O ajuste para baixo, ainda que modesto, reflete o efeito da guerra no Oriente Médio, mas é parcialmente compensado pela acelerada demanda pela inteligência artificial O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um leve corte nas previsões para o crescimento global em 2026, mas elevou as estimativas para o próximo ano. No relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial), divulgado nesta quarta-feira, o Fundo agora estima uma expansão de 3% do PIB mundial neste ano e de 3,4% em 2027, não muito diferente das projeções de abril, de 3,1% e de 3,2%, respectivamente. O ajuste para baixo, ainda que modesto, reflete o efeito da guerra no Oriente Médio, mas é parcialmente compensado pela acelerada demanda dinamizada pelo ciclo de tecnologia, em razão dos avanços da inteligência artificial (IA), bem como de sua adoção. Para o FMI, até o momento, a economia global tem suportado bem os efeitos do conflito. "A perspectiva econômica global está sendo modelada por duas forças principais, que a puxam em direções opostas com efeitos assimétricos entre os países", aponta o FMI. "O impacto varia amplamente, com base na exposição dos países à guerra e a posição que ocupam na cadeia de valor do setor de tecnologia", diz o relatório. A instituição aponta também que exportadores de petróleo que estão fora da zona de conflito (como o Brasil) têm sido favorecidos pela melhora dos termos de troca. E as economias associadas às inovações em tecnologia estão experimentando um ritmo aquecido, ainda que sejam importadoras líquidas de petróleo - o que contrasta com o que se vê em países importadores da commodity e que não possuem participação significativa na cadeia de valor da tecnologia. Na avaliação do FMI, o balanço de riscos para as perspectivas econômicas está mais equilibrado do que em abril, mas ainda inclinado para baixo. O novo relatório cita a possibilidade de retomada do conflito no Oriente Médio, que poderia estender a volatilidade nos preços das commodities energéticas, aprofundando riscos para a oferta e as cadeias de suprimento, elevando preços como um todo e afetando também as condições financeiras. Outro fator apontado pelo relatório é a possibilidade de uma correção quanto às expectativas para o setor de tecnologia. No sentido oposto, um cenário mais otimista está relacionado a uma normalização maior do que se antecipa para os mercados de energia, bem como de investimentos ainda mais fortes no segmento de tecnologia e a retomada de intercâmbio mais duradouro, resultante de eventual redução de barreiras comerciais. "As reverberações por meio dos canais de transmissão - preços de commodity, expectativas de inflação e condições financeiras - têm sido relativamente limitadas. Ainda assim, a transmissão está nas fases iniciais", diz o FMI, observando que o recurso a estoques estratégicos e comerciais proporcionou alívio temporário ante a redução dos fluxos de energia, em momento no qual indicadores antecedentes sugerem uma suavização do ritmo de atividade à frente. Nesse contexto, desfavorável a países de baixa renda, o FMI prevê que a inflação global passe de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, antes de declinar para 3,9% em 2027. A leitura deste ano foi levemente revisada para cima em relação à estimativa feita em abril. "Essas projeções mostram que a tendência de desinflação em curso desde o início de 2024 se estagnou", diz o relatório desta quarta-feira. As previsões foram feitas antes das mais recentes trocas de ataques entre Irã e Estados Unidos, que fizeram o presidente americano, Donald Trump, dizer nesta quarta-feira que o acordo de cessar-fogo com o Irã havia terminado, o que deve lançar novas incertezas sobre as perspectivas econômicas mundiais no curto prazo. Logo do Fundo Monetário Internacional (FMI) na sede da entidade, em Washington — Foto: Benoit Tessier/Reuters