Estudos mostram que a gestação provoca mudanças estruturais e funcionais no cérebro, com impactos que podem durar anos após o parto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gravidez muda o cérebro de forma duradoura — Foto: Editoria de Arte/Andre Mello RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 19:12 Transformações Cerebrais na Gravidez: Impactos e Persistência A gravidez provoca mudanças significativas no cérebro das mulheres, afetando massa cinzenta e conectividade cerebral, com efeitos duradouros que melhoram a regulação emocional e a capacidade de atender às necessidades do bebê. Essas alterações ocorrem principalmente no córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo, e são influenciadas por hormônios como estradiol e progesterona. Estudos indicam que tais mudanças podem persistir anos após o parto e que a parentalidade, em geral, molda o cérebro, afetando homens e mulheres. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Não é surpresa que a gravidez traz uma série de mudanças tanto para o corpo quanto para o estilo de vida. Em cerca de 40 semanas, praticamente todos os sistemas do organismo — hormonal, cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, urinário, musculoesquelético, dermatológico e neurológico — sofrem alterações para sustentar o desenvolvimento fetal, preparar o parto, a amamentação e os cuidados com o bebê. Embora muitas dessas mudanças, principalmente as fisiológicas, já estejam bem documentadas, a ciência agora se debruça sobre as alterações cerebrais que começam durante a gestação e persistem mesmo anos após o nascimento do bebê. Um dos estudos mais influentes sobre o assunto foi publicado na revista científica Nature Neuroscience, em 2016. O trabalho foi feito por meio da análise de imagens cerebrais de mulheres antes de engravidarem e alguns meses após o nascimento do bebê. Os resultados mostraram que a gravidez está associada a reduções no volume de substância cinzenta, associada à estrutura e função cerebral, especialmente em regiões envolvidas na cognição social e na rede de modo padrão (default mode network), um sistema ligado à autorreflexão e à compreensão do outro. — Pesquisadores acreditam que não há uma perda de quantidade de neurônios e sim um ajuste desses neurônios. É como se houvesse uma poda da árvore para que ela brotasse mais bonita, digamos de uma maneira metafórica. Esses neurônios são rearranjados para que haja um foco nas tarefas relacionadas à maternidade — diz a neurologista Ana Luiza Vieira de Araújo, do Einstein Hospital Israelita. Essas mudanças não são aleatórias, elas ocorreram em redes que podem ajudar a captar os sinais do bebê. As principais regiões afetadas são o córtex pré-frontal, a amígdala e o hipocampo, que são regiões relacionadas à atenção, memória, reatividade e cognição social. Por exemplo, elas indicam maior sensibilidade a pistas sociais, melhor leitura de expressões faciais e maior capacidade de identificar necessidades do bebê. As famosas que anunciaram gravidez em junho de 2026 1 de 5 Sabrina Sato compartilhou a notícia da gravidez a partir das redes sociais, em um vídeo narrado pela filha mais velha, Zoe. O bebê é fruto do casamento com Nicolas Prattes, com quem subiu ao altar em 2024 — Foto: Reprodução/Instagram 2 de 5 A apresentadora Tati Machado confirmou que está grávida novamente um ano após ter perdido o primeiro bebê. A novidade foi celebrada junto ao marido, o cineasta Bruno Monteiro, através das redes sociais. Ela emocionou os seguidores com a legenda: "O amor encontrou mais um jeito de florescer" — Foto: Reprodução/Instagram X de 5 Publicidade 5 fotos 3 de 5 A ex-BBB Larissa Tomásia anunciou sua primeira gravidez, fruto do relacionamento com o empresário Luciano Taborda — Foto: Reprodução/Instagram 4 de 5 Anne Hathaway pegou todos de surpresa ao anunciar que espera o terceiro filho com o marido, Adam Shulman. O bebê vem para fazer companhia aos irmãos Jonathan (10) e Jack (6). A atriz conseguiu esconder a barriguinha durante toda a maratona de divulgação e red carpets do seu novo sucesso, o filme "O Diabo Veste Prada 2". — Foto: Reprodução/Instagram X de 5 Publicidade 5 de 5 A influenciadora Bruna Biancardi anunciou a terceira gravidez com o jogador Neymar Jr. neste mês A novidade foi compartilhada por meio de um vídeo de chá revelação nas redes sociais: o casal está à espera de mais uma menina — Foto: Reprodução/Instagram . Mães que perderam mais volume relataram, posteriormente, vínculos mais fortes com seus bebês. Além disso, essas mudanças não desaparecem após a gestação. — Tem várias alterações estruturais e funcionais para tentar moldar o cérebro da mulher para que ela se torne uma boa mãe para, enfim, cuidar da sua cria. Então, basicamente essas alterações estariam voltadas para facilitar a adaptação cerebral à nova situação que vai vir — diz a neurologista Sonia Bruch, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). — Essas alterações que ocorrem no cérebro são duradouras, até mais ou menos dois anos depois do parto, que é justamente a fase em que a criança depende mais da mãe. Esse processo de redução de massa cinzenta pode parecer assustador, principalmente quando a maioria das mulheres grávidas relata problemas cognitivos, como falta de atenção, perda de memória, dificuldade de encontrar palavras, de manipular várias informações ao mesmo