Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, por ordem do ministro do STF, busca e apreensão na casa do ex-presidente para localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse nesta quarta-feira (8) que informações divergentes sobre a quantidade de armas de fogo regularmente registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e a quantidade efetivamente entregue aos órgãos competentes evidencia, em tese, o descumprimento de determinação judicial. Segundo o ministro, esse quadro recomenda a adoção de medidas para localizar a apreender armamentos que eventualmente estejam mantidos sob o poder de Bolsonaro. Nesta manhã, por ordem de Moraes, a Polícia Federal (PF) realizou busca e apreensão na casa do ex-presidente para localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro. "A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida e justifica a adoção de medida constritiva destinada exclusivamente à localização e apreensão de armamentos remanescentes", disse Moraes na decisão que autorizou a medida. Na segunda-feira (6), Moraes determinou que o Comando do Batalhão da Polícia do Exército de Brasília entregasse as armas de Bolsonaro que estariam acauteladas no batalhão, conforme foi indicado pela defesa. A determinação serviu para cumprir a decisão do ministro que, ao prorrogar a prisão domiciliar de Bolsonaro na última sexta-feira (3), listou dez armas vinculadas a ele que deveriam ser entregues à PF pela defesa. Ao prorrogar a domiciliar de Bolsonaro, Moraes revogou os certificados de posse de arma de Bolsonaro e determinou que a defesa entregasse à PF dez armas que estavam vinculadas ao ex-presidente. Os advogados informaram primeiro que os objetos estavam com o Batalhão da Polícia do Exército de Brasília que, por sua vez, informou que tinha apenas oito das dez armas indicadas. Na sequência, os advogados, corrigiram a informação após novas verificações e disseram que uma espingarda estava em uma loja em Caxias do Sul (RS), porque foi um presente dado a Bolsonaro e que a outra arma em questão, uma pistola Glock calibre 9 milímetros, já havia sido apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal durante uma blitz. A arma estava com um sargento do Exército que trabalhava na segurança do ex-presidente. Ele foi indiciado por posse ilegal de arma de fogo pelo ocorrido. Na decisão de Moraes que autorizou a busca e apreensão na manhã desta terça, o ministro afirmou que há uma inconsistência de informações prestadas por Bolsonaro. "Isso porque a versão apresentada diverge dos dados constantes dos registros existentes e não foi acompanhada de documentação idônea capaz de comprovar a efetiva localização do armamento, a identidade do suposto depositário ou a regularidade da alegada custódia." Diante desse cenário, o ministro autorizou a medida de busca e apreensão para "assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado Jair Messias Bolsonaro". Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — Foto: Victor Piemonte/STF