A biografia, lançada em 1961, narra a vida do Rei do futebol em primeira pessoa. O livro retrata a infância de Edson Arantes do Nascimento, mostrando o período em que ele sonhava em se tornar aviador e trabalhava como engraxate para ajudar a família. Maurício Ruy Barbosa, filho de Benedito — Foto: Van Campos/AgNews Segundo Ruy Maurício, o pai vivia as partidas de forma intensa e deixava transparecer toda a emoção como torcedor. "Ele era muito nervoso. Ficava bravo, xingava. Era extremamente passional, emocionado", contou durante o velório. Apesar da preferência pelo São Paulo, Benedito também vibrava com a seleção brasileira. O futebol, segundo o filho, ocupou um espaço importante em sua trajetória muito antes do sucesso na televisão. Foi durante a carreira no jornalismo esportivo que Benedito viveu um episódio que, por muito tempo, o próprio filho acreditou ser exagero. O escritor dizia ter sido o único jornalista presente na Vila Belmiro no dia em que Pelé chegou ao Santos para participar do primeiro treino. "Eu sempre achei que aquilo era mentira. Falava: 'Você estava na Vila Belmiro quando o Pelé chegou?'. Até que um dia encontrei o Álvaro José, que me contou a mesma história, do ponto de vista do pai dele, que era editor do jornal em que meu pai trabalhava", relembrou. Depois de confirmar o relato, Ruy Maurício disse que ligou para o pai para pedir desculpas. "Eu falei: 'Pai, desculpa. Era verdade'." "Ele viveu essa parte da vida com muita intensidade. E a são-paulinidade dele era muito grande", afirmou. Legado Benedito Ruy Barbosa — Foto: TV Globo Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural, com interesse especial na imigração italiana, e apresentam amores intensos. Seu legado inclui tramas icônicas como "Meu Pedacinho de Chão" (1971), "Pantanal" (1990), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999), marcadas por protagonistas de "bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos", como o próprio determina. O mais velho entre cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos. Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família. Ao longo da juventude, trabalhou como auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal "Estado de S. Paulo". O gosto pela escrita levou Benedito a criar seu primeiro romance, "Fogo Frio", que foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, começo de sua trajetória como roteirista. A história do autor que mais retratou o mundo rural nas novelas Sua estreia na televisão aconteceu em 1966, com "Somos Todos Irmãos", na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu "Meu pedacinho chão", novela produzida por uma parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas. Cinco anos depois, assinou com a Globo, onde deu início a uma sequência de sucesso na faixa das 18h. Nessa época, adaptou o romance de Ribeiro Couto em "Cabocla" (1979). Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, Benedito escreveu "Pantanal", que inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro. Autor Benedito Ruy Barbosa — Foto: João Miguel Júnior/TV Globo Com o sucesso, retornou à Globo para escrever "Renascer" (1993), trama ambientada no interior baiano e marcada pelo duelo de gerações do coronel José Inocêncio. Ambas seriam refilmadas décadas depois, escritas por seu neto, Bruno Luperi. Com "O Rei do Gado" (1996), Benedito abordou a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, enquanto discutia temas como a posse de terra e a reforma agrária. Já em "Terra Nostra" (1999), retratou o drama dos italianos Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX. Ruy Barbosa também revisitou suas próprias obras. Em 2006 e 2014, assinou as refilmagens de "Sinhá Moça" e "Meu Pedacinho de Chão". Na versão cheia de cores da segunda obra, declarou que finalmente conseguiu colocar no ar ideias que a Censura havia barrado na primeira versão, durante a ditadura militar. Em 2016, escreveu "Velho Chico", ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino. A novela trouxe um embate de gerações e a disputa por terra e poder no interior do Brasil. "Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor", definiu Benedito Ruy Barbosa em depoimento ao Memória Globo. Benedito Ruy Barbosa — Foto: Reprodução/TV Globo
'Ele era mais são-paulino do que torcedor da seleção', diz filho de Benedito Ruy Barbosa | G1
O corpo do dramaturgo está sendo velado no Funeral Home, no Centro de São Paulo. Ele morreu aos 95 anos nesta terça-feira (7) devido a complicações de insuficiência renal crônica.













