Senador retorna ao Brasil nesta quinta-feira depois de audiência no USTR e rodada de reuniões reservadas; encontro com Jair Bolsonaro pode ficar para sexta, antes de agenda de pré-campanha no Ceará 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 o.O senador Flávio Bolsonaro ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: segundo a PF, uma estrutura paralela de espionagem foi montada na gestão — Foto: Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 19:48 Flávio Bolsonaro discute tarifas e operação da PF com ex-presidente Após viagem aos EUA, Flávio Bolsonaro pretende atualizar seu pai, Jair Bolsonaro, sobre reuniões políticas e comerciais em Washington, além de discutir a operação de busca da PF na casa do ex-presidente. A operação, ordenada por Alexandre de Moraes, buscava armas registradas em nome de Bolsonaro, mas nada foi apreendido. Em Washington, Flávio defendeu o cancelamento de tarifas comerciais e propôs um acordo semelhante ao Nafta para o Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retorna ao Brasil nesta quinta-feira após passar quatro dias em Washington em uma ofensiva política e comercial junto ao governo Donald Trump. Segundo interlocutores, uma das prioridades do senador ao desembarcar será conversar pessoalmente com o ex-presidente Jair Bolsonaro para relatar a viagem aos Estados Unidos e tratar dos desdobramentos da nova operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na residência do pai. A diligência foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a defesa apresentar informações divergentes sobre o paradeiro das armas registradas em nome de Bolsonaro. Agentes chegaram ao condomínio por volta das 7h em busca de armas, munições, acessórios e documentos de registro, mas deixaram o local cerca de uma hora e meia depois sem apreender qualquer material. A expectativa inicial era que o encontro ocorresse ainda na quinta-feira. Aliados, porém, avaliam que a agenda pode não permitir uma conversa, já que Flávio chega ao país no final do dia e, na manhã de sexta-feira, embarca cedo para o Ceará, onde participa de um almoço antes de cumprir compromissos de pré-campanha. Caso não consigam se encontrar na quinta, a tendência é que a conversa fique para a manhã de sexta-feira. Por ser advogado constituído na execução penal do pai, Flávio pode visitá-lo diariamente, entre 8h e 18h, por até 30 minutos. O senador pretende atualizar Jair Bolsonaro sobre as conversas mantidas nos Estados Unidos e ouvir do ex-presidente como transcorreu a operação realizada pela Polícia Federal. Em transmissão ao vivo nesta quarta-feira, Flávio classificou a diligência como uma "clara tentativa de criar uma cortina de fumaça" para "dividir o noticiário" enquanto cumpria agenda em Washington. A passagem por Washington foi tratada por aliados como uma das agendas internacionais mais importantes da pré-campanha. Na terça-feira, Flávio participou da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa final da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão sobre a proposta de sobretaxa de 25% para produtos brasileiros, prevista para 15 de julho. Primeiro expositor da programação do dia, abrindo o oitavo painel da audiência, o senador utilizou os cinco minutos de apresentação para pedir o cancelamento das tarifas, defender o Pix e sustentar que uma nova rodada de sobretaxas fortaleceria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também ampliou o conteúdo político do discurso ao fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal, afirmar que Jair Bolsonaro é vítima de uma "caça às bruxas" conduzida pelo Judiciário e citar episódios como o mensalão, a Operação Lava Jato, as fraudes no INSS e o Banco Master para defender que casos de corrupção têm responsáveis específicos e não deveriam justificar sanções comerciais contra o Brasil. Encerrada a audiência, Flávio decidiu permanecer mais um dia nos Estados Unidos e cancelou a agenda que teria em Pernambuco para cumprir uma rodada de reuniões reservadas com interlocutores ligados à administração Donald Trump. Segundo aliados, o objetivo foi reforçar os argumentos apresentados ao USTR e manter aberta a interlocução antes da decisão definitiva sobre as tarifas. Foi justamente durante essa agenda adicional que o senador apresentou uma nova proposta para a relação comercial entre os dois países. Flávio defendeu a inclusão do Brasil em um acordo de livre comércio semelhante ao firmado entre Estados Unidos, México e Canadá. A ideia foi apelidada por ele de "AFTA", numa referência ao antigo Nafta. — Eu vou, nessas conversas que terei agora, informar que pretendo falar que, assim como tem o Nafta, a gente pode cortar a letrinha N e falar AFTA, e o Brasil pode se incluir. Temos uma avenida de oportunidades para atrair investimentos americanos e gerar uma zona de livre comércio com esses três países: Canadá, México e Estados Unidos — afirmou em uma live realizada na quarta-feira. A proposta foi lançada justamente uma semana depois de o governo Trump decidir abandonar a renovação automática do USMCA, tratado que substituiu o Nafta e regula o comércio entre Estados Unidos, México e Canadá. Embora o acordo continue em vigor, a gestão americana decidiu submetê-lo a revisões anuais, aumentando a incerteza sobre seu futuro.