Nas redes sociais, a senadora paraguaia Celeste Amarilla tomou as dores do time, deixou o tom esportivo de lado e fez ataques racistas contra o jogador. Os insultos criminosos provocaram uma onda de repúdio e levaram a autoridades e organizações esportivas a sair em defesa do jogador. 🔍 Celeste Amarilla foi eleita deputada do Paraguai em 2017, em uma eleição suplementar, pelo Partido Liberal Radical Autêntico. Em 2023, foi eleita senadora para o mandato de 2023 a 2028. Desde que chegou ao Senado, Celeste é conhecida por declarações polêmicas e críticas frequentes a governos e adversários políticos. Mbappé também não deixou barato e, em sua conta oficial no X (ex-Twitter), retrucou a política e a acusou de mostrar “a pior imagem possível” sobre o Paraguai. A história ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (07), com a tréplica da discussão e uma promessa de judicialização. Veja as etapas da confusão A classificação da França às quartas de final da Copa do Mundo já dava sinais de que a competição não acabaria nas quatro linhas do campo. O único gol da partida foi marcado por Mbappé, em cobrança de pênalti, garantindo a vaga francesa na próxima fase da competição. O confronto foi marcado por forte contato físico. Após o apito final, o atacante francês afirmou que já esperava um jogo truncado e disse que sua equipe também sabia "jogar esse tipo de futebol", quando necessário. A declaração repercutiu no Paraguai e alimentou a tensão iniciada ainda durante a partida. Sinais trocados Kylian Mbappé, atacante da França, e Celeste Amarilla, senadora no Paraguai. — Foto: Reuters/James Lang/Reprodução/redes sociais Depois dos 90 minutos, os jogadores trocaram provocações. Um dos momentos mais comentados ocorreu quando Mbappé ignorou uma tentativa de cumprimento do goleiro paraguaio Orlando Gill. A cena viralizou nas redes sociais. O episódio dividiu opiniões entre torcedores e foi tratado por parte da imprensa paraguaia como um gesto de desrespeito. Ao mesmo tempo, jogadores paraguaios rebateram as críticas do atacante francês sobre o estilo de jogo da equipe. “Não acho que estejam acostumados a esse jogo. Na América do Sul estamos acostumados a isso. Hoje se notou que ele se complicou com isso. Não gostam dos choques, mas isso é futebol”, disse o goleiro Orlando Gill, na zona mista após a partida. Política entra em jogo Horas depois da eliminação paraguaia, a senadora Celeste Amarilla publicou uma série de ataques a Mbappé na rede social X. Nas postagens, ela fez comentários sobre a aparência, a origem e a identidade do jogador, utilizando termos considerados racistas e xenófobos. "Camaronês colonizado, bancando o durão e fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio" disse, no tuíte. A senadora disse ainda que Mbappé que a coisa mais instruída que o atacante ouviu foram chimpanzés. 🔍 Kylian Mbappé nasceu em Paris em 1998 e foi criado na periferia da cidade. Filho de pai camaronês e mãe franco-argelina, iniciou a carreira nas categorias de base do AS Bondy antes de se destacar no AS Monaco. Em 2017, foi contratado pelo Paris Saint-Germain, onde conquistou diversos títulos nacionais e se tornou o maior artilheiro da história do clube. Em 2024, transferiu-se para o Real Madrid. Pela seleção da França, foi campeão da Copa do Mundo Fifa de 2018 aos 19 anos, vice-campeão em 2022 e é considerado um dos principais jogadores de sua geração. As declarações provocaram forte reação na França. A ministra dos Esportes francesa classificou as publicações como "abjetas" e "racistas", enquanto a Federação Francesa de Futebol informou que pretendia acionar o Ministério Público francês. “As declarações racistas da Senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé são totalmente repugnantes e inaceitáveis. Como se pode proferir um discurso desses? Essas declarações são criminosas e condenáveis. Elas devem ser processadas aqui como em qualquer outro lugar. A FFF está procedendo a uma denúncia ao Ministério Público para fins de persecução judicial”, disse a entidade em nota. Leia também: Mbappé responde Na segunda-feira (6), Mbappé respondeu diretamente à senadora. O capitão afirmou que Celeste Amarilla era "uma mulher desprezível e indigna do cargo" que ocupa e disse que ela não representava o Paraguai que, segundo ele, demonstrou "paixão e honra" durante a Copa do Mundo. O atacante também afirmou que o comportamento da parlamentar havia ofuscado a campanha histórica da seleção paraguaia e declarou que não permitiria que pessoas espalhassem "ódio e racismo" sem reação. A manifestação recebeu apoio de autoridades francesas e de diversos atletas nas redes sociais. Senadora do Paraguai profere insultos racistas contra o atacante francês Kylian Mbappé — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Terceiro tempo Na sequência, Amarilla voltou às redes sociais para rebater Mbappé. A senadora exigiu um pedido de desculpas do jogador, afirmou que sua crítica era direcionada exclusivamente ao atacante e alegou ter sido vítima de violência de gênero em razão da resposta pública recebida. Ela também voltou a criticar declarações feitas por Mbappé após a partida, afirmando que interpretou como ofensiva uma fala do francês sobre "colocar a mão na lama" para vencer o jogo. Segundo a senadora, se o jogador não se redimir, ela deve processá-lo judicialmente.