tempo. Mas em vez de significar perda cognitiva, o cérebro parece trocar certos tipos de desempenho — como lembrar onde estão as chaves — por uma melhor regulação emocional e pela capacidade de antecipar as necessidades da criança. — Quando se faz os testes cognitivos, a mulher mantém suas capacidades cognitivas intactas, mas no dia a dia ela recebe uma diminuição de performance em tarefas executivas que antes eram mais fáceis, e agora ela tem um pouco mais de dificuldade — diz Araújo. Além disso, existem fatores externos que podem contribuir para esse fenômeno de esquecimentos corriqueiros chamado popularmente conhecido como "baby brain", como estresse, de privação de sono, mudanças de rotina, além da ansiedade e a intensidade emocional do início da parentalidade. Outro trabalho, publicado em 2024 na revista científica Nature Neuroscience oferece a visão mais abrangente já obtidas sobre as alterações que acontecem no cérebro durante a gravidez ao examinar imagens do cérebro de uma mesma mulher 26 vezes, antes, durante e depois da gravidez. Embora apenas um indivíduo tenha sido analisado, isso representa um feito inédito, já que há uma resistência em realizar esse tipo de exame durante a gestação. Os resultados do novo estudo confirmaram que a massa cinzenta diminuiu mais de 4% ao longo da gravidez. A equipe também conseguiu demonstrar que essa redução ocorre de forma constante ao longo da gravidez, começando nas primeiras semanas, estabilizando-se por volta da época do parto e persistindo anos após o nascimento. Essas alterações também estão relacionadas com o aumento das concentrações de dois hormônios sexuais: estradiol e progesterona. A análise também mostrou que a substância branca do cérebro, a parte que conecta diferentes regiões cerebrais, foi fortalecida. Isso significa que os sinais cerebrais podem viajar com mais rapidez e eficiência. — Aumentar a conexão na substância branca ajuda, por exemplo, a mãe ficar mais ágil para detectar choro e perceber com mais facilidade o estado emocional da criança. A inteligência emocional aumenta e você se antecipa às necessidades do outro, não às suas necessidades — afirma o obstetra Eduardo Cordioli, diretor Técnico de Obstetrícia da Pro Matre Paulista. Essas alterações no cérebro durante a gravidez não cessam após a primeira gestação. De acordo com um estudo de 2026, do Amsterdam UMC, em uma segunda gravidez parece haver um refinamento dessas mudanças, voltadas para novos sistemas neurais. Enquanto na primeira as mudanças se concentram na rede responsável pela capacidade de interpretar os pensamentos e as emoções de outras pessoas, na segunda, o cérebro atua em sistemas mais especializados, como as redes de atenção que ajudam a direcionar e manter o foco. Isso permite, por exemplo, que a mãe acompanhe múltiplos estímulos simultaneamente, como ajustar automaticamente a postura para segurar um filho enquanto estende a mão para alcançar outro. "Pode-se supor que essas mudanças preparem a mulher para as demandas acrescidas associadas ao cuidado de vários filhos simultaneamente", escrevem os autores. Por outro lado, ainda não está claro se esses padrões se mantêm, se estabilizam ou se sofrem novas alterações com uma terceira gravidez. Também aumentam as evidências de que a parentalidade exerce um efeito neuroprotetor na fase mais avançada da vida. Estudos do UK Biobank e de outras fontes estão associando o número de filhos a marcadores de um cérebro com aparência mais jovem. Isso vale tanto para homens quanto para mulheres, o que mostra que não se trata apenas de uma questão ligada aos hormônios da gravidez, mas sim da experiência de cuidar de filhos. Segurar, alimentar, acalmar, observar, preocupar-se, responder em um ciclo que se repete incansavelmente pode moldar o cérebro por meio da experiência. — Não é só a gravidez em si. É o ato de ter uma cria o tempo inteiro do seu lado. Cuidar de alguém exige uma mudança estrutural e de prioridades muito grande — ressalta Cordioli. — O cérebro de cuidadores que realmente estão ali cuidando intensamente, tem remodelamento cerebral estrutural e funcional muito parecido com a mulher que sofreu a gestação. Não na mesma proporção, mas em alguns aspectos muito parecido, e essa relação é diretamente proporcional. Quanto maior o cuidado, maior o vínculo que vai se formando, maiores são essas alterações cerebrais — completa Araújo. Também há estudos mostrando que não são apenas as mulheres que apresentam alterações hormonais associadas a ter um bebê. — Tem um trabalho muito interessante que mostra que o homem que virou pai apresenta uma queda mais rápida de testosterona do que o que não virou pai. Uma das funções da testosterona é ajudar a ir atrás das coisas, da conquista, da guerra, da caça. A partir do momento que o homem já conquistou e tem a cria, o cérebro muda e, com isso, tem menos estímulo para as suas gônadas produzirem testosterona — explica Cordioli. O mesmo trabalho mostrou que níveis mais baixos estão associados a uma maior motivação para participar dos cuidados com o bebê e a uma melhor qualidade do relacionamento durante a transição para a paternidade.
'Reorganização mental': como o cérebro da mulher muda durante a gravidez; especialistas explicam
Estudos mostram que a gestação provoca mudanças estruturais e funcionais no cérebro, com impactos que podem durar anos após o parto








