De la Espriella pede que militares defendam a democracia e desobedeçam a ordens do atual presidente em meio à disputa sobre a legitimidade das eleições; crise se agrava a um mês da posse 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Esta combinação de fotos mostra o atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro (à esquerda), e o presidente eleito, Abelardo de la Espriella (à direita) — Foto: LUIS ACOSTA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 14:45 Crise na Colômbia: Presidente eleito acusa Petro de golpismo O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, acusou Gustavo Petro de tentar um golpe de Estado para se manter no poder, suspendendo a transição governamental. De la Espriella pediu que as Forças Armadas defendam a democracia e desobedeçam a ordens de Petro. A crise política se intensifica a um mês da posse. Petro, por sua vez, nega as acusações e garante respeitar a decisão dos eleitores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, acusou nesta terça-feira o presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, de tentar promover um "golpe de Estado" para permanecer no poder após o término de seu mandato, em 7 de agosto. Em meio à escalada da crise política entre o governo de saída e o governo eleito, o advogado de direita pediu que as Forças Armadas "protejam a Constituição e a democracia" e desobedeçam a eventuais ordens do atual presidente que contrariem esses princípios. Mais cedo, ele havia suspendido o processo de transição com o líder de esquerda. — Petro e Cepeda iniciaram seu Plano B para permanecer no poder a todo custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado — afirmou De la Espriella em um vídeo publicado nas redes sociais. Na mesma declaração, ele convocou os militares a cumprirem seu juramento constitucional e a não obedecerem a qualquer ordem que, segundo ele, busque impedir a transferência de poder. As acusações ocorreram horas depois de o presidente eleito anunciar a suspensão do processo de transição com o governo de Petro, aprofundando o confronto entre as duas administrações a exatamente um mês da posse, segundo o jornal El País. Em mensagem publicada nas redes sociais, De la Espriella afirmou ter determinado ao vice-presidente eleito, José Manuel Restrepo, a interrupção imediata das reuniões entre as equipes de governo. Ao justificar a medida, o presidente eleito acusou Petro de não reconhecer o resultado das eleições de 21 de junho e classificou a administração atual como um "governo corrupto" que pretende "destruir a Colômbia". Segundo ele, sua equipe não poderia continuar sentada à mesa de negociações com um grupo que considera formado por "golpistas e corruptos". O processo de transição havia começado na semana passada e vinha sendo conduzido por Restrepo e pelo ministro da Fazenda, Germán Ávila. Apesar das divergências políticas entre os dois grupos, as reuniões técnicas avançavam normalmente até segunda-feira. A decisão de Espriella ocorre após uma nova rodada de declarações de Petro questionando a legitimidade da vitória eleitoral do presidente eleito. Na véspera, o atual mandatário voltou a defender a tese de que houve fraude no pleito presidencial contra seu aliado político, Iván Cepeda, derrotado no segundo turno. Em uma publicação nas redes sociais, chegou a afirmar que "Abelardo não venceu as eleições". Nesta terça-feira, porém, Petro adotou um tom mais moderado. Em uma longa mensagem, disse reconhecer e respeitar os milhões de colombianos que votaram em De la Espriella e garantiu que não pretende permanecer no poder após o fim de seu mandato. Ao mesmo tempo, acusou a equipe do presidente eleito de abandonar a transição para evitar que a população acompanhasse de perto sua preparação para governar. Restrepo reagiu às declarações do atual presidente e afirmou que quase 13 milhões de colombianos escolheram um novo rumo para o país e que ninguém tem o direito de colocar em dúvida a legitimidade do resultado das urnas. O embate também se estendeu aos aliados dos dois lados. Cepeda, que assumirá uma cadeira no Senado após perder a eleição presidencial, anunciou que pretende liderar uma campanha de "desobediência civil pacífica" contra o próximo governo. Paralelamente, a equipe de Espriella tem defendido que a transição presidencial vá além da simples transferência de informações administrativas. Os aliados do presidente eleito afirmam que o processo deveria funcionar como uma auditoria para avaliar as condições em que Petro entregará o governo e identificar possíveis casos de corrupção. Por isso, passaram a chamar as negociações de "transição anticorrupção". As críticas ao governo atual têm sido reforçadas por assessores próximos ao futuro presidente. Durante a campanha, De la Espriella chegou a declarar que estaria disposto a extraditar Petro. Um de seus principais conselheiros, Carlos Alonso Lucio, também tem defendido publicamente que o atual presidente seja investigado e julgado. A resposta do governo veio cerca de uma hora e meia após o anúncio da suspensão da transição. O ministro da Fazenda, Germán Ávila, determinou a interrupção das mesas setoriais entre as equipes, embora tenha deixado aberta a possibilidade de uma reunião com Restrepo para discutir os próximos passos. Em pronunciamento divulgado pelos meios públicos, Ávila informou que havia solicitado à Procuradoria-Geral da Nação o acompanhamento do processo de transição para garantir uma transferência institucional entre os governos. O ministro também rejeitou o termo "transição anticorrupção" utilizado pela equipe de Espriella. — É uma transição institucional e ponto final — afirmou. Ávila ainda elevou o tom contra Carlos Alonso Lucio, ex-integrante da guerrilha M-19 e antigo companheiro tanto dele quanto de Petro. Segundo o ministro, declarações recentes do assessor tiveram o objetivo de sabotar as negociações. Ele anunciou ainda que pretende apresentar uma denúncia criminal contra Lucio. Ao defender o legado do governo, o ministro lembrou que De la Espriella venceu Cepeda por uma margem apertada no segundo turno, com cerca de 12,9 milhões de votos contra 12,7 milhões do candidato de esquerda. Ávila afirmou ainda que o atual governo representa a "Colômbia pobre", enquanto o presidente eleito representaria os interesses da elite econômica do país. Como resposta ao rompimento da transição, o ministro anunciou que as informações sobre a situação da administração federal deixarão de ser compartilhadas diretamente com a equipe de De la Espriella e passarão a ser divulgadas à população. Segundo ele, eventuais denúncias contra o futuro governo serão encaminhadas à Justiça, e não feitas por meio de declarações públicas. (Com AFP)