência, dos produtos fabricados localmente, o que devasta os demais setores da economia.












