Gerando resumoO motor de internacionalização do Pátria Investimentos, movido por aquisições feitas no exterior nos últimos anos, está ganhando tração. Após a compra de uma fatia da gestora britânica Abrdn (a antiga Aberdeen) e da norte-americana WP Global Partners, a área chamada GPMS (soluções em mercados privados globais, da sigla em inglês) se tornou a maior dentro da gestora. Sozinha, ela já responde por US$ 17 bilhões dos US$ 59,3 bilhões de ativos totais sob gestão.É um movimento que começou a ser desenhado há cerca de dez anos, como parte da estratégia de abertura de novas frentes de crescimento. Mercados privados são ativos que estão fora da bolsa de valores, o que inclui investimentos em empresas de capital fechado (o chamado private equity), em infraestrutura, no mercado imobiliário e em crédito privado estruturado. Pátria Investimentos em tela da bolsa Nasdaq, em Nova York: expansão internacional Foto: Divulgação/PátriaPUBLICIDADEO Pátria atua nessas quatro áreas no País, mas viu lá fora oportunidades que não encontrava por aqui. Em primeiro lugar, porque Estados Unidos e Europa movimentam negócios numa proporção que não existe na América Latina, onde está o principal foco de atuação da gestora. Depois, porque a magnitude permite multiplicar a escala de atuação e diversificação: em vez de investir e gerir cada uma das empresas, o Pátria consegue colocar recursos em gestoras especializadas para pulverizar oportunidades. Além disso, há a possibilidade de fazer o caminho de mão dupla para os investidores. Se até alguns anos atrás a gestora atraía recursos de grandes fundos de países desenvolvidos para a América Latina, agora oferece oportunidades lá fora para os fundos, principalmente da América Andina (como Chile, Peru e México). O movimento pode ser percebido nos números. Antes da aquisição, o Pátria gerenciava US$ 8 bilhões no exterior. Chegou aos US$ 17 bilhões graças tanto às operações colocadas para dentro de casa, como às captações orgânicas.Saiba mais:Após aquisições no setor imobiliário, Pátria foca em ‘arrumar a casa’Patria compra Share, empresa de moradia estudantilMorre Otavio Castello Branco, pioneiro dos fundos de investimento na infraestrutura do País“A maior parte desse crescimento aconteceu fora do Brasil porque existe demanda crescente pelos mercados privados internacionais”, diz Marco Nicola D’Ippolito, que comanda a área de GPMS a partir de Londres. PublicidadeA aquisição do braço de private equity da Abrdn por R$ 620 milhões, no fim de 2023, foi o primeiro passo no atalho que permitiu à gestora avançar num mercado muito maior do que o latino-americano. Já a compra da WP Global Partners aconteceu em fevereiro deste ano e colocou US$ 1,8 bilhão em ativos sob gestão no guarda-chuva do Pátria.“Apenas o mercado de private equity, que investe em pequenas e médias empresas na Europa e EUA, gira US$ 1,3 trilhão, sem contar com as áreas adjacentes, como o secundário (no qual as transações acontecem entre interessados nos negócios e não apenas entre fundo e empresa que recebe o aporte) e coinvestimentos, que geram várias oportunidades”, diz ele. “Se o private equity tem questionamentos em relação à liquidez, uma vez que os investidores demoram muito para obter retorno, o mercado secundário lá fora tem um porte que permite acabar com essa dificuldade — e, hoje, inexiste no Brasil.”Antonio Gledson de Carvalho, professor titular de finanças da FGV, diz que, além do tamanho, o mercado internacional tem outra oportunidade não disponível no Brasil: acesso a crédito para aquisições. “Fundos que já são muito grandes conseguem recursos de longo prazo para dar andamento ao negócio”, diz ele. “No Brasil, não há crédito para esse tipo de investimento que é mais arriscado, já que as taxas de juros tornam aplicações básicas muito atraentes.”PublicidadeCom a multiplicidade de ofertas de negócios e saídas, diz Carvalho, quem é bom em garimpar negócios promissores, mas nem tanto em aprimorá-los — principal trilha do private equity — pode voltar à sua atividade de origem. “É um mercado que gira mais rápido”, afirma.Recursos do Pátria nessa frente vão a outras gestorasA estratégia do Pátria nos mercados globais é diferente da do Brasil. Enquanto no País a gestora faz o investimento direto e atua ativamente nas companhias que recebem aporte, lá fora a área de GPMS atua de maneira indireta nas empresas. Ela constrói portfólios com investimentos primários em outros fundos de private equity que, por sua vez, colocam recursos em empresas.Na plataforma internacional são monitoradas mais de 6 mil gestoras, que atuam no segmento de pequenas e médias empresas, mas seriam grandes por aqui: faturam de US$ 50 milhões a US$ 500 milhões (de R$ 260 milhões a R$ 2,6 bilhões), as nascentes por lá. PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADE“Cada uma dessas 6 mil gestoras tem três fundos e cada um deles fez aportes em dez companhias, em média”, diz D’Ippolito. “Nos especializamos em identificar, dentro desse grande universo, quais gestoras que têm a maior capacidade de trazer retorno para montar portfólios customizados para os nossos clientes.” Hoje, o Pátria investe em 380 dessas gestoras, em 200 companhias, tanto nos EUA quanto na Europa. Tem 40 profissionais de investimento, com escritórios em Londres, Edimburgo, Nova York e Chicago. A área tem captado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões por ano, organicamente, segundo ele.Essa pulverização de oportunidades tem gerado ferramentas para antecipar a liquidez, algo pouco comum no Brasil, permitindo um retorno de caixa (cash yield) médio de 23% ao ano nos portfólios geridos, de acordo com D’Ippolito. Os fundos voltados à aquisição de empresas geram retorno de caixa médio anual estimado entre 14% e 25% ao longo da vida útil do fundo, mas a distribuição ocorre em ondas e depende do ciclo de venda das empresas da carteira. PublicidadeNa avenida inversa, na qual oferece aos clientes latino-americanos frentes de investimento lá fora, ainda não se tornou ativa no Brasil. “Nossa aproximação com o mercado brasileiro tem sido sob demanda”, afirma D’Ippolito. “Com investidores que reconhecem a oportunidade de investimento em private equity e têm interesse de nos ter como parceiro para desenvolver essa frente."Também vale o movimento inverso, de maior busca por ativos locais. “Com a escalada geopolítica, principalmente entre Estados Unidos e China, vários investidores internacionais definiram a América Latina como prioridade e destino geográfico de investimento, particularmente dentro de infraestrutura”, diz ele. “Como resultado, o fluxo de investidores estrangeiros, especialmente nessa área, cresceu.”
Mercados privados globais viram maior área dentro do Pátria, após aquisições em Londres e nos EUA
Conhecido como GPMS, segmento responde por US$ 17 bilhões entre os quase US$ 60 bilhões de ativos sob gestão, e abre via de crescimento com escala inédita à gestora









