Luisi Pinho e Luana Oliveira, casadas com policiais civis, alvos da sexta fase da operação Unha e Carne figuram em mais de 80 postos de combustíveis. Operação aponta que estrutura contava com o advogado Renivaldo Granja Junior para gerenciar ocultação patrimonial. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma viatura da PF que participa da nova fase da Operação Unha e Carne — Foto: Polícia Federal/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 22:44 Policiais e Esposas Envolvidos em Esquema de R$ 7,6 Bi no RJ A sexta fase da operação Unha e Carne da Polícia Federal revelou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis e suas esposas, que atuavam como "laranjas" em postos de combustíveis no Rio de Janeiro. As esposas de Pablo Jukia Felix Ferreira e José Carlos Alves gerenciavam cerca de 80 empresas, enquanto o advogado Renivaldo Granja Junior administrava as transações. O esquema movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos, utilizando práticas comerciais suspeitas que evitavam o sistema bancário eletrônico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Por trás da fachada de dezenas de postos de combustíveis espalhados pela Região Metropolitana do Rio, que movimentaram a impressionante cifra de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, a Polícia Federal (PF), na sexta fase da operação Unha e Carne, desmantelou um sofisticado arranjo de blindagem patrimonial sustentado por casamentos e laços de parentesco. No centro do esquema de lavagem de dinheiro da Operação Unha e Carne, os investigadores apontam que Luisi Correa Pinho e Luana Oliveira atuavam diretamente como "laranjas" para ocultar que os verdadeiros donos do negócio eram seus maridos: os inspetores da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, o "Pablo Russo", e José Carlos Alves, ambos ligados ao ex-secretário de polícia civil, Marcus Amim e ao ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, também alvos da operação. A engenharia societária, segundo os relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi desenhada para criar uma barreira entre os vencimentos públicos dos agentes de segurança e o faturamento real da rede de combustíveis. Enquanto Pablo Russo, por exemplo, recebia um salário líquido regular de R$ 9 mil, na 81ª DP (Itaipu), como inspetor, sua esposa e a parceira gerenciavam, no papel, um conglomerado que soma pelo menos 80 empresas, entre postos ativos e firmas inativas. O elo Para que a engrenagem funcionasse sem despertar a atenção imediata dos órgãos de fiscalização e para dar contornos legais à movimentação do dinheiro vivo, as mulheres contavam com uma figura central: o advogado Renivaldo Vieira Granja Junior. Apontado pela PF como o cérebro administrativo do núcleo familiar, Renivaldo figurava oficialmente como sócio-administrador das empresas em nome de Luisi e Luana. Cabia a ele gerenciar a burocracia do império, blindar as transações e coordenar a expansão da rede. Era uma divisão clara de tarefas, segundo a investigação: os policiais civis garantiam a influência, a proteção nos bastidores e o poder de intimidação; as esposas forneciam os nomes e os CPFs para as juntas comerciais; e o advogado operava o cotidiano financeiro e jurídico do esquema. A teia familiar estendia-se ainda a Vitor Correa Pinho, irmão de Luisi e cunhado do inspetor Pablo Russo. Ele atuava em outra ponta da rede de ocultação de bens, figurando como sócio em postos específicos e redes paralelas criadas para pulverizar os ativos, como a distribuidora Purogás. Império dos combustíveis A utilização das mulheres como laranjas permitia que empresas do grupo adotassem práticas comerciais altamente suspeitas para o mercado formal, operando quase que marginalmente à margem do sistema bancário eletrônico. Em um dos principais pontos da rede, o posto J R Combustíveis Ltda. Localizado no bairro nobre de Icaraí, em Niterói, que traz as duas mulheres como sócias formais, a regra interna proíbe taxativamente o uso de cartões de débito, crédito ou Pix. Tanto no abastecimento das bombas quanto na loja de conveniência anexa (JR Conveniência Ltda.), que pertencem ao ex-secretário Amim, — que além de Luisi e Luana, tem em seu quadro de sócias Lylyane Maia Correira Costa, laranja segundo a PF—, a única forma de pagamento aceita é o dinheiro em espécie. A justificativa dada aos clientes de que se trata de um "problema temporário" no sistema mascara, segundo a PF, uma tática deliberada para gerar volumosos montantes de dinheiro vivo de origem não rastreável. A capilaridade e o volume dessa estrutura comercial gerida pelas esposas ficaram explícitos durante o cumprimento dos mandados judiciais da 6ª fase da operação. Na sede da Adm Oil Prestadora de Serviços para Postos de Gasolina Ltda. Empresa de consultoria de gestão de combustíveis fundada por Luana Oliveira com um capital inicial de R$ 10 mil no Centro de Niterói, os agentes federais encontraram R$ 800 mil guardados em espécie.
Esposas 'laranjas': investigação da PF mostra como policiais civis usavam mulheres em esquema de lavagem de dinheiro com postos de combustíveis
Luisi Pinho e Luana Oliveira, casadas com policiais civis, alvos da sexta fase da operação Unha e Carne figuram em mais de 80 postos de combustíveis. Operação aponta que estrutura contava com o advogado Renivaldo Granja Junior para gerenciar ocultação patrimonial.







