União de forças federais, estaduais e municipais mostra que trabalho conjunto é mais eficaz contra o crime 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A sede da Polícia Federal (PF) em Brasília — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo Foi auspiciosa a união de forças de segurança na operação deflagrada ontem em 16 das 27 unidades da Federação para combater o crime organizado. O objetivo foi prender 93 investigados por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e ligação com facções criminosas. As ações foram conduzidas pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), vinculadas à Polícia Federal (PF) e envolvendo também forças estaduais e municipais. É evidente que o trabalho conjunto, sob coordenação federal, é a melhor forma de enfrentar as quadrilhas. Embora a segurança pública seja primordialmente tarefa dos estados, sozinhos eles não têm conseguido combater organizações criminosas que atuam em todo o país e no exterior. A facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a fluminense Comando Vermelho (CV) estão presentes em diferentes estados, onde disputam o controle da venda de drogas com grupos locais. Passou a ser comum o intercâmbio de bandidos de uma mesma facção entre unidades da Federação, dificultando ainda mais o trabalho da polícia. Não se trata apenas de problema interno. Em junho, o governo dos Estados Unidos classificou PCC e CV como organizações terroristas, abrindo caminho a sanções a instituições brasileiras e seus integrantes. Neste mês, autoridades americanas aplicaram punições a dois brasileiros e a três empresas do país, sob acusação de vínculo com o PCC e de lavagem de dinheiro em território americano. Em seguida, a PF deflagrou uma operação contra os acusados. O problema não pode, portanto, ser tratado de forma estanque. Não há dúvida de que o crime organizado assumiu proporções alarmantes. Ele não está apenas nas guerras entre quadrilhas pelo controle dos pontos de droga. Está também no que geralmente não se vê: sucessivas operações têm revelado um quadro assustador de infiltração do crime na política e no mercado formal. A Carbono Oculto mostrou que ele contaminava toda a cadeia de combustíveis e alcançava fintechs e instituições financeiras em áreas nobres de São Paulo. Nesta semana, uma nova fase da Operação Unha e Carne expôs no Rio as ramificações de uma quadrilha suspeita de lavar dinheiro com combustíveis. A operação foi deflagrada a partir de relatório apontando movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por uma rede de postos. Entre os alvos, estavam Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio. Não há como enfrentar situação tão grave e complexa sem a união dos governos federal, estaduais e municipais. Ainda que não tenha produzido resultados estrondosos, a operação de ontem aponta um caminho promissor por meio das Ficco. O governo federal sempre relutou em cumprir seu papel na segurança, e os estados temem perder protagonismo. Não há espaço para disputas estéreis. Ou todos se unem para combater a chaga do crime organizado, ou perderão todos.