Embarcações teriam sido atacadas pela Guarda Revolucionária do Irã, em um novo teste para o acordo provisório entre Washington e Teerã Um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) do Catar e um petroleiro de petróleo bruto com bandeira da Arábia Saudita foram danificados nas proximidades do Estreito de Ormuz, disseram fontes nesta terça-feira, após relatos de que a Guarda Revolucionária do Irã disparou mísseis contra embarcações que transitavam pela hidrovia durante a noite. O Al Rekayyat, do Catar, transportava gás natural liquefeito e enviou sinais de socorro pedindo assistência depois de ser atingido em bombordo, disse uma fonte. A tripulação está em segurança e está sendo evacuada, disseram outras fontes. A casa de máquinas da embarcação, porém, foi tomada por fogo e fumaça, o que impede uma avaliação completa da extensão dos danos. "Mayday, mayday, mayday. Aqui é o navio Al Rekayyat, navio de GNL Al Rekayyat. Estamos sendo atingidos por um drone no lado de bombordo, acima da casa de máquinas", disse o comandante da embarcação em uma comunicação de rádio gravada analisada pela Reuters. "Situação: incêndio na casa de máquinas e muita fumaça. Não é possível avaliar outros danos." É a primeira vez que um navio de GNL do Catar, país que atua como mediador nas negociações entre Washington e Teerã, é atingido desde o início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro. Durante o conflito, ataques com mísseis iranianos causaram grandes danos às instalações catarianas de GNL. Um petroleiro com bandeira saudita, que se acredita ser o superpetroleiro Wedyan, também sofreu danos na costa de Omã, disseram fontes de segurança marítima. A causa não foi imediatamente esclarecida. O Al Rekayyat pertence e é operado pela Nakilat, também conhecida como Qatar Gas Transport Company Ltd, que administra uma das maiores frotas de transporte de GNL do mundo. Dados de navegação da Lseg mostram que a embarcação transmitiu sua última posição em 18 de junho, indicando que navegava com os transponders desligados. O Wedyan pertence e é operado pela empresa saudita de transporte marítimo Bahri. Bahri, Nakilat, QatarEnergy, o escritório internacional de mídia do Catar, o escritório de mídia do governo saudita e o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Os relatos ressaltam que os riscos para a navegação no Estreito de Ormuz e em seus arredores persistem, apesar das garantias de passagem segura incluídas em um acordo provisório entre Washington e Teerã. A afirmação do Irã de que controla a estreita hidrovia entre seu território e Omã, por onde passava cerca de um quinto das exportações globais de petróleo antes do conflito, tornou-se uma das consequências mais controversas da guerra entre EUA, Israel e Irã. "Se utilizarmos 100% das águas iranianas, significa que estamos lidando com os iranianos e admitindo que o estreito está sob controle deles. Se passarmos pelo canal controlado pelos Estados Unidos e por Omã, somos atingidos", disse uma das fontes. "Os Estados Unidos autorizam a passagem, mas, se algo acontecer no caminho, dizem depois: 'A decisão de continuar ou voltar é de vocês'." As fontes pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa. Navio parado no Estreito de Ormuz — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/via WANA Relatos de ataque iraniano O site Axios informou anteriormente que a Guarda Revolucionária do Irã disparou pelo menos dois mísseis contra navios comerciais que atravessavam o Estreito de Ormuz na noite de segunda-feira, citando duas autoridades americanas. Duas embarcações comerciais sofreram danos significativos, mas não houve vítimas, segundo a reportagem, que cita uma autoridade dos EUA. Uma das fontes afirmou que a posição do Al Rekayyat no momento em que foi atingido coincide com o local descrito em um alerta emitido pela agência britânica de segurança marítima, indicando que ele foi o navio envolvido nesse incidente. A agência Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que um petroleiro que seguia para o sul, cerca de 8 milhas náuticas (15 quilômetros) a leste de Limah, em Omã, foi atingido em bombordo por um projétil não identificado, provocando um incêndio. A guerra está suspensa em razão de um acordo provisório de paz firmado no mês passado, concebido para criar um período de 60 dias destinado à negociação de um acordo permanente. Uma rodada de negociações indiretas realizada no Catar foi concluída na semana passada sem avanços em direção a uma paz duradoura.
Navios do Catar e da Arábia Saudita sofrem danos após serem atingidos perto de Ormuz
Embarcações teriam sido atacadas pela Guarda Revolucionária do Irã, em um novo teste para o acordo provisório entre Washington e Teerã







